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24/03/2009
REVIEW - CINEMA: ALMA PERDIDA
 
 
Alma Perdida
 
 
 
 
 
 
 
 



Não é de hoje (nem mesmo é dessa década) que encontrar um bom filme de terror é algo raro. Mais recentemente, tornou-se difícil encontrar até mesmo um filme original, afinal cada vez mais surgem regravações de clássicos dos anos 80 ou de terrores vindos do oriente.

David S. Goyer, roteirista (nos cinemas e nos quadrinhos), produtor e diretor, envolvido na nova franquia de Batman, na trilogia Blade e outros sucessos, aceitou o desafio de criar uma trama de terror nova em folha. O resultado foi Alma Perdida (The Unborn), dirigido e escrito por ele.

A trama apresenta a jovem Casey Beldon (Odette Yustman), que começa a ter alucinações terríveis, temendo por enlouquecer como sua mãe, Janet (Carla Gugino), que se matou dentro de um sanatório. Conforme as alucinações vão aumentando, e o perigo começa a se tornar mais real, Casey inicia uma investigação que logo de cara lhe revela que ela teve um irmão gêmeo, morto ainda no útero. Mas isso é apenas o início de tudo.

Goyer foi bem sucedido em criar uma história nova para o filme. A base para tudo veio do folclore judaico, mais precisamente dos dybbuk, almas desencarnadas, que vagam pela Terra em busca de um novo corpo para habitar. A isso, Goyer juntou um terror bem real, o dos experimentos que Josef Mengele realizou em judeus durante a 2ª Guerra Mundial. Para completar, a produção criou um visual excelente para as ameaças sobrenaturais presentes, na maioria das vezes bem sóbrio, sem muitos exageros, o que só ajudou a formar um enredo acima da média para um filme de terror.

Mas... nem tudo são flores. Com todo o bom trabalho realizado na construção da trama, o filme em si não é tão bom assim. O primeiro problema é percebido quase que imediatamente na tela, sendo o problema mais comum em filmes de terror. O elenco, quase inteiramente formado por jovens inexperientes, que só são escalados por questão de beleza, sem apresentar quase nenhum talento, faz com que muitas situações percam totalmente seu impacto.

Para não dizer que não há ninguém competente no elenco, há Carla Gugino, ótima atriz, desperdiçada num papel que, embora muito importante para a trama, não tem muita exposição na tela, deixando a atriz tão apagada, que muita gente pode nem notar que ela estava na pele de Janet. O real nome de peso na produção foi o de Gary Oldman (o atual Comissário Gordon dos filmes de Batman). Acostumado a interpretar os mais variados papéis, sempre com excelência, Oldman rouba a cena como um rabino que ajuda Casey.

De volta ao lado negativo do filme, há outra constante das obras de terror. Quando ameaças sobrenaturais são apresentadas nos filmes, sempre são ditadas regras específicas sobre suas limitações, poderes, capacidades e até sobre o meio para derrotá-las. E, infelizmente, do mesmo modo, quase sempre tais regras são ignoradas e quebradas no desenrolar da trama. E desta vez não foi diferente.

Esse estranho equilíbrio entre erros e acertos faz de Alma Perdida um filme interessante para se conferir, mas não um grande filme de terror. Contudo, a curta metragem da produção (cerca de uma hora e vinte minutos), e até mesmo a impressão deixada de que cortes foram realizados em diversos momentos, deixam a esperança de que uma edição especial em DVD venha a ser lançada, como uma versão do diretor, mais completa e mais condizente com o talento já reconhecido de Goyer.

Elenco: Odette Yustman, Carla Gugino, Gary Oldman, Cam Gigandet, Rhys Coiro, Meagan Good, Idris Elba. Roteiro e direção: David S. Goyer.

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