MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
14/03/2008
REVIEW - CINEMA: HORTON, 10.000 A.C. E MAIS TRÊS REVIEWS
 
 
Horton e o Mundo dos Quem!
 
 
 
 
10.000 A.C.
 
 
 
 
Desaparecidos
 
 
 
 
 
 
 



:: Horton e o Mundo dos Quem!
Por Leonardo Vicente

Baseada na obra original de Dr. Seuss, a animação Horton e o Mundo dos Quem! (Horton Hears a Who!) apresenta o elefante Horton (voz de Jim Carrey, dublado no Brasil por Marco Moreira), que acidentalmente encontra um grão de poeira que abriga uma cidade, chamada Quemlândia.

Logo, Horton entra em contato com o Prefeito da cidade (Steve Carell no original, Tom Cavalcanti na versão brasileira). Ambos são vistos como loucos por seus companheiros, mas ainda assim trabalham juntos pela segurança de Quemlândia.

Entre ataques de inimigos, a ridicularização por parte de todos e uma crescente amizade entre os dois protagonistas, o filme apresenta uma boa aventura, que além de divertida, é bastante crítica, atacando de frente as autoridades e analisando a importância da imaginação e de uma mente aberta.

Os trailers com cenas mal selecionadas podem afastar muitos espectadores, por passarem a impressão de que se trata de um filme enfadonho, mas é justamente o contrário. O filme merece ainda um grande elogio por fugir da armadilha musical tão presente nas animações. Infelizmente, não foge completamente, com apenas uma canção, que até é agradável na versão original, mas soa um tanto boba na versão dublada.

A dublagem é outro ponto forte, pois adapta bem as falas, e conta com vozes que realmente se parecem com as originais, algo bastante raro em nosso país.

Elenco: Jim Carrey, Steve Carell, Carol Burnett, Amy Poehler, Dan Fogler, Jaime Pressly, Isla Fisher, Dane Cook, Will Arnett, Jonah Hill, Seth Rogen. Direção: Jimmy Hayward, Steve Martino.


:: 10.000 a.C.
Por Leonardo Vicente

Efeitos especiais fracos espantaram muitas pessoas do filme 10.000 a.C. (10,000 B.C.) , nova produção dirigida por Roland Emmerich (O Dia Depois de Amanhã, Godzilla). Bem, pode ser que o filme seja prejudicado por isso, mas que sirva de lição para não divulgarem versões ainda não acabadas das cenas, pois, ao ver a versão final da película, vemos bons efeitos especiais.

Emmerich costuma ser criticado por filmes cheios de ação e pouca trama, grandes erros históricos e/ou geográficos etc. Bem, estes pontos negativos estão presentes no novo filme, bem como uma certa dose de cenas piegas, mas ainda assim é uma boa diversão.

Uma tribo isolada pode estar encarando seus últimos dias, pois sua principal caça está se tornando cada vez mais rara. Tudo piora com o ataque de um grupo que leva boa parte do povo como escravos. Agora, um jovem precisa iniciar uma jornada para libertar seu povo, no caminho encontrando outros povos oprimidos e uma seqüência irreal e por demais conveniente de profecias envolvendo a ele e sua amada.

O elenco é pouco conhecido, ainda assim não chega a prejudicar o filme, a grande maioria se sai até bem. O veterano Omar Sharif é o único nome famoso, mas não chega a dar as caras, sendo apenas o narrador da trama. Há até um vilão que parece ter saído diretamente de uma aventura de Conan, lembrado o mago Kulan Gath.

Apesar dos inúmeros clichês e vícios do diretor, 10.000 a.C. se prova um bom filme quando se dedica apenas à aventura, deixando um pouco de lado as lições de moral e o romance.

Elenco: Omar Sharif, Steven Strait, Cliff Curtis, Joel Fry, Camilla Belle, Tim Barlow. Direção: Roland Emmerich.


:: Desaparecidos

Por Leonardo Vicente

O que você faria se sua irmã fosse raptada e vendida como prostituta? Essa é a linha principal de Desaparecidos (Trade), filme com direção de Marco Kreuzpaintner que é uma co-produção Alemanha/Estados Unidos.

Um drama bem conduzido, o filme tem início com o jovem Jorge (Cesar Ramos), um delinqüente de pouca importância no México, tendo sua irmã, ainda uma criança, raptada. Ainda que não seja totalmente bonzinho, adora sua irmã, e assim parte na caça dos raptores.

No caminho, descobre que ela está destinada ao Estados Unidos, onde será vendida pela oferta mais alta. Logo encontra Ray Sheridan (o sempre competente Kevin Kline), um homem que investiga o mesmo grupo que investe na prostituição e venda de menores, na procura por uma filha que descobriu só há pouco existir. Juntos, partem para os EUA para atingir seus objetivos.

A produção é de alta qualidade, destacando-se por conseguir mostrar todo o drama, desespero e horror da situação, inclusive pelo ponto de vista das raptadas, sem recorrer a imagens apelativas. O lado mais leve da trama fica por conta da relação entre Jorge e Ray, que rende até algumas risadas, notavelmente numa inteligente discussão sobre os americanos e a definição de quem eles são.

Elenco: Kevin Kline, Cesar Ramos, Alicja Bachleda-Curus, Paulina Gaitan, Kathleen Gati, Pavel Lychnikoff, Anthony Crivello, Linda Emond. Direção: Marco Kreuzpaintner.


:: O Orfanato

Por Leonardo Vicente

O Orfanato (El Orfanato), co-produção Espanha/México dirigida por Juan Antonio Bayona, tem Guillermo del Toro apenas como produtor, ainda assim é impossível não notar seu estilo dominando a película.

Um casal se muda com seu filho adotado e doente para uma nova casa, onde pretendem ajudar crianças com diversos problemas. A esposa viveu na mesma casa na infância, quando o local era um orfanato. Logo, problemas da época do orfanato voltam à tona, causando graves conseqüências.

Por mais que a sinopse parece batida, o que acontece é o contrário. O Orfanato se destaca por ser uma história de suspense, não de terror. Ou seja, foge de cenas de impacto, carnificina sem motivos e clichês com adolescentes. Numa época em que os únicos bons filmes do gênero vêm de fora dos Estados Unidos, de locais como Espanha, Coréia, China e México - ou se tratam de regravações estadunidenses destes - O Orfanato prova novamente a qualidade de tais produções.

O clima criado pela trama nos prende na poltrona, do começo ao fim, num suspense mais psicológico do que visual, o tipo que realmente prende a atenção. A história se desenrola de forma inteligente, sem apelações e sem deixar as coisas sem explicações, tudo se encaixa numa atmosfera de profunda tristeza, que mesmo assim consegue ser comovente.
 
O elenco é praticamente desconhecido mundialmente, com duas interessantes exceções no grupo de investigadores paranormais que tentam ajudar o casal. Trata-se de Geraldine Chaplin (filha de Charles Chaplin) e Edgar Vivar (isso mesmo, o Seu Barriga e Nhonho do seriado Chaves).

Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Mabel Rivera, Montserrat Carulla, Andrés Gertrúdix, Edgar Vivar, Geraldine Chaplin. Direção: Juan Antonio Bayona.


:: Sicko - $O$ Saúde
Por Ricardo Chacur

Amado ou odiado. Não importa quem financia os seus filmes. Michael Moore é um cineasta que é um indiscutível comerciante marketeiro, vaidoso ao seu estilo, mas que tem talento e sensibilidade própria. Seus documentários não são perfeitos, mas existe marca, iniciativa, ousadia e ele domina a linguagem de televisão e cinema como ninguém. Principalmente na detalhada pós-produção. Acusado de tendencioso, democrata ao excesso, apaixonado cegamente pela senadora Hillary Clinton e manipulador: os documentários de Moore estão se popularizando no resto do mundo, e isso abre portas para outros documentaristas que ficavam antes exclusos por uma distribuição tímida.

Pessoas que não costumam assistir a documentários perderam o medo criado na época dos vídeos didáticos da escola, e estão invadindo o cinema para assistir uma bela luta de boxe de um cineasta com o presidente George Bush. Por outro lado, a popularização dos documentários de Michael Moore é importante para não deixar o cinema tão elitizado, já que por muitos anos sempre visou somente bilheterias com peso de blockbuster, no entanto, Michael Moore é bom porque vende, e vende muito.

No documentário Sicko - $O$ Saúde (Sicko), o protagonista não é mais o presidente George W. Bush. Ainda assim, o polêmico e atual líder dos Estados Unidos ainda é um importante “ator” e uma deliciosa vítima nas mãos de Moore. Mas o foco desta obra de 123 minutos é a indústria insensível dos planos de saúde. Músicas famosas do cinema, emoção das vítimas dilaceradas por interesses de grandes corporações, edição de imagens bem orquestrada e equilibrada. Moore faz uma sinfonia pessoal em viagens aos hospitais dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Cuba, França e Inglaterra. O humor ácido e inteligente de Sicko é sem dúvida o trabalho mais maduro de Michael Moore.

Não é o melhor dos seus filmes, mas com certeza é o mais cruel e inteligente dos seus trabalhos, porque procura focar mais nas soluções (mesmo que superficiais), e tocar nas feridas na hora certa. Ele critica o capitalismo cego no requisito saúde pública e humanitária norte-americana, aponta falhas e quase nunca mostra os pontos positivos. Só que o objetivo de Moore não é fazer cinema para mudar o mundo. O ponto da questão é fazer uma crítica selvagem aos políticos republicanos, e aos interesses descontrolados dos manipuladores, que querem destruir os melhores valores dos Estados Unidos.

O filme quase beira o caótico em alguns momentos, e parece que vai se perder, apresentando um conjunto de reportagens coladas umas na outras, como se tivesse sido feito por uma equipe de jornalistas. Diverte, intriga e provoca. Estes valores são as melhores qualidades do cinema atual, porque provoca indignação e reações diversas. Quando o cenário são os países de Primeiro Mundo da Europa é mais fácil fazer uma avaliação do caos na saúde mundial nos outros países. Michael Moore não tem limites quando o objetivo é criticar os políticos. Na opinião dele, deputados, senadores e governantes têm um preço alto e estão fazendo uma armação sórdida para deixar os Estados Unidos menos culto, e assim facilitar uma manipulação da população.

O povo norte-americano neste ponto está na mesma balança que o brasileiro: o coronelismo nordestino está vivo em muitos lugares do planeta, quando o assunto é corrupção.  Os executivos dos laboratórios são assassinos, e depois acabam humanizados como vítimas de um sistema fraudulento de saúde. Os doentes norte-americanos que têm planos de saúde sofrem, e são os atores principais na escada para que Michael Moore possa brilhar como o protagonista da trama. Quem não tem plano de saúde no documentário é um convidado especial para uma viagem ao inferno. É claro que o filme tem suas falhas. Michael Moore não mostra que a indústria dos genéricos é importante para vencer os interesses dos laboratórios farmacêuticos, mesmo que seja responsável pela criação de outros grupos de milionários.

O Brasil teve grandes avanços e foi importante neste processo mundial de brigar com os laboratórios farmacêuticos, ainda assim, nosso país nem mesmo é citado. Neste ponto, o documentário falha porque o foco está muito centralizado nos Estados Unidos e nos países que deram certo na saúde. Esta louvável iniciativa dos medicamentos genéricos no Brasil está evitando um caos maior na África, que ainda sofre muito com cólera, aids, pneumonia e outras centenas de doenças.  Todos os anos muitos países do continente africano sofrem um holocausto digno dos horrores do nazismo, e o documentário de Moore não faz nenhuma citação a respeito. Hollywood também não faz nenhuma citação nos seus filmes como deveria. Falta uma globalização maior do cineasta, porque inteligência ele provou que tem.

Mesmo com pontos negativos, Michael Moore é um diretor da atualidade que faz valer a pena assistir a todos os seus trabalhos. Com ele aprendemos que não se pode esconder as feridas de nenhum país do planeta. É melhor lavar a roupa suja, mesmo que o tanque de lavar esteja dentro de qualquer governo.

Roteiro e direção: Michael Moore.

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