MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
17/12/2010
REVIEW - DVD: SUPERMAN/BATMAN - APOCALYPSE
 
 
Superman/Batman: Apocalypse
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


A animação Superman/Batman: Inimigos Públicos foi divertida, porém apresentava o roteiro mais fraco da atual linha de animações em longa-metragem adaptando os quadrinhos da DC Comics. Claro, o motivo é óbvio para quem leu a HQ em que ela se baseou: o roteiro original é de Jeph Loeb, que parece só escrever bem quando tem Tim Sale ao seu lado.

Bem, acontece que o arco seguinte da HQ Superman/Batman também ganhou um longa animado. Trata-se de Superman/Batman: Apocalypse, com direção de Lauren Montgomery e roteiro por Tab Murphy. O filme é baseado no arco que apresenta o surgimento, ou ressurgimento, como explicaremos mais à frente, da Supergirl, também escrito por Loeb, com arte de Michael Turner.

Se Inimigos Públicos tinha um roteiro fraco por conta da fonte, pelo menos tinha uma animação mais dinâmica e simpática, tendo em vista que o traço de Ed McGuinness, o desenhista da HQ, já é muito voltado para o mundo dos desenhos animados. O mesmo não ocorre desta vez. O fato é que a arte do falecido Michael Turner é simplesmente horrível. Todos os personagens, sem exceção, são deformados, e alguns sequer apresentam seus uniformes corretos. Infelizmente, o filme animado transpõe demais o traço de Turner e todos seus defeitos.

O design dos personagens prejudica até mesmo a dinâmica das lutas e toda a movimentação, já que todos são truncados e anatomicamente imperfeitos. Em alguns momentos a movimentação parece incrivelmente forçada, nada natural. Em outros, principalmente nas cenas de combate, os movimentos conseguem ser mais fluídos, mas há um desequilíbrio tremendo com isso.

A trama mostra a chegada da Supergirl, a prima do Superman, ao planeta Terra. Desmemoriada e sem saber controlar seus poderes, a menina desperta os temores de Batman e Mulher-Maravilha, que decidem treiná-la e contê-la, repetindo um tom de paranoia que leva a ações extremas e injustificáveis, também presente na HQ.

Darkseid, o novo deus senhor do planeta Apokolips, também se interessa pela moça, querendo que ela se torne a nova comandante das Fúrias Femininas, sua principal unidade de combatentes. O vilão manda cópias do monstruoso Apocalypse para capturarem Kara (a Supergirl), para que ela então seja “convertida” para obedecê-lo.

A história tem mais furos do que um queijo suíço. A conversão de Kara é apenas sugerida, nunca explicada. Não fica claro como fizeram isso tão rápido e nem como ela retornou ao normal. Os heróis matam criaturas alienígenas sem remorso. No caso da Grande Barda, isso é normal, mas no caso dos demais, não. Algumas das criaturas não estão realmente vivas, mas os personagens não demonstram saber disso, e mesmo os espectadores não sabem - só quem já tem conhecimento prévio da cronologia das HQs.

Todos os personagens estão totalmente desvirtuados, com suas personalidades alteradas ao máximo. Superman é apresentado como um verdadeiro banana, que mesmo não concordando com as opiniões de seus amigos sobre Kara, aceita todas as decisões deles. Batman é um pouco mais próximo do normal, pois é de fato paranoico, mas o problema aí é o roteiro, que não cria situações que justifiquem toda essa paranoia. A Mulher-Maravilha está excessivamente violenta e extrema.

A tentativa de criar um drama com a personagem Precursora vai por água abaixo, já que no filme seu passado não é apresentado, cancelando todo o impacto que suas visões com a Supergirl poderiam ter - só entende quem conhece bem as HQs. Nos quadrinhos, uma versão anterior da Supergirl faleceu na saga Crise nas Infinitas Terras, onde a Precursora teve papel de destaque. Ninguém se lembra dessa Supergirl (ou pelo menos ninguém deveria), mas as visões da Precursora (que na verdade não são visões dela, mas sim de um aparelho que herdou de seu mentor, o que não fica claro no desenho) apresentam cenas que remetem à morte da personagem. Como nada disso é apresentado no filme, essa subtrama acaba sendo totalmente desnecessária.

Nem mesmo o título do longa faz sentido. Não há nada na trama que sugira um evento apocalíptico. E o nome também não tem ligação com o vilão Apocalypse, já que nos EUA seu nome é Doomsday. Só nos resta supor que se trata de um fraco jogo de palavras com Apokolips, o planeta de Darkseid.

A única coisa digna de nota na produção é sua trilha sonora, que consegue alcançar um tom épico nas lutas, nas horas corretas. Mesmo assim, há um defeito recorrente quando se trata do Superman: mais uma vez criam uma música similar à do filme de 1978, mas que não tem nem 2% do impacto dela. Já era hora de usarem de uma vez a música original ao invés de criarem inúmeras versões ineficazes.

Tirando os pontos altos da trilha, Superman/Batman: Apocalypse é simplesmente o pior longa-metragem animado dessa linha, que vinha acumulando produções excelentes até o lançamento de Inimigos Públicos.

Vozes originais: Tim Daly, Kevin Conroy, Susan Eisenberg, Summer Glau, Andre Braugher, Julianne Grossman, Edward Asner. Roteiro: Jeph Loeb e Tab Murphy. Direção: Lauren Montgomery.

Veja também:
- Notas de Produção
- Galeria de Imagens

  facebook


 


 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil