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18/07/2008
REVIEW - CINEMA: BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS
 
 
Batman: O Cavaleiro das Trevas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Batman Begins reiniciou a franquia cinematográfica do Homem Morcego em grande estilo, com uma boa trama, ótimo elenco e direção. Agora, chega aos cinemas sua continuação, Batman: O Cavaleiro das Trevas, que multiplica todas as qualidades de seu antecessor.

Chistopher Nolan volta na direção trazendo consigo muito do clima de seus outros filmes, o que torna a nova aventura do herói encapuzado bem mais tensa. Em suas quase duas horas e meia de duração, em nenhum momento cansa o espectador, prendendo a atenção, com o humor, o suspense e grandes reviravoltas, tudo muito bem equilibrado.

Tendo início não muito tempo depois dos eventos mostrados no filme anterior, Batman: O Cavaleiro das Trevas apresenta uma Gotham City já um tanto mudada graças a presença de Batman (Christian Bale). Os mafiosos estão mais cautelosos, Jim Gordon (Gary Oldman) tem mais autonomia para comandar sua Unidade de Crimes Hediondos e o recém-eleito promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart) se tornou o símbolo da esperança na cidade, empreendendo uma verdadeira cruzada contra a máfia, principalmente o chefão Salvatore Maroni (Eric Roberts). É neste cenário que é introduzido um elemento que muda toda a ordem das coisas: o Coringa (Heath Ledger).

Enquanto Batman, Gordon e Dent forjam uma aliança para acabar de vez com os chefões do crime, o Coringa dá início a uma campanha de terror que logo joga toda Gotham no caos. Em um primeiro momento, a história pode até parecer simples, mas na verdade está longe disso. Várias subtramas são desenvolvidas paralelamente, sem causar nenhuma confusão, criando o roteiro mais competente e maduro já visto numa adaptação de quadrinhos.

Para quem nunca leu uma HQ, trata-se de um filme muito bem conduzido, que prende do início ao fim, dando a sensação de que estamos assistindo a vários episódios de uma série em seqüência, devido à tamanha quantidade de acontecimentos e reviravoltas. Para os fãs do herói, é uma grata experiência experimentar da mesma sensação de se ler arcos de histórias que levam meses para serem resolvidos, sem a desvantagem de tanta demora.

Bale talvez ainda não seja o melhor Batman ou o melhor Bruce Wayne dos cinemas, mas com certeza é o ator que melhor soube balancear os dois lados do herói, saindo-se ainda melhor do que no filme anterior, até porque a trama desta vez exige mais de sua interpretação.

Gary Oldman é, como em todo filme do qual participa, um dos grandes destaques no papel de Gordon. O ator consegue passar todo o sentimento do personagem, seja por sua esperança em uma Gotham melhor, ou pelo seu desespero e decepção nos momentos ruins. Tendo maior espaço na história, acaba ganhando também mais tempo contracenando com sua família, o que garante ainda mais aprofundamento na psique do policial.

Fechando a trinca dos bons moços da cidade está Aaron Eckhart como Harvey Dent, em uma interpretação digna de nota, mostrando aos poucos as mudanças no promotor público. Um pouco diferente do original dos quadrinhos, Dent é o verdadeiro herói para o povo de Gotham, e isso é um dos elementos mais importantes na produção, que a partir daí desenvolve não só Dent, como a maioria dos personagens da trama. Quem é fã do mundo de Batman sabe muito bem qual é o destino de Harvey, mas ainda assim se surpreenderá com a qualidade do desenrolar das mudanças no personagem.

Maggie Gyllenhaal substitui Katie Holmes no papel de Rachel Dawes, que significa muito mais para a história do que no filme anterior. Embora não seja considerada pela maioria tão bonita como Katie, ela sem dúvida é melhor atriz, coisa que comprova facilmente em poucos minutos de exibição.

Outro que ganha mais espaço é Lucius Fox, interpretado pelo sempre competente Morgan Freeman, se envolvendo inclusive em algumas das subtramas do filme, além de uma “ponta em potencial” que é melhor não ser comentada, mas que deixou muito jornalista com a pulga atrás das orelha nas sessões para imprensa.

Michael Caine é novamente o melhor Alfred já visto, garantindo o apoio moral ao seu patrão e vindo com seu humor inglês impecável. Embora seja estranho pensar em humor quando se fala em Batman, a verdade é que risadas são comuns no filme e não são nada deslocadas, afinal temos o humor inglês de Alfred, o cinismo do próprio Batman e a loucura desenfreada do Coringa em um só lugar.

E com isso chegamos ao personagem que, previsivelmente, rouba a cena, o Coringa. Heath Ledger já vinha sendo elogiado por todos os envolvidos na produção há tempos, mas muita gente atribuía os elogios ao fato do ator ter deixado o mundo dos vivos de forma trágica. Embora todos lamentemos o falecimento do ator, o fato é que seu Coringa é nada mais nada menos do que marcante e perturbador.

Trejeitos, entonação de voz, atitudes desenfreadas, planos impressionantes, visual, violência, ousadia, a própria insanidade, tudo comprova que ator, roteiristas e diretor trabalharam arduamente para criar o melhor Coringa possível, esforço que resultou no que muitos críticos apontam como uma atuação digna do Oscar. Nem mesmo o grande Jack Nicholson chegou perto deste Coringa, que lembra mais uma força da natureza do que um ser humano. Novamente, é lamentável a morte de um ator tão talentoso, um lamento que a Warner vai sentir ainda mais se um dia decidir usar o Coringa na franquia novamente.

Mas um filme não é constituído apenas por roteiro elogiável e atuações impecáveis. A ação é outro item importante, ainda mais nesta era de blockbusters. Embora não tenha uma ação física tão acentuada como a maioria dos blockbuster, este novo Batman mostra o herói lutando ainda mais, afinal inimigos não faltam, desde os mais previsíveis até algumas surpresas.

A própria trama cuida de explicar o aumento das cenas de lutas, afinal todos sabem que a armadura usada por Batman dificulta sua movimentação, problema amenizado neste novo filme. Diga-se de passagem, a armadura é um dos itens mais criticados, mas sejamos francos, além de se encaixar na idéia de um homem lutando uma guerra contra o crime desarmado, tornando tudo mais crível, a armadura não é uma verdadeira invenção dos cinemas. Ao se ler muitas HQs do herói com atenção, nota-se que seu uniforme é descrito como uma armadura, com diversas camadas de kevlar e outras proteções. O problema mesmo é que nenhum desenhista parece levar isso em conta...

Falando nas HQs, para a felicidade dos fãs, muitos momentos quadrinisticos são transportados para as telas, desde trechos de obras famosas como A Piada Mortal e O Longo Dia das Bruxas, até elementos de histórias não tão conhecidas do grande público, como Um Conto de Batman: Devoção.

Outro motivo de alegria para quem gosta da fidelidade aos quadrinhos é a transição do crime de Gotham, ainda com muitos mafiosos, mas gradativamente se tornando algo mais conhecido pelos fãs, com gente fantasiada andando por aí, além dos fugitivos do Asilo Arkham, incluindo o Espantalho (Cillian Murphy).

Dito tudo isso, resta concluir que Batman: O Cavaleiro das Trevas criou enormes expectativas, superando a todas com louvor. De resto, é torcer para que a Warner se espelhe nesta franquia renovada para adaptar tantos outros personagens da DC Comics e conseguir, assim como foi nas duas sessões deste Batman para a imprensa em São Paulo, que todos aplaudam com empolgação a uma grande obra.

Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Gary Oldman, Michael Caine, Morgan Freeman, Aaron Eckhart, Eric Roberts, Maggie Gyllenhaal, William Fichtner, Cillian Murphy, Nathan Gamble, Nestor Carbonell, Mellinda McGraw, Michael Jai White, Joshua Harto, Beatrice Rosen, Chin Han. Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan, David S. Goyer. Direção: Christopher Nolan.

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