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27/05/2009
REVIEW - CINEMA: O JUSTICEIRO - EM ZONA DE GUERRA
 
 
O Justiceiro - Em Zona de Guerra
 
 
 
 
 
 
 
 
 



O Justiceiro sempre teve seus picos de popularidade nos quadrinhos, mas nos cinemas isso está longe de ser verdade. Embora nenhum de seus filmes seja uma completa droga, como dito por muitos, por outro lado, nenhum deles alcançou o real sucesso.

A primeira aventura cinematográfica do anti-herói foi lançada em 1989. Com Dolph Lundgren no papel principal, o filme era uma boa produção de ação, bem no clima dos inúmeros vingadores urbanos que faziam tanto sucesso na época. O problema talvez tenha sido exatamente esse. O Justiceiro deste filme era bem diferente do original dos quadrinhos, como fica claro ao percebemos que nem ao menos usa um uniforme. Ou seja, bem sucedida como filme de ação, a produção não pareceria de fato um filme do Justiceiro.

Em 2004 foi a vez de Thomas Jane encarnar o personagem nas telonas em O Justiceiro. Novamente sendo diferente da HQ, mas nem tanto, com as diferenças se concentrando quase que exclusivamente nas origens de Frank Castle (o nome real do Justiceiro), este filme foi bem melhor, pegando elementos de várias HQs famosas como O Homem da Máfia e Justiceiro Ano Um, e tendo até John Travolta como vilão, além de personagens saídos direto das HQs. Porém, o filme não caiu nas graças do público, sendo considerado um fracasso, o que resultou no lançamento diretamente em DVD no Brasil.

E agora chega a hora de mais uma tentativa do Justiceiro nos cinemas. Infelizmente, antes mesmo de ser lançado no Brasil, o filme, chamado O Justiceiro - Em Zona de Guerra (Punisher: War Zone), já enfrentou grandes problemas. Rumores sobre brigas entre o estúdio e a diretora Lexi Alexander, somadas a péssimas críticas, levaram ao rápido fracasso do filme, que tinha o desafio não só de superar esses problemas, mas também o de conseguir espectadores entre um público consideravelmente menor, já que tem censura alta graças às suas cenas bem violentas.

Assim, mais uma vez, um filme do Justiceiro chega diretamente em DVD ao Brasil. E pior, apenas nas locadoras até o momento, com o lançamento do DVD para o consumidor marcado para dezembro, embora o Blu-ray já esteja à venda.

Mas, afinal, O Justiceiro - Em Zona de Guerra é tão ruim assim? Com certeza não. Sem sombra de dúvida o mais fiel dos filmes, Zona de Guerra já começa bem por não perder tempo recontando pela milésima vez a origem de Castle. Vemos rapidamente essa origem apenas num curto flashback, o que ajuda a dar maior dinâmica para a produção, além de evitar modificações desnecessárias na trama.

Ray Stevenson encarna o personagem desta vez. Egresso do seriado Roma, o brutamontes se encaixa como uma luva no Justiceiro, lembrando o modo como o personagem era retratado no traço do desenhista John Romita Jr. Dominic West (de 300) vive o mais famoso inimigo do Justiceiro, o deformado Retalho, que tem uma maquiagem simples e ao mesmo tempo competente.

Talvez o ponto mais estranho do filme sejam os sotaques dos dois atores, ambos de origem européia, mas não é nada que comprometa. O Justiceiro de Stevenson (que chegou até a ser apontado por Alexander como a pessoa perfeita para dirigir um possível – e extremamente improvável - próximo filme) é mais violento do que os anteriores, mantendo ainda um lado planejador e, paradoxalmente, sendo o mais sentimental, sem cair na pieguice. Isso fica claro quando enfrenta um dilema moral que se encaixa muito bem na cruzada de Castle contra o crime.

Já West está também muito bem na pele (ou o que sobrou dela) de Retalho, mas acaba sendo muitas vezes eclipsado por outro vilão: Loony Bin Jim, seu irmão, interpretado pelo talentoso e camaleão Doug Hutchison (de Lost). Seus acessos de fúria e loucura, além de seus trejeitos, fazem com que seu personagem, mesmo sendo de menor importância na trama, fique marcado na memória dos espectadores.

O novo filme segue o Justiceiro numa cruzada que envolve não só o criminoso Retalho, mas também um grave erro cometido pelo próprio Castle, o que renova os esforços da polícia para prendê-lo. Entre os policiais em seu encalço está o Detetive Soap (Dash Mihok), originado das HQs escritas por Garth Ennis. Perfeito tanto no visual quanto no “jeito abobalhado de ser”, Soap não é a única boa surpresa no que diz respeito aos coadjuvantes.

A melhor notícia é a presença de Microchip (Wayne Knight, de Seinfeld), o mais famoso aliado do Justiceiro. Fiel visualmente e nas atitudes, o personagem só não cria bugigangas tecnológicas de última geração, embora mantenha o papel de provedor para o arsenal de Castle. Julie Benz (de Angel) vive Angela, a viúva de um policial morto durante a trama, que, junto de sua filha, acaba servindo para explorar o passado e os sentimentos do Justiceiro.

Uma face pouco lembrada, que aparece bem pouco é a de Carlos Cruz. Nos quadrinhos, o personagem chegou a substituir por pouco tempo Frank Castle no papel de Justiceiro. No filme, onde é vivido por Carlos Gonzalez-vlo, tem um papel bem diferente e de menor importância.

Um injusto fracasso, O Justiceiro - Em Zona de Guerra mesmo assim deve agradar bastante os fãs de carteirinha do personagem, que sempre esperaram ver suas façanhas violentas, cheias de carnificina, bem retratadas. Neste aspecto, todos terão de concordar, o filme conheceu o sucesso.

Elenco: Ray Stevenson, Dominic West, Doug Hutchison, Dash Mihok, Wayne Knight, Julie Benz, Carlos Gonzales-vlo, Colin Salmon. Roteiro: Matt Holloway, Arthur Marcum, Nick Santora. Direção: Lexi Alexander. 

Leia mais: JUSTICEIRO - 35 ANOS DE VIOLÊNCIA, ARMAS E OBSESSÃO

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