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18/12/2009
REVIEW - CINEMA: AVATAR
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


James Cameron é um grande cineasta, o que já provou criando filmes que abordam temas bem diferentes, como O Exterminador do Futuro e Titanic. Desde que dirigiu este último, em 1997, nunca mais assumiu o cargo de diretor em uma grande produção, o que volta a fazer somente agora, com Avatar (Avatar).

O filme se passa no século XXII, em Pandora, uma lua onde vivem seres chamados Na´Vi, considerados selvagens pelos padrões humanos. Ainda assim, os Na´Vi são um obstáculo para uma companhia humana que quer explorar as riquezas de Pandora.

Outro impedimento é o ar do local, letal para os humanos. Para contornar esse problema são criadores os Avatares, corpos híbridos dos dois povos, controlados remotamente por humanos. É aí que entra Jake Sully (Sam Worthington), fuzileiro que ficou paraplégico e que agora deve controlar um avatar para se infiltrar entre os Na´Vi.

Avatar vem sendo alardeado desde seu anúncio como uma revolução na maneira de se fazer um filme. Bem, no final das contas, sua estrutura como história não tem tanta coisa nova, mas seus efeitos especiais e, principalmente, seu desenvolvimento em 3D são de fato impressionantes.

Provavelmente é a primeira vez em que um filme em 3D com atores consegue cumprir a simples tarefa de não ser baseado apenas em cenas forçadas, criadas apenas para aproveitar o efeito tridimensional. Em Avatar a promessa de “uma nova experiência” é levada a sério, pois boa parte da diversão é ficar deslumbrado com as cenas em 3D. A escolha de cores, a composição de cenas e até a fauna de Pandora, tudo foi pensando para criar uma atmosfera complexa e visualmente de tirar o fôlego.

O consenso geral entre jornalistas, e não só do Brasil, é de que o filme, com quase toda a certeza, deve perder muito de seu impacto se visto em 2D. Como as cabines para a imprensa foram todas realizadas em 3D, nos resta assistir ao filme mais uma vez, agora sem os óculos tridimensionais, para conferir qual é o efeito.

Mas Avatar não é apenas um show de cores. Uma das habilidades mais marcantes em toda a carreira de Cameron foi a de criar histórias de ficção e aventura, raramente levadas a sério pela crítica, de maneira mais completa, abordando temas bastante críveis do mundo real. Suas obras quase sempre apresentam companhias gananciosas, pessoas sem muitos escrúpulos e situações que representam a capacidade de autodestruição da humanidade.

Mas tudo isso é sempre equilibrado com cenas de ação eletrizantes, resultando em obras divertidas e com conteúdo, de maneira que passem mensagens importantes sem se tornarem enfadonhas ou cafonas. Avatar se sai bem neste quesito, já na verdade tem como principal foco a conscientização ecológica.

O elenco de Avatar também traz alguns destaques. O principal, é claro, é Sam Worthington, que vem ganhando espaço rapidamente em Hollywood, o que deve transformá-lo muito em breve num dos principais astros de ação da atualidade. Sua vantagem é que, além de correr e lutar, ele sabe interpretar, algo raro entre os atores do gênero. Outro destaque do filme é Sigourney Weaver, que vive a doutora Grace Augustine, uma personagem interessante por ser tanto antipática, quanto preocupada com o destino dos Na´Vi.

O elenco conta ainda com outros nomes conhecidos: Michelle Rodriguez e Giovanni Ribisi. Rodriguez infelizmente vive Trudy Chacon, encarnando seu papel de sempre, o da mulher durona de poucas palavras, embora desta vez ela seja ao menos bem mais simpática do que a maioria das suas personagens. Já Ribisi tem pouco destaque como Parker Selfridge, o humano no comando das operações em Pandora. É um ator talentoso sendo desperdiçado num papel sem aprofundamento, que poderia ser desempenhado por qualquer outro com um mínimo de capacidade.

Já a competente Zoë Saldaña vive a Na´Vi Neytiri, a segunda personagem mais importante no roteiro, já que serve de guia tanto para Jake quanto para o público, apresentando os costumes de seu povo e a verdadeira natureza de Pandora.

Ainda é cedo para saber se Avatar realmente vai causar o impacto alardeado, mas é bem provável que ao menos arrecade bastante nas bilheterias, de maneira merecida, aliás. Importante é escolher uma sala em 3D para poder apreciar todo o espetáculo da produção, bem conduzida por Cameron e com algumas ideias bem inovadoras, ainda que espertamente aproveite o clima de outros filmes como Aliens, Matrix e A Missão (isso para não falar na trilha sonora que, embora muito boa, em alguns momentos lembra demais a trilha de Tróia).

Mas, como disse Neill Blomkamp, o diretor de Distrito 9, filmes de ficção tendem a “pegar emprestado” elementos de outros filmes, seja para prestar homenagem a eles, seja para criar uma ambientação familiar e de fácil compreensão para o espectador. Verdade seja dita, enquanto a tática seja feita de maneira sensata, sem exageros, só torna o espetáculo ainda mais divertido.

Elenco: Sam Worthington, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Zoë Saldaña, Giovanni Ribisi, CCH Pounder, Peter Mensah, Matt Gerald, Wes Studi, Joel Moore, Laz Alonso. Roteiro e direção: James Cameron.

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