MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/08/2009
REVIEW - CINEMA: G.I. JOE - A ORIGEM DE COBRA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


G.I. Joe - A Origem de Cobra (G.I. Joe - The Rise of Cobra) adapta para os cinemas os famosos bonecos G.I. Joe, também mundialmente conhecidos por sua série animada e quadrinhos. No Brasil o filme pode não reavivar a memória de todos, já que por aqui os bonecos foram rebatizados como Comandos em Ação. Vale aqui lembrar dois fatos que justificam manter o nome do grupo em inglês: em primeiro lugar, há sempre a mania atual de fortalecer marcas mantendo o mesmo nome em todo o mundo; em segundo lugar, o nome Comandos em Ação foi criado e registrado pela Estrela quando ela lançava os bonecos no Brasil - como ela não comercializa mais tais produtos, houve uma dissociação. Por isso mesmo, não estranhe entrar numa loja de brinquedos e encontrar novos Comandos em Ação que não lembram em nada os de sua infância. A Estrela está simplesmente aproveitando o lançamento do filme para ganhar alguns trocados com produtos inferiores.

Bem, esquecendo os nomes (o que é melhor, já que houve uma compreensível dificuldade na tradução, que poderia criar algum trocadilho infame), vamos falar do filme em si. Na trama, os G.I. Joe são uma unidade mundial mantida em segredo, eficaz como nenhuma outra, só ativada quando tudo o mais falhou.

Quando James McCullen (Christopher Eccleston, o homem invisível de Heroes), um grande industrial do ramo de armamentos cria uma nova arma que pode devastar uma cidade em questão de minutos sem o risco de sair de controle, um grupo renegado entra em ação para conseguir tal arma para si.

E é aí que os Joes entram em ação. Embora o filme não mostre a origem da unidade, é encontrada uma maneira de nos apresentar naturalmente ao grupo, já que estão entrando para ele os personagens Duke (Channing Tatum) e Ripcord (Marlon Wayans). Assim, além de se tornarem os protagonistas da trama, os dois servem de desculpa para que acompanhemos a apresentação à equipe.

Tatum não passa vergonha como astro de ação, mas não era ele quem preocupava a todos. Wayans, egresso de comédias, principalmente sátiras exageradas como Todo Mundo em Pânico, surpreende em seu papel. Sua presença no elenco representava a todos o risco do filme se tornar um pastelão, mas isso ficou longe de acontecer. O ator se mostra competente não só como o alívio cômico (o que já era esperado), mas também como protagonista da ação.

Snake Eyes (Ray Park) e Scarlett (Rachel Nichols) são os outros Joes que ganham bom espaço em tela. O ninja é de longe o mais popular herói entre os fãs, e foi o personagem mais fiel ao conceito original no filme. Embora seja na verdade um coadjuvante, mesmo que de destaque, rouba a cena sempre que entra em ação. Ajuda muito o fato de seu passado com o inimigo Storm Shadow (Byung-hun Lee) ser bem explorado no roteiro. Park tem tudo para ficar marcado como o lutador caladão, já que Snake vem acrescentar à tradição iniciada com o Darth Maul do Episódio I de Star Wars.

Scarlett tem menos destaque do que Snake, mas mesmo assim tem bons momentos, embora caia muitas vezes nos clichês que exploram o lado sensível das grandes lutadoras, sempre em conflito com suas duas naturezas.

Dennis Quaid vive o General Hawk, que comanda os Joes. Infelizmente, o talentoso ator aparece muito pouco, sem nunca ter uma cena digna de nota. Adewale Akinnuoye-Agbaje, o Mr. Eko de Lost, é Heavy Duty, papel que mesmo sem destaque, caiu como uma luva para o ator. O mais apagado dos Joes acabou sendo Breaker (Saïd Taghmaoui, mais um ator vindo de Lost, onde vive Caesar).

Do lado dos vilões Christopher Eccleston diverte fazendo o canastrão da vez. A linda Sienna Miller vive a Baronesa, a vilã mais ativa da trama, e a que tem a história mais complicada, com alterações que devem desagradar aos fãs dos personagens.

O filme passou por uma onda de negatividade que em grande parte foi culpa da própria Paramount Pictures, que demorou demais para iniciar a divulgação, algo que costuma ser comum apenas com filmes normalmente fadados ao fracasso, casos em que o estúdio evita dar destaque demais a um produto em que nem ele mesmo confia. Rumores sobre a demissão do diretor Stephen Sommers só pioraram a situação.

A verdade é que G.I. Joe é um filme divertidíssimo e isso é algo perigoso hoje em dia. Em tempos que mesmo filmes de heróis antes considerados infantis se tornam aventuras com roteiros e interpretações elaboradas, tramas simples como as de G.I. Joe começam a ser abolidas pelo público.

Sommers já vem sofrendo com isso por praticamente toda sua carreira. Diretor de outros filmes de ação tão ou até mais divertidos do que G.I. Joe, ele raramente alcança grande sucesso. Talvez seu grande êxito tenha sido somente o primeiro A Múmia, mas desde então não deu sorte, caso de Van Helsing: O Caçador de Monstros.

O estilo de Sommers remete aos grandes filmes de aventura dos anos 1970 e 80, onde o ritmo e visual são mais importantes do que o roteiro, que costuma ser bem simples e até mesmo ter alguns furos. E é nesta categoria que G.I. Joe se encaixa, com cenas de ação empolgantes e divertidas, mas com uma trama que tem furos e apresenta reviravoltas que chegam a ser previsíveis.

O que pode ser visto como defeito, e que aliás deve ser visto como tal, é também um legado do produto original. Os Joes afinal são em essência um brinquedo que só teve histórias mais elaborados nos quadrinhos, principalmente nos anos 80. A fidelidade ao produto original desta vez pode ser prejudicial, como mostram algumas canastrices dos vilões durante o filme.

E Sommers costuma sempre dar um jeito de misturar novos elementos com a mitologia do original, como fez em A Múmia e em Van Helsing, raramente sendo compreendido. Em Van Helsing, o diretor retomou o clima exagerado de um Drácula hoje em dia quase esquecido, e a crítica não perdoou algo que podia ser interpretado com uma homenagem aos clássicos de terror.

Falando nos filmes anteriores de Sommers, parte da diversão em G.I. Joe é notar o clima em comum com tais produções. Cenas de ação exageradas, personagens caricatos, e muitos colaboradores veteranos de Sommers estão presentes. A trilha sonora é de Alan Silvestri, responsável pela trilha de todos os filmes mais conhecidos de Sommers.

No elenco, estão rostos conhecidos dos filmes de Sommers: Brendan Fraser (o herói de A Múmia) faz uma ponta como o Joe Sargento Stone, Arnold Vosloo (a própria múmia) vive o vilão mestre dos disfarces Zartan e, por fim, Kevin J. O´Connor (de Tentáculos, A Múmia e Van Helsing) vive outro vilão, o Dr. Mindbender.

Feito para relembrar os tempos em que cinema era só diversão e ninguém se sentia envergonhado por isso, G.I. Joe - A Origem de Cobra é daqueles filmes para ser apreciado numa tarde ao lado de amigos que compartilham o mesmo senso de descomprometimento.

Elenco: Channing Tatum, Marlon Wayans, Arnold Vosloo, Sienna Miller, Ray Park, Rachel Nichols, Byung-hun Lee, Adewale Akinnuoye Agbaje, Dennis Quaid, Christopher Eccleston, Saïd Taghmaoui. Roteiro: Paul Lovett, Stuart Beattie, David Elliot. Direção: Stephen Sommers.

Clique aqui para conferir a Galeria de Imagens do filme
  facebook


 


 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil