MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
17/06/2008
MATÉRIA: HOMEM DE FERRO - PARTE 1
 
 
 
 
Tales of Suspense #39: a sensacional estréia
 
 
#45: a primeira aparição de Pepper e Happy
 
 
#58: o combate mortal com o Capitão América...
 
 
#59: ... para em seguida dividirem a mesma revista
 
 
Homem de Ferro e Namor: encontro de Titãs
 
 
Iron Man #1: finalmente em título próprio
 
 
#46: a primeira aparição do Guardião
 



O Homem de Ferro surgiu em março de 1963, criado pelo escritor Stan Lee e seu irmão, Larry Lieber. Os desenhos de sua primeira aventura ficaram por conta de Don Heck. Porém, o visual do personagem foi criado por outra estrela da Marvel, o desenhista Jack Kirby (que ficou famoso a ponto de ganhar o título de Rei dos Quadrinhos).

O Universo de personagens Marvel, apesar de já ter quase dois anos naquela época (desde que foi fundado pela primeira revista do Quarteto Fantástico, pelos mesmos Lee e Kirby), ainda não havia se firmado no mundo dos quadrinhos. Se fossemos comparar com um luxuoso condomínio, poderíamos dizer que era um Universo rústico, recém loteado, sem rua asfaltada, água ou luz. Havia a concorrência da editora DC Comics, com os seus já famosos Superman e Batman. E a turma de Stan Lee ainda lutava por um lugar no coração dos leitores.

Quando o Homem de Ferro surgiu, nem sequer havia sinal de que aquele seria um novo super-herói. Sua primeira história passava longe disso. Publicada no número 39 da revista Tales of Suspense, um título dedicado a histórias curtas de terror e ficção (suspense, enfim). O conto era simples. Em resumo: o drama de um homem debilitado que se vê preso em uma armadura de ferro para poder viver. O personagem principal nem mesmo trazia as cores berrantes que um super-herói deveria ter. Sua armadura inicial era desajeitada e de uma horrenda coloração cinza.

A primeira "aventura" nos apresenta ao famoso e milionário inventor Tony Stark, criador de armas para o exército americano. Na época de sua publicação, a Guerra do Vietnã (longe de seu fim desastroso) servia de pano de fundo para uma vistoria de Stark ao campo de batalha de seus "clientes". Ironia do destino, foi uma arma rústica quem o fez vítima: uma simples granada armada com arame no meio da mata. Após a explosão, ele é capturado pelos inimigos, liderados pelo ditador Wong Chu, e fica sabendo que seu estado é crítico, pois um estilhaço do explosivo alojou-se perigosamente próximo a seu coração. Numa barganha na qual claramente irá sair perdendo, o inimigo lhe oferece assistência em troca da criação de uma poderosa arma, que possa derrotar os americanos.

No cativeiro, Stark conhece o professor Yinsen, famoso físico do qual ele próprio é fã. Juntos, criam primeiro uma placa peitoral que utiliza de magnetismo (incrementado com poderosos transistores criados por Stark) afim de impedir que o estilhaço atinja o coração do inventor. Esta placa, no entanto, precisa ser carregada de tempos em tempos. E tempo é algo que a dupla não tem. Eles precisam de uma outra invenção que possa libertá-los daquele cativeiro. É então que começam a construir uma enorme armadura que utiliza os mesmos princípios magnéticos estudados por Stark, além de manter seu coração "funcionando".

As condições para a criação de qualquer artefato eram precárias. Afinal, estavam nas mãos de guerrilheiros vietnamitas (apesar da nacionalidade dos inimigos não ser revelada na história), que se escondiam no meio da selva. Sem muitos recursos, nascia a primeira armadura do Homem de Ferro: rústica, desajeitada, enorme, pesada só de ver. Ela não podia voar, mas com a ajuda de jatos pressurizados e um pouco de magnetismo, poderia dar saltos bem aquém do que se poderia esperar de um aparato que mais parecia uma máquina de lavar roupas (das beeeeem antigas, diga-se de passagem).

O tempo passou e os soldados de Wong Chu perderam a paciência. A armadura, no entanto, precisava de mais alguns minutos para ser carregada. Para garanti-los, o professor Yinsen saiu correndo feito um doido no meio dos guerrilheiros... e acabou se sacrificando para que Stark (dentro da armadura) acabasse de carregá-la. De fato, ele termina a tempo de despistar os guerrilheiros. A armadura é tão pesada, que leva mais alguns instantes para que ele consiga se equilibrar dentro dela. Feito isso, consegue escapar do cativeiro, humilhar seus captores e vingar a morte de Yinsen, matando (meio "sem querer") o ditador Chu.

Era para ser só isso. Tanto que o final da história termina com um entristecido "homem de ferro" (Stark dentro da enorme armadura) caminhando para dentro da mata, pensando sobre sua situação precária: um homem com um estilhaço próximo ao coração, prestes a morrer quando sua placa peitoral descarregada não mais pudesse impedir seu problema cardíaco, preso dentro de uma enorme carapaça de ferro cinza, caminhando sem rumo no meio da selva vietnamita. Um típico conto de ficção/suspense, daqueles onde o final não tem a necessidade de ser "feliz". E, na verdade, não foi. Por outro lado, estava longe de ser um final para o personagem.

No número seguinte da revista, é mostrado que Stark retornou aos Estados Unidos. Não é explicado como conseguiu escapar daquela situação (histórias futuras, mostraram que ele encontrou o exército americano, onde conheceu seu amigo, o soldado James Rhodey), mas ele estava longe de ser o tristonho Stark do final da história anterior. Apesar do desconforto de sempre ter que andar com a placa acoplada a seu corpo (além de ter que carregá-la de energia sempre que necessário), o industrial se portava como um homem rico que conseguiu um novo brinquedinho para viver novas aventuras. Animou-se tanto que aprimorou a armadura rústica. Nem tanto na funilaria, mas com um importante detalhe na pintura. Pintou a armadura cinza e a deixou totalmente dourada, de modo que assustasse menos as pessoas quando surgisse. Stark mantinha sua fama de playboy mulherengo e irresponsável, enquanto o Homem de Ferro apresentou-se ao mundo como sendo guarda-costas das Indústrias Stark.

Certas idéias, no entanto, são bem típicas de um inventor maluco (nível Professor Pardal), como, por exemplo, patins que ajudavam a armadura a se locomover (algo que, por mais tosco que parecesse, foi usado por muito tempo) e uma anteninha no ombro para que ele se comunicasse. A armadura também era muito fácil de se levar pra lá e pra cá, agora que era feita de um material "ferroso" que se tornava maleável graças ao magnetismo e seus transistores. Exageradamente maleável, aliás. Quando "desligada", parecia ser feita de pano. O mais interessante é que o material usado na armadura era de uma liga de metal que não podia ser presa por um imã gigante, por exemplo. Esse uso e abuso do magnetismo foram a base da criação de sua arma mais conhecida, os repulsores, acoplados à palma de suas mãos.

A armadura, apesar de ainda desajeitada, era capaz de fazer quase tudo. E o que não fizesse, Stark dava um jeito de reinventar e aprimorar em seguida. O industrial virou uma espécie de linha de montagem humana no que diz respeito a criar suas armaduras. Não se ateve apenas àquele modelo (criado no Vietnã e aprimorado desde então). Muitas foram as batalhas em que sua armadura era parcial ou quase totalmente destruída. Mesmo assim, sua genialidade permitia que construísse mais e mais. A primeira armadura quase foi destruída pelo vilão Derretedor (também conhecido como Fusor), que criou uma arma que derretia qualquer artefato feito de ferro. Mesmo contra uma arma tão fatal para um homem feito de ferro, Stark foi capaz de criar uma nova (apesar do visual antigo) armadura... feita de alumínio!!!! (e viva a reciclagem de latinhas)

As primeiras aventuras do Homem de Ferro tinham um tom divertido de aventura. Stark estava longe de ser um bom samaritano preocupado em salvar os fracos e oprimidos. Encarava tudo como um desafio, um esporte radical a ser praticado com uma armadura poderosa. Enfrentou inimigos que mais pareciam figuras de livros baratos de ficção científica: robôs alienígenas, cientistas malucos, ditadores de países remotos e reinos desconhecidos. Chegou até a viajar no tempo e tornar-se interesse amoroso de Cleópatra! O descompromisso de Stark em TER que ser um herói não estava apenas em sua personalidade.

Mas essa alegre fase terminaria e o herói finalmente entraria no clima do cruel Universo Marvel. Nesse universo, os personagens que hoje conhecemos enfrentam problemas pessoais que são ameaças muito mais palpáveis do que qualquer supervilão que possa ser criado. Essa característica da editora aproximava os personagens dos leitores, ao mostrar que compartilhavam de desafios comuns no mundo "real". Com essa nova fase, fazia-se necessária a criação de uma continuidade para que esse fator ganhasse o máximo de veracidade. Começavam, assim, a surgir vilões que se tornariam recorrentes em aventuras futuras (começando com uma primeira versão do vilão que ficaria conhecido como Nevasca) e um elenco de personagens coadjuvantes que faziam sua história à parte.

Os primeiros e mais importantes coadjuvantes do universo do Homem de Ferro foram a secretária Pepper Potts e seu motorista Happy Hogan (que chegaram a ser batizados no Brasil com os não menos estranhos nomes de Pimentinha e Felisberto). A trama envolvendo esses personagens era algo à parte e, muitas vezes, até mais interessante do que o herói enfrentando alguma ameaça. Pepper era uma secretária ruiva e magricela que alimentava uma paixão platônica pelo patrão garanhão. Era comum Stark ser visitado por alguma beldade da alta sociedade e a secretária dar um jeito de dispensá-las. Por outro lado, Happy Hogan era um ex-boxeador de bom coração que se tornou chofer de Stark após negar recompensa por tê-lo salvo. Segundo o bom Hogan, ele não precisava de um cheque... precisava de um emprego. Apesar de ser oficializado como motorista, Hogan pouquíssimas vezes exercia o cargo, algo que o foi incomodando com o passar do tempo.

As coisas se complicariam entre os personagens. No começo era divertido ver o rústico Hogan sempre discutindo com a "fresquinha" Pepper. Pareciam gato e rato. Hogan sempre a provocava com cantadas, porque sabia que ela o detestava. E ela o detestava porque ele sempre a cantava, quando esta desejava que seu patrão Stark o fizesse. O que era para ser uma situação de humor acabou virando drama quando Stark, de fato, começou a se interessar pela secretária. Mesmo assim, sua vida como Homem de Ferro o colocava em uma situação que poderia oferecer risco à ruiva. Dessa forma, ele se esforçava para "empurrá-la" para o lado de Hogan (que gostava da moça, mas tinha o "semancol" de que não era páreo para o boa pinta Stark). Surgia assim um triângulo amoroso que foi sendo bem desenvolvido por Stan Lee, até o dia em que o plebeu (Happy) finalmente conseguiu arrebatar o coração de sua princesa (Pepper), com as bençãos de seu rei (Stark). E o Sr. Hogan casou-se com a Srta. Potts.

Durante esse período, a forte amizade entre Hogan e Stark ia muito além do simples relacionamento patrão/empregado. Uma das situações cômicas envolvendo os dois estava justamente nas reclamações do chofer NUNCA poder exercer seu cargo. Tony sempre o dispensava com desculpas de que queria seguir só ou caminhando. Desculpas que usava para usar a armadura, claro. Mesmo com essa preocupação de Stark em manter uma identidade secreta, o esperto Hogan foi juntando uma pista aqui e ali e, pronto! Sabia que o patrão era na verdade um super-herói. No entanto, assim como o industrial, Hogan sabia manter-se discreto no que diz respeito a segredos. Só revelou que já sabia de tudo, quando ficou à beira da morte ao se intrometer em uma batalha entre o Homem de Ferro e o russo (os comunistas... sempre eles...) Homem de Titânio. Sua lealdade, no entanto, o fez guardar esse segredo até mesmo de sua esposa. O chofer estava tão envolvido com as aventuras do patrão que, certa vez, chegou a usar a armadura e quase morrer nas mãos do vilão Mandarim.

Em dezembro de 1963, o mais importante aprimoramento da armadura era feito. Podia pintar ela de dourado, prateado, cor-de-rosa... mas não adiantava, ela ainda parecia enorme e desajeitada. E colocar novos badulaques iam acabar tornando aquele "tanque" amarelo num enorme carro alegórico (bom... rodinhas já tinha, mesmo). Um vilão conhecido como Sr. Boneco tinha o poder de controlar qualquer pessoa através de bonecos de barro que tivesse a aparência da vítima. A partir do momento que fez um boneco de uma certa armadura, o herói perdeu o controle. Daí houve a necessidade não de se criar uma melhoria na armadura, mas sim um visual totalmente novo, o qual vilão não esperasse. Surgia então a armadura clássica, com as cores amarela e vermelha. Berrantes como todo bom super-herói deve ter. Com o formato mais condizente ao corpo humano, também dava a idéia de que poderia voar com total mobilidade e desenvoltura. E o Mr. Doll dançou...

Esta armadura foi sendo alterada sem muito alarde a cada número de Tales of Suspense. Eram detalhezinhos de funilaria que poucos notaram no passar dos meses. Tinham mais a ver com formas "estéticas" em seu formato, principalmente na máscara, que chegou a ter um nariz de ferro, arrebites na testa e até mesmo uma "boca" que dava a impressão de expressar sentimentos. Contou muito com a visão de que cada desenhista tinha do herói (só para citar os mais importantes: Jack Kirby, Don Heck, Gene Colan, Steve Ditko, George Tuska, entre outros).

O foco central da série de aventuras do personagem tinha um fundo mais político. Stark ainda era um fabricante de armas para o Exército dos Estados Unidos. E, para manter seu negócio dando lucro, bastava apenas que os Estados Unidos tivessem um inimigo para usar tais armas. A bola da vez, naquela época (década de 60, onde a Guerra Fria era assunto mundial) eram os comunistas. Não importava a nacionalidade do vilão, bastava ser comunista ou ajudar os comunistas que já estava bom. Assim, sempre contávamos com a presença do já citado Homem de Titânio, a espiã Viúva Negra e o mercenário Unicórnio (todos vindos de algum lugar da Rússia), Mandarim (uma espécie de imperador na China, apesar de preferir se manter longe dos assuntos diplomáticos) e até mesmo simpatizantes como o contorcionista Espantalho (que ajudou os cubanos). A situação era tão gritante e mostrada de uma forma tão escrachada, que TODOS os cubanos tinham a cara de Fidel Castro (curiosamente, não eram mostradas as mulheres de Cuba. Logo, supõe-se que elas também tinham a cara de Fidel...).

Com o tempo, esse negócio de americanos contra o comunismo foi ficando cada vez mais passado. Começou a virar coisa de governo velho e chato. Apoiar a pátria em campanhas como o Vietnã e contra os simpatizantes da mãe Rússia parecia algo a se orgulhar no começo. Mas mentes foram se abrindo e a política internacional começou a ser vista por olhos menos radicais. A espiã russa Viúva Negra falhou em sua primeira missão na América e perigava ser punida por seus superiores. Com o tempo, sitiada em terras americanas, foi colaborando cada vez mais com os heróis dos Estados Unidos. Chegou a ter um breve e interesseiro romance com o então iniciante Gavião Arqueiro, que não era mal, apenas sentia dor de cotovelo de sujeitos como o Homem de Ferro. Confuso quanto a sua posição (se era herói ou vilão) foi se tornando mais amigo e até fez parte do supergrupo Vingadores.

Os Vingadores foram formados pelo Homem de Ferro, Thor, Homem Formiga, Vespa e Hulk para enfrentarem ameaças em comum. Logo no início, o descontrolado Hulk se mostrou um problema maior do que os inimigos que enfrentavam. Interessante notar como todos esses heróis agiam junto, mas sem ter uma liderança específica. Apesar disso, o Homem de Ferro era uma espécie de "dono da bola", uma vez que era Tony Stark quem financiava a existência dos Vingadores (fornecia os jatos e a base conhecida como Mansão dos Vingadores).

Quanto à liderança, o grupo iria encontrar alguém que era a encarnação desse termo: o Capitão América. O herói havia sido congelado décadas atrás após um acidente. Apesar de deslocado fora de seu tempo, encontrou amigos entre os Vingadores. Desde o início, essa amizade foi mais forte entre o Capitão e o Homem de Ferro... apesar de, desde o início, serem comuns discussões entre os dois por terem pontos de vista bem diversos.

A carga de ser um herói começou a pesar nos ombros do Homem de Ferro. Não era fácil ser herói, industrial, lidar com o governo (pois ainda fornecia armas para as Forças Armadas Americanas), senadores que queriam sua cabeça toda vez que faltava em reuniões empresariais (pois estava ocupado sendo super herói) e até mesmo o drama de sua solidão (síndrome do garanhão pós-festa). Diante disso tudo, mesmo financiando os Vingadores, o herói decide se afastar do grupo. Deixa tudo nas mãos do melhor amigo, Capitão América, que formou uma nova equipe, incluindo ex-inimigos como o Gavião Arqueiro (que se regenerou).

Mesmo assim, as ocupações de Stark como Homem de Ferro afetavam em muito suas relações tanto amorosas quanto profissionais. Sua maior pedra no sapato deixou de ser os comunistas. A ameaça agora eram os próprios americanos, mais especificamente seus clientes governamentais. Esse novo desafio era representado pelo insuportável Senador Byrd, que vivia colado na sombra de Stark a espera de qualquer deslize. De fato, para alguém que criava armas para a defesa americana, as Indústrias Stark deixavam um pouco a desejar. Várias foram as vezes, por exemplo, em que essas indústrias foram vítimas de invasão das mais diversas formas. Houve quem quisesse sabotar internamente e até mesmo a invasão por parte de um ladrãozinho pé-de-chinelo que, pasmem, conseguiu roubar e usar a armadura em uma história.

A amizade entre Capitão América e Homem de Ferro, apesar de sopapos ocasionais (culpa do Capitão, já que foi ele quem treinou Stark em técnicas de combate corpo-a-corpo), não era forte apenas dentro de suas respectivas aventuras. Editorialmente, esses personagens sustentaram-se muito próximos. Homem de Ferro era a estrela da revista Tales of Suspense... até novembro de 1964, quando as aventuras do Capitão começaram a ser publicadas na mesma revista. As histórias eram desenhadas por Jack Kirby, em uma de suas fases mais inspiradas, e chamaram muito a atenção dos leitores. Notava-se como o personagem ia tomando mais e mais conta da revista e, em março de 1968, a revista Tales of Suspense mudava seu nome para... Capitão América. Estava tudo dominado. Mas nem tudo estava perdido para o Homem de Ferro. No mês seguinte, sua história continuava em uma revista onde dividia espaço com Namor, o Príncipe Submarino. Foi só uma espécie de aviso para o que viria no mês seguinte: a revista própria e mensal do Homem de Ferro!

Namor era outro personagem do Universo Marvel com o qual o Homem de Ferro muitas vezes se encontrou. Mas, se com o Capitão América ele tinha uma forte amizade e saía de vez em quando na porrada, com Namor era justamente o oposto: raramente se tratavam como amigos e quase SEMPRE saíam na porrada. Não importava a situação que enfrentassem, bastava estarem juntos em uma mesma revista que saíam se socando. Podiam até enfrentar uma ameaça em comum, mas brigavam antes, durante ou depois de enfrentá-la. Com o tempo, essa inimizade tomou tons ecológicos, uma vez que Tony Stark era um industrial (visto como alguém que poluía o meio ambiente, mesmo que não fosse bem essa a intenção) e Namor era o Príncipe dos Sete Mares, que via seu habitat ser poluído por industriais como Stark.

A vida de herói solitário do Homem de Ferro não era tão efetiva assim. Apesar de não ser um membro fixo dos Vingadores, participava esporadicamente de suas aventuras e foi tornando essas participações cada vez mais freqüentes, não fazendo cerimônia quanto ao seu retorno no grupo. Participou de momentos importantes com seus colegas, como o surgimento do herói andróide Visão e a guerra entre as  duas raças alienígenas mais poderosas do Universo Marvel: os Krees e os Skrulls. Também viu surgir heróis (ou vilões?) de outra dimensão, conhecidos como Esquadrão Sinistro (que nada mais eram do que uma versão Marvel da Liga da Justiça, pertencentes à editora rival DC Comics).

Histórias futuras mostraram que, por volta dessa época, o herói formou um grupo secreto que ficaria conhecido como os Illuminati. Era formado por membros de outros grupos de heróis como Professor Xavier (dos X-Men), Senhor Fantástico (do Quarteto Fantástico), Raio Negro (dos Inumanos), Doutor Estranho (dos Defensores) e Namor. O herói africano Pantera Negra também havia sido convidado a participar dessa empreitada, mas não aceitou o convite (este era outro personagem que não se bicava com o Homem de Ferro, por diferenças ideológicas). A idéia dos Illuminati estava calcada em controlar as atividades de super-heróis que aumentavam a cada dia.

Um efeito em comum com os outros personagens Marvel começava a afetar Stark: a depressão super-heróica, talvez pelo estresse advindo da responsabilidade em ser sempre o salvador da pátria, sem que pudesse dedicar-se a si mesmo. Isso fez Stark repensar seu papel dentro da armadura, encarando de forma bem diferente do rico aventureiro do começo de suas peripécias. Ofereceu sua armadura para ser usada por um boxeador conhecido como Eddie March, desventura que não teve longa duração. Outro que usou a armadura por pouco tempo foi Michael O´Brien, meio a contragosto de Stark. Diferente de Eddie, Michael gostou tanto da experiência que criou sua própria armadura, sendo conhecido como Guardião. Ele não trazia o espírito heróico de sua inspiração e sucumbiu justamente num acesso de loucura por achar que estava fazendo a coisa certa (detonar manifestantes não era uma coisa lá muito bem vista...).

Essas malfadadas tentativas provavam que apenas Stark havia nascido para carregar o fardo de ser o Homem de Ferro. Seu coração começava a ficar mais e mais debilitado. Até que a ciência começou a dar os passos para transplantes desse tipo e o industrial, literalmente, tirou o aperto do coração. (continua...)

Veja também:
Homem de Ferro - Parte 2


Dark Marcos é editor do blog Âmago - www.darkmarcos.blogger.com.br

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