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14/01/2011
REVIEW - CINEMA: AS VIAGENS DE GULLIVER
 
 
As Viagens de Gulliver
 
 
 
 
 
 
 
 


O comediante Jack Black tem altos e baixos em sua carreira, e As Viagens de Gulliver (Gulliver´s Travels) é definitivamente um dos piores momentos do ator, bem como uma das piores adaptações do livro homônimo, escrito por Jonathan Swift, em 1726.

Em muitos casos a culpa costuma cair sobre o diretor, mas é inegável o talento de Rob Letterman, afinal seu trabalho anterior foi o ótimo Monstros vs. Alienígenas. Do mesmo modo, os roteiristas Nicholas Stoller e Joe Stillman têm bons trabalhos no currículo. O primeiro é responsável por Sim Senhor e As Loucuras de Dick & Jane, enquanto o segundo escreveu os dois primeiros e melhores filmes de Shrek. Será que Jack Black teve muita influência, ou o estúdio mexeu em tudo? Pode ser que nunca saibamos, mas o terrível resultado será sempre lembrado.

Na trama, ambientada no presente, Black é Lemuel Gulliver, que cuida das correspondências numa grande editora. Sem ambição na vida, está parado na mesma posição por anos, enquanto esconde sua paixão pela editora Darcy Silverman (Amanda Peet). Quase que acidentalmente, Gulliver acaba escalado como jornalista responsável por uma reportagem sobre o Triângulo das Bermudas, onde é tragado para Lilliput, uma ilha habitada por pessoas em miniatura. De fracassado, Gulliver se torna o grande herói quando defende Lilliput de um ataque da rival Blesfucu.

Como se não bastasse Black atuando de maneira caricata demais, muitas vezes sendo mais bobo do engraçado, o resto do elenco não ajuda em nada. Peet não compromete nas cenas mais sérias, mas é uma total idiota quando tenta fazer graça. Billy Connolly, que faz o Rei Theodore e normalmente rouba a cena em todos os filmes que participa, desta vez está totalmente apagado, parecendo mais um figurante.

Jason Segel é Horatio, o único amigo de Gulliver, apaixonado pela Princesa Mary, vivida pela linda Emily Blunt. O casal simplesmente não funciona, e o desempenho da dupla é sofrível. Segel não consegue ser engraçado em momento algum e fica difícil entender como pode ser considerado um comediante. Já Blunt, atua tão bem como uma criança de 5 anos numa peça escolar, de maneira forçada e artificial. Com certeza a atriz se arrependerá pelo resto da vida por ter escolhido As Viagens de Gulliver em detrimento de Homem de Ferro 2, onde estava cotada para interpretar a Viúva Negra.

O único nome digno de nota é Chris O´Dowd, que dá vida ao General Edward, maior herói de Lilliput e prometido de Mary. Convencido, egocêntrico e maligno, o personagem (e o ator, consequentemente) é o único divertido na produção, pois não se leva a sério, retratando de maneira descontraída todos os clichês dos vilões movidos pela inveja.

Os efeitos em alguns momentos são bons, em outros apenas razoáveis, mas é fácil notar que a todo momento são evitadas cenas em que Gulliver contracene muito de perto com a população de Lilliput, numa clara tentativa de evitar alguma tomada mais complicada.

Com roteiristas e um diretor talentosos que simplesmente falharam miseravelmente, além de um elenco que, com a única exceção de O´Dowd, parece não ter se esforçado minimamente para criar um trabalho pelo menos mediano, As Viagens de Gulliver sofreu até mesmo com a divulgação. Ao vender o longa como uma comédia, a Fox pode ter cometido um grande erro, afinal as risadas são poucas. Talvez o melhor tivesse sido rotular o filme como um produto infantil, pois só a mente de uma criança (e das bem pequenas, que fique claro) pode achar graça em algo tão mal conduzido.

Elenco: Jack Black, Amanda Peet, Billy Connolly, Jason Segel, Emily Blunt, Chris O´Dowd. Roteiro: Nicholas Stoller e Joe Stillman. Direção: Rob Letterman.

Veja também:
- Notas de Produção
- Galeria de Imagens

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