MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
15/07/2008
MATÉRIA: CORINGA - O PALHAÇO DO CRIME - PARTE 1
 
 
Conrad Veidt: suposta inspiração para o Coringa
 
 
Carta-Curinga desenhada por Jerry Robinson
 
 
Primeira aparição do Coringa em Batman #1
 
 
Batman #37: o Coringamóvel e o Coringacóptero
 
 
Detective Comics #168: parte da origem revelada
 
 
World’s Finest #88: Coringa e Lex Luthor aliados
 
 
Batman #145: Coringa Jr. enfrenta Batman II
 
 
Cesar Romero caracterizado como o Coringa
 



“Devemos escolher os amigos pela beleza, os conhecidos pelo caráter e os inimigos pela inteligência”.
Oscar Wilde, romancista, poeta, ensaísta e dramaturgo.

Bem, aqui estamos novamente com um novo artigo sobre quadrinhos, e a nossa sempre amada e estimada audiência deve estar se perguntando onde a frase do escritor irlandês Oscar Wilde citada logo no início desse texto se encaixa dentro de uma matéria relativa à Nona Arte. Bem, muitas vezes o valor de um super-herói é medido pela qualidade de seus adversários. E não há herói dos quadrinhos que possua uma galeria de vilões tão expressiva quanto Batman, o eterno defensor de Gotham City, tanto que vilões como o Pingüim, Mulher-Gato, Charada, Hera Venenosa e Duas-Caras ficaram tão famosos que muitas vezes a sua fama quase se equipara com a do Cavaleiro das Trevas. Só que mesmo entre vilões famosos existem aqueles que se destacam mais que os outros, e no caso da extensa mitologia que cerca o Homem-Morcego, há um certo criminoso que chama especialmente a atenção dos fãs mais que os outros.

Cabelos verdes, pele alva, roupas espalhafatosas, planos mirabolantes e sagacidade a toda prova fazem cada aparição dele nos quadrinhos, televisão ou cinema um grande evento, e toda vez que ele está diante de nós realmente percebemos que a frase de Oscar Wilde citada por nós faz todo o sentido do mundo, já que ele sempre traz consigo muita inteligência. E traz também muita psicopatia, violência e mortes a rodo! Pois é, depois de um preâmbulo tão longo e de tantas "dicas" está mais do que óbvio que o Coringa (Joker) será o tema desse artigo, e aqui tentaremos ver como foi a criação e evolução desse que é um dos mais terríveis e assustadores vilões do Mundo dos Quadrinhos.

Estão interessados em saber mais sobre o Palhaço do Crime? Então, por favor, continuem aqui conosco!

:: Primeira Aparição
Em 1938 a editora National Periodicals (antigo nome da DC Comics) lançou o Superman – criação máxima de Jerry Siegel e Joe Shuster – no gibi Action Comics #1, e o sucesso do Último Filho de Krypton fez com que os editores da National solicitassem aos seus roteiristas e desenhistas novos heróis parecidos com o Homem de Aço. O então jovem artista Bob Kane atendeu a esse apelo e em abril de 1939 a revista Detective Comics #27 trouxe a primeira aventura do Batman, um soturno vingador fantasiado com uma roupa inspirada em morcegos e que impunha justiça aos criminosos nas ruas de Nova York (ainda não existia Gotham City!).

Hoje é sabido por especialistas na História das Histórias em Quadrinhos que Kane não era lá muito bom tanto escrevendo quanto desenhando, e para suprir essas carências ele cercou-se de colaboradores quase sempre não-creditados, prática essa que por sinal era absolutamente corriqueira naqueles tempos. Um deles foi o roteirista Bill Finger, que segundo várias fontes concebeu junto com Kane a primeira aventura do Homem-Morcego e que posteriormente foi responsável pela criação de itens fundamentais na Mitologia do Cavaleiro das Trevas, como a cidade de Gotham City, o Batmóvel, a Batcaverna e a expressão “Dupla Dinâmica”.

Outro foi o desenhista Jerry Robinson, que entrou na indústria de quadrinhos graças a um convite de Kane, que ficou admirado ao vê-lo em uma quadra de tênis vestido com um blusão decorado com desenhos próprios feitos a mão. Com esse time inicial de colaboradores e com o auxílio eventual de outros profissionais – como Gardner Fox, Sheldon Moldoff e Jim Mooney – Kane não teve dificuldades em transformar o Batman em um retumbante sucesso de vendas.

O Batman em “início de carreira” (no final dos anos trinta e início dos quarenta) era um tanto quanto diferente daquele que conhecemos hoje. Desprovido do Batmóvel, do cinto de utilidades e outras traquitanas eletrônicas, ele não tinha o menor pudor em deixar criminosos morrerem no final das suas histórias, isso quando ele mesmo não os matava! E nessa época os adversários do Homem-Morcego basicamente eram gângsteres ou então cientistas loucos dispostos a fazer qualquer coisa para atingir seus objetivos malignos, ou seja, nenhum deles era lá grande coisa, tanto que quase sempre as suas aparições ficavam restritas única e exclusivamente a uma aventura. Moral da história: era necessário encontrar um adversário de verdade para o Cruzado Embuçado, e ele não tardaria a surgir...

O constante êxito do Cavaleiro das Trevas junto ao público deixou claro para os editores da National que havia chegado o momento do Morcego alçar vôos maiores, e assim, na primavera de 1940 Batman ganhou o seu primeiro gibi-solo. Batman #1 trouxe quatro aventuras inéditas do Defensor de Gotham City, e foi justamente na primeira dessas histórias que o Coringa foi apresentado aos fãs, em uma pérola dos Quadrinhos escrita por Finger, desenhada por Kane e arte-finalizada e colorida por Robinson. Nessa história o Coringa repentinamente desponta no cenário criminoso, lançando um desafio à Polícia: ele roubaria e mataria vários ricaços, e as forças da Lei e da Ordem não conseguiriam capturá-lo! E não é que o vilão cumpriu sua promessa? Interessante era a forma como o Coringa assassinava os seus alvos...

Ele injetava em suas vítimas uma fórmula química que além de despachá-las para o “outro mundo”, contraía seus músculos faciais, fazendo com que elas estampassem um sinistro sorriso no rosto! A série de crimes cometida pelo Palhaço do Crime chamou a atenção de Batman e Robin (que havia feito a sua primeira aparição nos quadrinhos na revista Detective Comics #38), e coube a eles lançarem-se em uma busca frenética atrás do vilão, busca essa que naturalmente redundou na captura e encarceramento do diabólico criminoso. Mas quem disse que o risonho assassino demoraria a aparecer? Na última das quatro histórias publicada em Batman #1, o Coringa foge da cadeia, e novamente a Dupla Dinâmica sai ao encalço do bandido.

No clímax da caçada, Batman fica frente a frente com o vilão, e na luta que se segue, acidentalmente o Coringa se esfaqueia e fica entre a Vida e a Morte. Tudo indicava que a participação do criminoso no Mundo dos Quadrinhos se encerraria por aí, todavia o editor Whitney Ellsworth ficou tão encantado com o personagem que praticamente exigiu de Kane e da sua equipe de colaboradores a sobrevivência do Palhaço do Crime no final dessa aventura. E aí, como diria o poeta, o resto é história, uma história repleta de assassinatos, piadas e principalmente sucesso junto aos fãs. Ah, antes que nos esqueçamos: essas duas histórias foram publicadas no Brasil em 2007 no primeiro volume de Batman Crônicas, da Panini Comics.

:: Bob Kane versus Jerry Robinson
Pois é, que o Coringa é um sucesso todos nós sabemos, e nós sabemos também que quase sempre o fracasso é órfão e o sucesso tem vários pais, situação essa que por acaso se aplica perfeitamente ao risonho bandido, já que existem duas versões sobre os bastidores de sua criação. Em sua autobiografia (Batman and Me, inédita no Brasil) Kane afirma que foi sua a idéia de criar um criminoso que fosse ao mesmo tempo histriônico e sanguinário – tal qual os existentes nas tiras do detetive Dick Tracy – e tendo isso em mente ele fez um esboço inicial do vilão, que foi apresentado a Bill Finger. Ao ver o esboço, Finger achou-o semelhante ao personagem Gwynplaine, interpretado pelo ator alemão Conrad Veidt no filme O Homem que Ri (The Man Who Laughs), uma pequena obra-prima cinematográfica inspirada no romance homônimo do autor francês Victor Hugo e que foi produzida e lançada em 1928, durante a fase muda do cinema americano.

Uma semana depois da apresentação do esboço, Finger (que era um cinéfilo juramentado) deu para Kane uma foto de Veidt caracterizado como Gwynplayne, e ambos concordaram em tornar ainda mais explícita a semelhança física entre os dois personagens, e daí para bolar a aventura publicada em Batman #1 foi um pulo. Por outro lado, nas várias entrevistas que deu para vários veículos de imprensa, Jerry Robinson conta que a idéia de criar o Coringa é sua, e que a inspiração para a criação do galhofeiro criminoso surgiu da vontade de dar ao Homem-Morcego um adversário diferente dos habituais gângsteres e também a partir de um curinga desenhado por ele para um baralho.

Ainda segundo o desenhista, esse curinga foi mostrado a Finger, que chegou a comentar a semelhança entre a carta e Conrad Veidt, porém essa semelhança não foi decisiva na concepção da primeira aparição do Coringa, que foi bolada pelo roteirista a partir das idéias propostas por Robinson. Mas vocês acham que essa encrenca acaba por aqui? Segundo Fred Finger (filho de Bill Finger) seu pai revelou-lhe que a aparência do Coringa na verdade foi inspirada em um sorridente rosto impresso em um anúncio do Steeplechase Park, um entre os vários parques de diversões que existiam entre os anos vinte e setenta em Coney Island, uma famosa estância balneária americana.  

Diante de tantas divergências, ficam no ar as perguntas: quem está certo, errado ou “mais ou menos” nessa questão? Bob Kane ou Jerry Robinson? Ou será Fred Finger? Vejamos a situação por diversos ângulos... Durante muito tempo, Kane evitou dar publicamente qualquer tipo de crédito para os seus colaboradores, e no caso do Coringa ele o deu para Bill Finger, o que reforça a possibilidade das coisas terem acontecido como ele contou. E finalizando a questão da parte de Kane, o criador do Homem Morcego afirmou que desde sua primeira aparição, o Coringa visualmente sempre foi muito mais parecido com Conrad Veidt do que o curinga desenhado por Robinson, que foi utilizado apenas como elemento de cena na primeira aparição do vilão, e realmente ele está lá para quem quiser ver.

Do lado de Robinson é perfeitamente possível interpretar as declarações de Kane como uma tentativa egoísta de não partilhar os créditos sobre a criação do sorridente vilão com mais ninguém além de Finger, só que existem alguns elementos importantes que contam a favor da versão do desenhista, como o fato de o curinga desenhado por ele existir até hoje, tanto que essa carta de baralho foi exibida para o grande público em 2006 na exposição Superheroes: Good and Evil in American Comics, no Museu Judaico de Nova York. A existência do curinga por si só não confirma lá muita coisa, entretanto uma recente ação da DC Comics “fala” muito sobre esse assunto, já que no final de 2007 Robinson ganhou da editora o cargo de consultor criativo.

Segundo o jornalista Rick Johnston (do sítio eletrônico Comic Book Resources), a DC Comics deu esse cargo à Robinson com o objetivo de evitar que o desenhista entrasse na Justiça e exigisse os direitos autorais sobre o Coringa e Robin (sim, Robinson também é considerado o criador do Menino Prodígio, cuja alcunha segundo algumas “lendas” foi supostamente inspirada no nome do artista, apesar dele desmentir tais “lendas”), o que seria algo um tanto quanto inconveniente, ainda mais que em 2008 o Homem Morcego e o Palhaço do Crime são as estrelas de uma badaladíssima produção cinematográfica que dará muita grana aos donos da marca Batman. E aí chegamos à conclusão óbvia: caso a informação de Johnston seja verdadeira, a DC Comics – ainda que de maneira muito, muito implícita – reconhece os direitos de Robinson sobre o Palhaço do Crime!

Após essa enxurrada de fatos e versões, repetiremos as perguntas que fizemos acima: quem está certo, errado ou “mais ou menos” nessa questão? Bob Kane ou Jerry Robinson? A grande verdade é que é muito difícil determinar a veracidade sobre um processo criativo que ocorreu há quase setenta anos, ainda mais quando importantes partes envolvidas nesse entrevero não estão mais entre nós. Após passar a maior parte da sua vida capitalizando de todas as maneiras possíveis e imagináveis a fama de “criador do Batman” e desenvolvendo trabalhos para estúdios de animação (o espião Cool McCool é sua mais importante criação nessa área), Kane nos deixou em 1998, aos oitenta e três anos; é inviável confirmar o relato de Fred Finger porque depois de anos lutando contra o alcoolismo, em 1974 seu pai partiu desse mundo, e somente após a sua morte o seu trabalho foi devidamente reconhecido, tanto que hoje a Comic-Con International (empresa que organiza diversas convenções sobre Quadrinhos nos EUA, sendo que a maior delas ocorre anualmente em San Diego, Califórnia) concede o prêmio Bill Finger Award aos escritores vivos e falecidos que dedicaram sua vida aos Quadrinhos e que contribuíram de maneira decisiva para o desenvolvimento dessa mídia.

Já Robinson, trabalhou com revistas em quadrinhos até os anos cinqüenta e a partir dos anos sessenta se transformou em um dos mais importantes chargistas da imprensa estadunidense e um dos maiores estudiosos americanos sobre a Nona Arte, todavia talvez o momento mais nobre da sua vida tenha ocorrido nos anos setenta, quando ele liderou um movimento que exigia que a DC Comics reconhecesse oficialmente Jerry Siegel e Joe Shuster como criadores do Superman. Após obter sucesso nessa empreitada, Robinson continuou a levar a sua vida, que foi retratada no documentário A Vida Após Batman (produzido aqui no Brasil pela produtora cinematográfica Scriptorium em parceria com a Rede SESC-Senac de Televisão) e nem mesmo um infarto sofrido em 2000 durante uma visita a São Paulo para divulgar o documentário o impediu de continuar entre nós, vívido, forte e lúcido.

Para finalizar de vez essa pendenga, na modestíssima opinião do autor desse artigo, o mais provável é que o Coringa tenha “nascido” a partir de diversas idéias fragmentadas postas na mesa por Kane, Robinson e Finger, e como os três estavam envolvidos na elaboração da história que trouxe a primeira aparição do Palhaço do Crime, o mais correto – e “salomônico” –  é dar para todos eles de maneira indistinta o crédito pela criação do personagem. Bem, falamos bastante sobre os bastidores do nascimento do Coringa, não é mesmo? É melhor encerrarmos esse assunto aqui, mesmo porque sobre o Coringa assunto não falta!

:: Os Anos Quarenta e Cinqüenta
A estréia do Coringa praticamente inaugurou a galeria de adversários extravagantes e matusquelas do Homem Morcego, composta por tipos bizarros como o Pingüim, Duas-Caras, Charada, Espantalho, Mulher-Gato e tantos outros. Aliás, falando em Mulher-Gato (que assim como o Coringa teve sua estréia também publicada em Batman #1, ainda que em uma proto-versão bem diferente da atual) a aparição seguinte do risonho criminoso ocorreu em Batman #2, onde ele e a sensual ladra constituíram uma inusitada parceria a fim de derrotar a Dupla Dinâmica na aventura “The Joker Meets the Cat-Woman” (O Coringa Encontra a Mulher-Gato). Daí para frente o Coringa virou um autêntico “arroz-de-festa” nas aventuras do Batman publicadas entre os anos quarenta e a primeira metade dos cinqüenta, tanto que nessa época, se levarmos em conta todos os gibis que contavam com a participação do Cruzado Embuçado (Batman, Detective Comics, World’s Finest), a cada ano o Palhaço do Crime tinha em média quatro aparições! Qual vilão nos dias de hoje é tão extensivamente usado no Mundo Encantado dos Quadrinhos?

A razão para tantas aparições é que a equipe comandada por Kane soube elaborar aventuras que aproveitaram todo o potencial do risonho criminoso e que encantaram os fãs, como pode ser constatado em Batman #4 na história “The Case of the Joker’s Crime Circus” (O Caso do Circo Criminoso do Coringa, publicada no Brasil no gibi Almanaque de Batman 1975, da Ebal), onde, no comando de uma gangue constituída de artistas circenses, o Coringa toca o terror em Gotham City. Em Detective Comics #60 o Palhaço do Crime novamente atormentou Batman com uma gangue pouco usual, cujos membros vestiam fantasias de bombeiro, policial, entre outros uniformes, na história “Case of Costume-Clad Killers” (O Caso dos Assassinos Fantasiados).

Todavia, esperamos que a nossa audiência não pense que o Coringa vivia apenas em função de bandos criminosos exóticos, muito pelo contrário! O gibi Detective Comics #62 trouxe a história “Laugh, Town, Laugh!” (Sorria, Cidade, Sorria!), onde um famoso comediante morreu e deixou uma série de pistas para que os seus colegas de profissão encontrassem a sua fortuna escondida. Naturalmente o maior de todos os comediantes criminosos se mete na busca por essa fortuna e elimina um a um os seus rivais na disputa, até ser finalmente capturado pela Dupla Dinâmica.

Pois é, no início de sua “carreira criminosa” o Coringa quase sempre deixava um rastro de corpos para trás e era um sujeito relativamente frio e calculista, entretanto a caracterização do vilão lentamente foi mudando. Entre essas razões precisamos entender que a própria caracterização do Batman foi ficando mais “suave”, “infantil” e “detetivesca” com o passar do tempo, em parte devido a entrada de Robin na mitologia do Homem Morcego, em parte porque os editores e artistas da National Periodicals passaram a preparar os seus gibis tendo em vista única e exclusivamente o público infanto-juvenil. Dito isso, foi um passo natural o arquiinimigo do Cruzado Embuçado “acompanhá-lo” nessa mudança, e mais ou menos por volta de 1942 o Coringa deixou de lado os assassinatos e passou a priorizar os grandes golpes completamente amalucados. Querem um exemplo dessa situação?

Em 1946 foi publicada no gibi Batman #37 a história “The Joker Follows Suit” (O Coringa Segue o Exemplo), onde após mais uma fuga da prisão o Coringa decide que a melhor forma de combater o Batman é usando “fogo contra fogo”. Não entenderam? Ora, se o Homem Morcego se dava bem porque possuía um Batmóvel, um Batcóptero e um Batsinal, a melhor estratégia que o Palhaço do Crime deveria seguir para combater o seu inimigo era ter um Coringamóvel, um Coringacóptero e um Coringasinal! Obviamente, esses novos “brinquedos” não ajudaram o Coringa a derrotar o seu eterno adversário...

O Coringamóvel e o Coringacóptero foram itens recorrentes nas histórias em que o Coringa dava as caras na segunda metade dos anos cinqüenta e nos anos sessenta, entretanto nesse período as aparições do Diabólico Comediante nos gibis do Batman diminuíram sensivelmente. É possível que isso tenha ocorrido porque os editores da National decidiram não expor em demasia um de seus melhores vilões, entretanto segundo alguns estudiosos da História dos Quadrinhos Americanos o mais provável é que os editores tenham se amedrontado com uma entidade muito mais assustadora que o Coringa: o Comic Code Authority! Para quem não sabe, na década de cinqüenta muitos “especialistas” consideravam os Quadrinhos – com sua “violência desmedida” e seus terríveis “apelos eróticos” – uma influência “perniciosa” para a boa juventude estadunidense e um sinal da eminente “derrocada moral” dos EUA.

Para evitar esses ataques, as editoras americanas se uniram e criaram um conjunto de normas (o tal Comic Code Authority) que visavam suprimir dos gibis o sexo, a violência e qualquer outro item “prejudicial” à formação da petizada ianque. Se já fazia algum tempo que o Coringa tinha largado os assassinatos e priorizado os grandes golpes, com a implantação do Comic Code essa situação se radicalizou de vez e o Palhaço do Crime ficou cada vez mais “palhaço”, e talvez na cabeça dos editores da National não “pegasse bem” dar muito destaque para um bufão completamente pirado. Mas vamos deixar o Comic Code e suas implicações de lado, mesmo porque a nossa seleta audiência já deve ter percebido que até agora não falamos nada sobre a origem do Coringa nos Quadrinhos. Estão interessados? Caso a resposta seja positiva, nos acompanhem!

:: A verdadeira origem do Coringa
Os verdadeiros nomes, origens e motivações de praticamente todos os adversários do Homem Morcego sempre foram de conhecimento dos fãs, e a única exceção a essa regra sempre foi o Coringa. Provavelmente os autores e editores que trabalharam com o Batman desde os anos quarenta até os dias de hoje entenderam que tal mistério (em especial no que tange ao verdadeiro nome do criminoso) era um componente fundamental da caracterização do Palhaço do Crime, todavia alguma “migalha” da origem do grande nêmesis do Batman precisava ser dada para o público, e em fevereiro de 1951 coube a Bill Finger e aos artistas Sheldon Moldoff e George Roussos a providenciarem no gibi Detective Comics #168, através da história “The Man Behind the Red Hood” (O Homem por Trás do Capuz Vermelho, publicado no Brasil na edição especial Batman vs. Coringa Através das Décadas, 2003, Opera Graphica Editora).

Nessa aventura é revelado que no início de carreira, o Cruzado Embuçado perseguiu um criminoso chamado Capuz Vermelho (Red Hood). Usando uma máscara vermelha que cobria totalmente seu rosto, o misterioso bandido cometeu uma série de assaltos espetaculares em Gotham City, até ser acuado pelo Homem Morcego durante um roubo na Monarch Playing Card Company, uma fábrica de baralhos. Na tentativa de não ser capturado, Capuz Vermelho caiu em um tanque de dejetos químicos existente na fábrica, e como seu corpo nunca foi encontrado e ele desapareceu completamente de cena, o Cavaleiro das Trevas deduziu que o criminoso havia morrido.

Entretanto, Capuz Vermelho não “passou dessa para melhor”, na verdade ele conseguiu sair do tanque, porém com terríveis seqüelas: seu rosto ficou completamente desfigurado, sua pele esbranquiçada e seus cabelos verdes. Após ver o estado em que se encontrava, Capuz Vermelho decidiu aposentar sua máscara rubra e assumir uma identidade vilanesca mais adequada a sua nova aparência. E o que seria mais adequado do que a transfiguração em um bufão criminoso? E assim começou a gloriosa carreira do Palhaço do Crime...

Nos anos que se seguiram a publicação dessa aventura, os sucessores de Bill Finger adicionaram novos elementos à vida pregressa do vilão, sendo que em algumas ocasiões ele era retratado como um humorista fracassado e em outras como um assassino a soldo da Máfia de Gotham. Nunca ficou realmente claro o que o Coringa fazia antes de se tornar o maior adversário do Homem Morcego, todavia quase todas as versões levam em consideração a parte da origem do personagem relacionada ao tanque químico, inclusive as transposições da Mitologia do Batman para outras mídias. Aliás, já que acabamos de falar de adaptações do Homem Morcego para outras mídias, devemos agora dirigir nosso olhar para os anos sessenta, uma época na qual Batman conquistou corações e mentes de toda a América graças a um show televisivo!

:: Os Loucos Anos Sessenta
Como falamos acima, na segunda metade dos anos cinqüenta a indústria americana de quadrinhos adequou-se aos ditames impostos pelo Comic Code Authority, e o resultado disso foi que as aventuras super-heroísticas – que há um bom tempo já tinham uma levada infantil – ficaram ainda mais infantis, o que não quer dizer que ficaram melhores. Ora, para que a nossa audiência tenha uma pequena idéia dessa situação, com o advento do Comic Code os editores do Superman se preocupavam até com a quantidade de socos que o Homem de Aço poderia desferir em uma aventura!

Aliás, já que acabamos de falar do alter ego de Clark Kent, vale a pena lembrarmos que o Coringa, ao lado de Lex Luthor (eterno arquiinimigo do kryptoniano), literalmente entrou para o mundo dos negócios nas aventuras “Superman and Batman´s Greatest Foes” (Os Maiores Inimigos do Superman e Batman, publicada no Brasil na edição especial Batman vs. Coringa Através das Décadas, em 2003, da Opera Graphica Editora) e "Joker-Luthor, Incorporated!" (Coringa-Luthor Ltda.) com o propósito de derrotar os maiores e melhores heróis do mundo, aventuras essas publicadas respectivamente em 1957 e 1962 nos gibis World’s Finest #88 e #129. Mas vocês acham mesmo que bandidos famosos abrirem uma empresa é algo esquisito? Esquisitas eram as “Histórias Imaginárias”...

Para quem não sabe, nos anos cinqüenta e sessenta era comum a National publicar aventuras fora da cronologia corrente da editora e que geralmente se passavam no hipotético futuro do Superman e do Batman. Uma delas foi lançada em 1962 no gibi Batman #145 e chamava-se “The Son of the Joker” (O Filho do Coringa). O conteúdo desse bizarro conto quadrinístico era, digamos assim, “diferente”: no futuro, um Bruce Wayne casado e envelhecido largou a vida de combatente do crime e Dick Grayson abandonou a identidade de Robin para se tornar o novo Batman, enquanto o adolescente Bruce Wayne Jr. (obviamente filho do Batman original) passou a vestir a capa e a sunga do Menino Prodígio.

Estaria tudo muito bem se o Coringa também não introduzisse seu filho na carreira criminosa, e aí é só fazermos um pequeno exercício de imaginação para deduzirmos o que rolou em uma briga entre o Coringa Jr. e o segundo Batman... Ah, um pequeno lembrete: essa história foi homenageada em 1999 no segundo capítulo da minissérie Gerações (Generations), de autoria do roteirista/desenhista John Byrne e publicada no Brasil em 2001 pela Opera Graphica Editora.

Pois é, os gráficos de vendas estavam demonstrando que bizarrices como as relatadas acima estavam “enchendo o saco” da nova geração de leitores dos anos sessenta e assim que assumiu a editoria dos gibis do Batman em 1964, o lendário editor Julius Schwartz tratou de diminuí-las, além de renovar o quadro de escritores e desenhistas envolvidos com o Batman. Entretanto aconteceu algo que Schwartz decididamente não estava esperando: em 1966, e pelos dois anos seguintes, a América foi tomada de assalto por uma Bat-Mania de proporções avassaladoras devido ao sucesso estrondoso de Batman, a Série de TV! Ora, quem não conhece esse seriado? Vamos lá, qual de nós que tem mais de trinta anos não se divertiu às pampas com Adam West e Burt Ward (atores que interpretavam respectivamente Batman e Robin) baixando o sarrafo na bandidagem, em clima pop-art e completamente auto-zombeteiro?

Sem dúvida West e Ward foram importantes para o sucesso do seriado, porém o produtor William Dozier teve duas “sacadas” que deram para o show televisivo o seu charme inigualável. A primeira foi buscar inspiração para os roteiros da série nos gibis dos anos quarenta e cinqüenta e nos antigos seriados cinematográficos do mesmo período, quase sempre extrapolando os exageros que existiam neles e explorando também o conceito de episódios duplos que sempre terminavam com um gancho “dramático” para o episódio seguinte. A segunda “sacada” foi contratar atores já famosos e de reconhecida capacidade dramática para os papéis de vilões, e justamente nesse ponto Cesar Romero entra na mitologia do Cavaleiro das Trevas, dando vida a primeira versão live-action do Coringa!

Inicialmente Dozier pretendia contar com o “classudo” Jose Ferrer para o papel de Palhaço do Crime, só que Ferrer achou que não “pegava bem” um ator da sua categoria interpretar bobos da corte. Dozier também considerou oferecer o papel para Gig Young, entretanto no final das contas coube a Cesar Romero interpretar o Palhaço do Crime. Nascido em 1907 e filho de abastados imigrantes cubanos, Romero literalmente teve que “rebolar” para ganhar a vida, sendo obrigado a trabalhar como dançarino na Broadway quando a família perdeu a fortuna durante a Grande Depressão americana dos anos trinta.

Tremendo “pé-de-valsa”, bonitão e dotado de bons predicados dramáticos, não demorou muito para Butch (como os amigos o chamavam) ser descoberto por Hollywood, e nem mesmo sua mal-disfarçada homossexualidade o impediu de se dar bem por lá, interpretando quase sempre papéis de galã/vilão latino, caubói ou então de gângster, e chegando inclusive a contracenar com a nossa querida Carmem Miranda nos filmes Aconteceu em Havana (Week-end in Havana) e Minha Secretária Brasileira (Springtime in the Rockies). Durante toda a sua carreira cinematográfica, Romero pode não ter sido um astro de primeira grandeza, mas acumulou cacife o suficiente para se recusar terminantemente a raspar seu bigode quando foi contratado para interpretar o Coringa.

Diante desse dilema, a solução adotada pelos produtores da série foi carregar as tintas na maquiagem para ocultar o bigode de Romero e evitar closes do rosto do ator durante as filmagens. E não é que deu certo? Visualmente impactante, o Coringa de Romero preenchia toda a telinha da televisão quando entrava em cena, e com sua gargalhada estrepitosa e enorme energia física, o ator de ascendência cubana tornou-se uma das representações mais icônicas do personagem.

No total, Romero participou de dezenove dos cento e vinte episódios da série, e entre todas as suas participações podemos destacar a sua estréia no show televisivo nos episódios "O Coringa é Selvagem" (The Joker is Wild) e "Batman Irritado" (Batman is Riled), onde o Coringa cria para si um cinto de utilidades semelhante ao do Cruzado Embuçado, sendo que segundo alguns bat-fãs, esses dois episódios foram livremente baseados na aventura “The Joker’s Utility Belt” (O Cinto de Utillidades do Coringa), escrita por David Vern, desenhada Dick Sprang e Charles Paris e publicada em 1952 no gibi Batman #73. Infelizmente não é possível comentarmos aqui todas as dezenove aparições de Romero na pele do vilão, mas se tem um episódio que precisa obrigatoriamente ser lembrado é "O Castigo do Coringa" (Surf’s Up! Joker’s Under!), onde o Palhaço do Crime e o Homem Morcego disputam uma animadíssima... competição de surfe, onde os telespectadores ainda tiveram o direito de ver os dois adversários trajados com “simpaticíssimas” bermudas de surf!

Ah, também não podemos esquecer Batman - O Homem Morcego, longa-metragem cinematográfico produzido por William Dozier com o objetivo de capitalizar um dinheirinho a mais em cima da Bat-Mania, e que contou com o Coringa de Romero e o Pingüim, Charada e Mulher-Gato (interpretados respectivamente por Burgess Meredith, Frank Gorshin e Lee Meriwether) tocando o terror (ou seria “terrir”?) para cima da Dupla Dinâmica. E, infelizmente, também precisamos lembrar que Cesar Romero abandonou o nosso convívio em 1994, devido a complicações advindas de uma pneumonia.

O sucesso da versão televisiva do Homem Morcego “contaminou” as revistas em quadrinhos, e parte das mudanças promovidas por Julius Schwartz em 1964 acabou dando em nada. Um dos efeitos dessa “contaminação” foi que os gibis passaram a imitar o estilo histriônico do seriado, e outro efeito foi que os vilões que estrelavam a série de televisão passaram a ter enorme destaque tanto nas histórias quanto até mesmo nas capas dos gibis, e com certeza o Coringa foi um dos que mais se “aproveitou” dessa nova onda. Ora, vejamos alguns exemplos práticos: em 1966, na aventura “Joker’s Original Robberies” (Os Roubos Originais do Coringa) – publicada no gibi Batman #186 – o Palhaço do Crime exagerou na originalidade quando escolheu um novo parceiro de bandidagem, já que ele passou a contar com o auxílio de um anão fantasiado de pierrô chamado Gaggy! No mesmo ano, a revista Adventures of Jerry Lewis #97 trouxe um inusitado encontro entre a Dupla Dinâmica e Jerry Lewis – um dos maiores comediantes de todos os tempos – só que, cá entre nós, esse encontro não teria muita graça se não contasse com a participação especial do maior comediante criminoso de todos os tempos, não é mesmo?

Em 1969, o homem finalmente chega à Lua, e em função desse evento histórico o Coringa tenta se tornar a primeira pessoa a cometer um assassinato no satélite terrestre na história “Public Luna-Tic Number One!” (Inimigo Lunático Número Um, em uma tradução não-literal), publicada em Detective Comics #388, e também em 1969 o Palhaço do Crime fez participações especiais nos gibis Superman’s Pal Jimmy Olsen #125 e Justice League of America #77, onde ele azucrinou respectivamente Jimmy Olsen (o eterno foca do Planeta Diário e eventual parceiro juvenil do Superman) e a Liga da Justiça da América.

As três últimas histórias citadas são significativas porque após elas o Coringa ficou três anos afastado das histórias em quadrinhos, e a razão disso pode ser explicada em uma palavra: desgaste. Após três anos de intensa Bat-Mania, o seriado televisivo foi cancelado, e como ninguém mais agüentava as zombarias e cafonices que apareciam tanto na telinha da tevê quanto nas histórias em quadrinhos, os editores da National entenderam que era necessário dar umas “férias” para o Palhaço do Crime. Só que um dia as “férias” do grande nêmesis do Homem Morcego acabaram, e aí meus amigos, ele voltou com tudo e nem um pouco prosa...

:: A Volta do Assassino
No final dos anos sessenta e inicio dos setenta, Julius Schwartz comandou uma nova reformulação nos títulos do Batman e após anos e anos de fanfarronices e histrionices, artistas como Denny O’Neil, Bob Haney, Frank Robbins e Neal Adams fizeram com que o Homem Morcego voltasse a ser aquilo que era no final dos anos trinta: uma sombria criatura da noite que vagava por Gotham City aterrorizando aqueles que cometessem crimes. A fim de reforçar essa nova caracterização do herói, os seus adversários mais “cômicos” e que eram habitués do seriado televisivo dos anos sessenta foram colocados para “escanteio”, mas sejamos francos: é concebível imaginar a mitologia do Cavaleiro das Trevas sem a presença do Palhaço do Crime? Achamos que não... Mais cedo ou mais tarde o Coringa tinha que voltar...

E após três longos anos o criminoso voltaria a exibir seu “radiante” sorriso em setembro de 1973 no gibi Batman #251, que trazia a história “The Joker´s Five-Way Revenge!” (Os Cinco Modos de Vingança do Coringa, publicada no Brasil nos gibis Batman em Cores #43, 1974, Ebal; Batman #1, 1983, Ed.Abril; Almanaque Classic Batman, 2001, Opera Graphica Editora), roteirizada por Denny O’Neil e desenhada por Neal Adams. Nessa aventura o Coringa foge do hospital estadual para criminosos insanos, e decide partir para a desforra contra um dos seus antigos capangas que o havia “dedurado” para a polícia.

Como o Palhaço do Crime não sabia qual capanga fora o responsável pela denúncia que redundou no seu encarceramento, ele decidiu tomar uma atitude bem “simples” diante desse dilema: matar com requintes de crueldade todos os seus antigos empregados! O Cavaleiro das Trevas não podia permitir tantos crimes, e como sempre ele se defrontou com o seu velho adversário, e também como sempre ele triunfou contra o sorridente bandido.

Essa história é relevante não apenas por trazer o Coringa de volta após longo “inverno” de três anos. O item mais importante desse autêntico clássico dos quadrinhos americanos é que depois de anos e anos de golpes mirabolantes e frustradas e cômicas tentativas de executar seus desafetos, o Coringa voltava a matar, da mesma forma que fazia quando estreou em 1940 em Batman #1. Isso aconteceu porque no inicio dos anos setenta o público consumidor de quadrinhos ficou maduro o bastante para assimilar enredos mais sofisticados (e até mesmo mais violentos) e principalmente porque nesse período o Comic Code Authority havia perdido parte da sua força restritiva.

Mas de onde surgiu a idéia de trazer o Coringa de volta? Em entrevista concedida à revista Back Issue, O’Neil admite que suas lembranças dessa época são esparsas e que ele não tem certeza se a volta do Coringa foi idéia sua ou de Julius Schwartz. A única certeza que o roteirista tem é que muito provavelmente ele pesquisou gibis antigos em busca da “verdadeira essência” do Palhaço do Crime, e ao se deparar com as primeiras aparições do personagem, ele constatou que aquela caracterização seria perfeita para o roteiro que ele tinha em mente. Só que o trabalho de O´Neil não se restringiu apenas em recuperar uma velha caracterização de um velho vilão, já que nessa aventura o escritor também definiu que o Coringa fugiu do “hospital estadual para criminosos insanos”.

Ora, no passado algumas histórias até mostravam o Palhaço do Crime internado em manicômios, entretanto na maioria das vezes o arquiinimigo do Homem Morcego era encarcerado em prisões comuns, o que leva muitos fãs e experts em quadrinhos a acreditarem que essa breve citação de um “hospital estadual para criminosos insanos” foi a semente que no gibi Batman #258 (em uma história onde o Batman enfrenta o Duas-Caras) motivou O’Neil a criar aquele que é um dos itens mais fundamentais da mitologia do Batman, o Asilo Arkham!

Nos anos que se seguiram, o Asilo Arkham se tornou uma espécie de “residência oficial” do Coringa e da maioria dos adversários do Cavaleiro das Trevas, e com certeza iremos falar muito sobre esse estranho hospital, mas não agora. Agora é o momento de nos despedirmos da nossa audiência e convidá-la para continuar nos acompanhado, já que em breve lançaremos a segunda parte desse artigo sobre o maior inimigo do Batman, onde iremos ver quais foram os grandes crimes cometidos pelo Coringa dos anos setenta até os dias de hoje! Até a próxima!


Brodie Bruce, também conhecido como Claudio Roberto Basilio.

  facebook


Jerry Lewis encara o Coringa
Batman #251: Coringa volta a ser um assassino
 


 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil