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11/06/2010
REVIEW - CINEMA: ESQUADRÃO CLASSE A
 
 
Esquadrão Classe A
 
 
 
 
 
 
 
 
 


O seriado Esquadrão Classe A (The A-Team) foi um dos programas de TV mais marcantes dos anos 1980. Qualquer um que foi criança ou adolescente (e até alguns já adultos) nesta época tem ótimas lembranças do grupo e, do mesmo modo, sempre ficou muito preocupado com a possibilidade de uma adaptação cinematográfica, algo que vem sendo prometido por mais de uma década.

Enfim, o filme chegou aos cinemas e... é muito bom, sim senhor, com grandes chances de agradar fãs da série, bem como quem nunca ouviu falar dela. Essa nova versão atualiza um pouco a trama. Se antes o Esquadrão Classe A era uma unidade de veteranos do Vietnã, agora eles são veteranos da primeira guerra do Golfo, mas sua sina continua a mesma, ou seja, o quarteto, assim como na série, leva a culpa e vai preso por um crime que não cometeu.

Como 90% das refilmagens de filmes de ação, ficção ou terror feitas hoje em dia, essa é também uma história de origem, quase um prelúdio para o status quo conhecido do grupo. O filme mostra parcialmente a própria gênese da unidade, sua condenação e sua luta para limpar seus nomes.

Liam Neeson comanda a equipe no papel do Coronel John “Hannibal” Smith, um estrategista que sempre tem um plano à mão, mesmo que a situação se prove como a mais inusitada possível. É este o personagem mais trabalhado para lembrar visualmente o original, vivido pelo já falecido George Peppard. Mesmo que estatura e massa corporal sejam diferentes, é inegável o trabalho bem sucedido da produção, que mesmo com esses empecilhos conseguem conferir a Neeson toda a “aura” do Hannibal original, porém retirando bastante do humor do personagem, que acabou ficando concentrado nos demais integrantes do esquadrão.

Quinton Jackson é o novo Sargento Bosco "BA" Barracus. Fisicamente, é até mais parrudo do que o bom e velho Mr. T, mas infelizmente não tem o mesmo carisma dele. Não que faça um trabalho ruim no filme, o problema maior no caso é provavelmente a força com que Mr. T se fixou em nossas memórias. De qualquer modo, mesmo assim o personagem é aprofundado de uma maneira inédita.

Bradley Cooper faz um divertidíssimo Tenente Templeton "Cara-de-Pau" Peck, ficando muito à vontade no papel, afinal fazer gracinhas é mesmo sua especialidade, não importa em que filme. Comparando-o com o ator original, Dirk Benedict, fica difícil escolher um deles, pois cada um conseguiu desenvolver o personagem de uma maneira diferente, ambas competentes e divertidas, mas ainda assim distintas.

Completando o grupo está Sharlto Copley no papel do Capitão H.M. Murdock, o amalucado piloto anteriormente vivido por Dwight Schultz. Sharlto é a maior surpresa do filme. Tendo ficado conhecido por seu papel em Distrito 9, onde é um verdadeiro Caxias, ninguém esperaria que desempenhasse tão bem um personagem totalmente voltado à comédia. Sharlto rouba a cena em praticamente toda ocasião em que aparece, arrancando risadas a todo momento, sendo ainda o personagem mais fiel à versão original.

Como a falsa acusação que o grupo sofre envolve muita gente, do exército, passando pelo FBI e chegando à CIA, ainda há espaço para outros rostos famosos. Jessica Biel é Charisa Sosa, uma capitã que está no encalço do esquadrão, além de ser um antigo caso de Cara-de-Pau. Quem já viu qualquer filme da moça sabe que além de incrivelmente linda, ela é também talentosa, mas desta vez não teve muito espaço para desenvolver sua personagem.

Patrick Wilson (o Coruja de Watchmen) é o misterioso agente Lynch da CIA. O personagem em si não deixa que o ator tenha grande destaque, pois se trata de um estereótipo dos mais marcantes, o típico agente manipulador e convencido, que, no fim das contas, não tem nenhuma experiência em campo. Nos remete diretamente ao seriado, onde muitos dos vilões e mesmo vítimas eram também estereótipos ambulantes.

Joe Carnahan, além de dirigir, escreveu o roteiro ao lado de Brian Bloom e Skip Woods. Todos fizeram um bom trabalho, conseguindo partir de uma história simples, criando situações absurdas e divertidas, que pegam todo o bom humor do seriado e o multiplicam por 10, como todo bom blockbuster costuma fazer. Só que aqui isso é necessário, não só para agradar às grandes massas e compor as sequências de ação, mas porque exageros são uma tradição do Esquadrão Classe A, dadas as devidas proporções, é claro, já que o seriado foi feito numa época em que a TV não gastava tanto como hoje em dia com suas produções.

Esquadrão Classe A é, de forma empolgante, a melhor adaptação de um seriado de TV para os cinemas, conseguindo respeitar o que foi feito antes, ao mesmo tempo em que cria uma atmosfera mais atual. Essa “devoção” ao original, essencial para a produção, tem uma explicação bem simples. Stephen J. Cannell, criador do seriado, é um dos produtores.

E ele não é o único nome a retornar. Depois de aproveitar um ótimo “filme pipoca”, perca mais alguns minutos para ver uma cena pós-créditos do tipo que vai alegrar a vida dos fãs deste quarteto de (ex) rangers.

Elenco: Liam Neeson, Bradley Cooper, Quinton Jackson, Sharlto Copley, Dwight Schultz, Jessica Biel, Patrick Wilson. Roteiro: Skip Woods, Brian Bloom. Direção: Joe Carnahan.

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