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05/02/2010
REVIEW - CINEMA: PREMONIÇÃO 4
 
 
Premonição 4
 
 
 
 
 
 
 
 


A cinessérie de terror Premonição teve um bom início em 2000, seguido por um novo filme em 2003, que a primeira vista não parecia grande coisa, mas, conforme a história foi se desenvolvendo, se mostrou o melhor roteiro da saga. O terceiro volume, de 2006, já demonstrou o total desgaste da franquia, sendo até então o pior da série.

Até então, pois chega agora aos cinemas Premonição 4 (The Final Destination), não só superando seu antecessor como o pior da franquia, mas sendo um dos piores filmes dos últimos anos. A trama segue a mesma linha dos anteriores: grupo de jovens (com um ou outro adulto também envolvido) está reunido em algum lugar, quando algum deles tem uma premonição de um grande desastre que tira a vida de todos, sendo que desta vez o cenário é uma corrida automobilística. Desesperado, o “vidente” da vez consegue retirar parte ou todo o grupo do local, salvando-os, somente para depois descobrirem que todos estão destinados a morrer na sequência indicada pela premonição, não importa o que façam.

Essa fórmula funcionou muito bem no primeiro filme, traçando um enredo simples, mas eficaz, que, por ter a própria Morte (o conceito, não vão pensar que ela tem uma forma tangível) como vilã, brincava com acidentes absurdos que causavam as mortes de todos. A criatividade rolou solta com essas mortes, que se tornaram a verdadeira atração da franquia.

No segundo filme, as mortes continuaram bem elaboradas e divertidas, mas o roteiro parecia apenas uma reciclagem do filme anterior, até que no desenrolar dos acontecimentos, os dois filmes são ligados de maneira bem inteligente.

Nada disso aconteceu no terceiro filme, que começou a apresentar mortes exageradas demais, sem graça, não acrescentando nada ao mito da franquia. Mas ainda assim havia uma ou outra cena que se salvava, e as interpretações não eram péssimas como no quarto volume.

Em Premonição 4, assim como na maioria dos filmes de terror, o elenco é composto quase inteiramente de jovens desconhecidos ou oriundos de seriados de TV, casos de Shantel VanSanten (de One Tree Hill) e Nick Zano (de What I Like About You). Nenhum deles consegue convencer em sequer uma cena, deixando difícil entender como conseguiram se tornar atores. Até parece que estamos assistindo a um episódio de Malhação com toques de horror (seja o horror o tema do filme ou as interpretações).

O único nome do elenco que se destaca é o de Mykelti Williamson, mais lembrado por viver o personagem Bubba em Forrest Gump: O Contador de Histórias. Ele vive George, segurança do autódromo, e único personagem que tem algum aprofundamento e características próprias.

Embora extremamente incompetente, o elenco não pode levar toda a culpa, já que o arremedo de roteiro usado parece não levar em conta o conceito de personagem. Alguns deles são os típicos estereótipos: o fortão conquistador barato, a garota medrosa; mas outros sequer demonstram algum vestígio de personalidade, o que torna impossível até classificá-los.

Talvez percebendo que a franquia está obviamente desgastada, os produtores decidiram por lançar Premonição 4 em 3D, o que ajudou ainda mais a afundar o filme. Não há sequer uma tomada que tire proveito da tecnologia 3D. Tudo que vemos são cenas que se esforçam até demais para justificar alguma ação que provoque um bom efeito 3D, mas que fracassam vergonhosamente. Para piorar ainda mais, os efeitos especiais são na melhor das hipóteses péssimos. O filme é recheado de esmagamentos onde corpos parecem desaparecer, explosões de sangue desnecessárias que estão na trama apenas para tentar criar um efeito 3D com o sangue jorrando, além de várias cenas onde os instrumentos da morte se movimentam das formas mais estranhas e mal elaboradas possíveis, resultando em efeitos que não são dignos nem de um programa barato de TV.

Toda a diversão das mortes exageradas se foi, restando apenas mortes repetitivas, que se arriscam a serem as mais visualmente nojentas possíveis, novamente sem nenhum sucesso, conseguindo apenas serem as mais artificiais possíveis. A produção ainda dá um verdadeiro tiro no pé ao usar versões das mortes dos filmes anteriores em sua abertura e nos créditos finais, o que só serve de comparação para que o espectador acabe com qualquer dúvida sofre a (falta de) qualidade do filme.

Mais triste do que tudo é perceber que o diretor, David R. Ellis, é o mesmo que comandou o segundo filme da série, o último realmente bom. O jeito é torcer para que todos os envolvidos levem a sério o nome original e que este seja o destino final da franquia.

Elenco: Shantel VanSanten, Nick Zano, Mykelti Williamson, Bobby Campo, Haley Webb, Andrew Fiscella, Krista Allen, Justin Welborn. Roteiro: Eric Bress. Direção: David R. Ellis.

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