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10/07/2009
COLUNA - FALA ANIMAL!: A MARVEL DEPOIS DAS MEGASSAGAS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Atenção! Essa coluna contém spoilers sobre histórias ainda não publicadas no Brasil.

Os leitores aqui do HQM já devem ter percebido que meu conhecimento relacionado à Marvel não é tão grande se comparado com o de DC Comics. Mesmo assim, acho a Casa das Ideias fascinante, e não deixo de acompanhar boa parte de seus títulos.

Confesso que passei muito tempo criticando as sucessivas megassagas da editora, lá atrás, quando Brian Michael Bendis decidiu que era sua vez de dar as regras de todo o Universo 616, como se fosse uma versão renovadora de Stan Lee, criador da grande maioria daquelas maravilhosas figuras. Com sua influência, já que não escreveu todos os títulos, Bendis destruiu os Vingadores, e o que se seguiu foi a quase extinção dos mutantes, uma guerra entre heróis, a morte do Capitão América e uma invasão iminente de skrulls, como nunca se viu antes.

Analisadas separadamente, essas sagas chegam a beirar o ridículo, à exceção de Dinastia M. Vingadores: A Queda é uma grande bobeira. A morte do Gavião Arqueiro e a Feiticeira Escarlate enlouquecendo são grandes sacanagens com os leitores. A Guerra Civil descaracterizou praticamente todo herói da Marvel, num grande blockbuster desenhado pelo Steve McNiven, e que demorou séculos pra ser completada. Não queria falar muito da Invasão Secreta já que o título está saindo no Brasil, mas, desculpem, quatro edições mostrando o Homem-Aranha brigando com um dinossauro é enganar o leitor. Isso sem falar no desfecho, quando a “grandiosa” invasão skrull deu pra trás depois de uma luta liderada por Norman Osborn, o Duende Verde. Pior são os desenhos porcos do Leinil Francis Yu.

Vou falar um pouco da Dinastia M, antes de voltar ao ponto principal, só para contextualizar. Passada em um universo paralelo, a saga tem a vantagem de explorar novos pontos de vista para os heróis e vilões, sem descaracterizá-los. O conceito de que a Feiticeira Escarlate havia realizado os desejos de todos que conhecia é genial. Antes, Wolverine não lembrava do passado, mas Wanda o recuperou como seu maior desejo. E Logan percebeu que havia algo errado. Jogada de mestre de Bendis! Depois de anos jogando Wolverine no lixo, a Marvel fez a melhor atualização possível no personagem. Além do mais, as capas pintadas por Esad Ribic são maravilhosas (leiam Surfista Prateado: Réquiem, desenhada por ele – é uma das mais lindas histórias já contadas nos quadrinhos).

Embora as sagas e todos os seus infinitos spin-offs tenham sido horríveis, tudo o que foi deixado no Universo Marvel, como consequência, foi aos poucos deixando tudo muito coeso. Não dá pra mentir. Demorou um bom tempo para que as coisas chegassem ao ponto ideal no que diz respeito a dar uma nova direção em todas as histórias da editora por um grande período de tempo sem fazer uso dos mega eventos novamente. Cada pecinha montada por Bendis e seus principais comparsas – Ed Brubaker, genial em Demolidor, Capitão América, e nos X-Men; Mark Millar, igualmente genial no Quarteto Fantástico com Bryan Hitch; Jonathan Hickman, que começa a despontar em Secret Warriors, com muita classe; entre outros – faz sentido em Dark Reign.

Agora, tudo gira em torno de uma batalha suja entre heróis, agora marginalizados, e vilões, apoiados secretamente por Norman Osborn, no comando da segurança nacional norte-americana. Todas as equipes de Vingadores são caóticas, desorganizadas. Os X-Men pensam viver uma boa vida em uma nova cidade, esperando pela volta da criança messias Hope. Finalmente Bucky Barnes passou a interagir com o resto do Universo Marvel, passado todo o épico da morte de Steve Rogers, nada menos que 25 edições.

E, embora não haja um título central de Dark Reign, passaram a ser muito importantes as histórias dos Thunderbolts, Deadpool, Cable e Justiceiro, todos antes do segundo escalão da Marvel, talvez com exceção ao último. Títulos maiores, como Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Capitão América, estão só agora começando a entrar na mesma frequência, muito porque as histórias que estavam sendo contadas eram muito boas para serem aceleradas ou alteradas.

Tanto a Marvel quanto a DC estão trabalhando em histórias de médio prazo de duração com seus personagens, com histórias que duram de um a dois anos, às vezes mais. Só que na comparação, as bagunçadas sagas da Marvel foram as responsáveis por mudar os personagens, enquanto na DC as Crises, muito mais subjetivas, renovaram todo um modo de se enxergar os personagens.

Agora, a DC Comics não tem um universo coeso – principalmente porque a Liga da Justiça não tem mais importância –, e sim ótimas histórias individuais. O que acontece em Metrópolis (e em Nova Krypton) não repercute na carreira do novo Batman de Gotham (que, assim como Bucky, vai precisar de um tempo para se encaixar antes de interagir com o resto dos heróis), muito menos em Opal ou Keystone City. A DC está atrasada, mas está indo bem.

E por mais que eu não consiga deixar de pensar como seria o Universo Marvel se Geoff Johns tivesse continuado nos Vingadores ao invés de se tornar exclusivo da DC, tirando espaço de Bendis, tenho que assumir que o careca fez um bom trabalho afinal. Também não consigo deixar de pensar em Greg Land, Bryan Hitch, David Aja, Alex Maleev, Michael Lark, Luke Ross, Oliver Coipel e muitos outros desenhando meus heróis favoritos.

Só que a Marvel periga pecar. Andam dizendo por aí que Steve Rogers vai ressuscitar (nota do HQM: quando esta coluna foi escrita, a Marvel ainda não tinha anunciado a minissérie Captain America: Reborn). Como mencionei antes, só agora Bucky está interagindo como o resto dos heróis. É como trazer Bruce Wayne de volta daqui seis meses, pra tirar o manto do Dick (Opa! Contei!). Melhor. É como não saber o que fazer com o Wally agora que o Barry voltou, depois de dois anos de histórias nojentas em The Flash. Não há motivo para se ter dois Capitães América, não é? Melhor trabalhar os novos status mais um pouco.

Se não errar a mão, a Marvel tem fôlego para explorar Dark Reign por um bom tempo. Já se passaram vários meses desde que o evento começou, mas nas histórias isso não significa muito mais do que três meses. Se o Universo está mesmo sob um reino sombrio, que esse reino dure mais tempo do que um falho golpe militar em alguma república de bananas.

Para o decenauta, resta esperar para que tudo o que há de novo na editora comece a se sintonizar.


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