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09/03/2011
REVIEW - CINEMA: RANGO
 
 
Rango
 
 
 
 
 
 
 
 


Em 1992, o filme Os Imperdoáveis não só resgatou como redefiniu o conceito do western, gênero que já foi o mais popular do cinema americano. De lá pra cá, muitos outros faroestes foram produzidos, alguns com bons resultados, outros nem tanto, mas poucos deles retratando a essência do gênero.

Com isso em mente, vem a grande surpresa na forma da animação Rango, novo filme dirigido por Gore Verbinski e escrito por ele ao lado de John Logan e James Ward Byrkit. Surpresa, pois pouca gente poderia imaginar que um desenho animado estrelado por um camaleão poderia se aprofundar tanto nas raízes do faroeste.

Johnny Depp faz a voz do camaleão em questão, que viveu sua vida toda isolado, até que acidentalmente fica perdido no meio do deserto. Acaba encontrando então uma cidade no melhor estilo do Velho Oeste, onde cria uma lenda em torno de si, se tornando o xerife e tendo que encarar alguns facínoras e uma grave crise causada pela falta de água.

Produzido pela Nickelodeon Movies, Rango é insolitamente um dos melhores faroestes em décadas. Embora ainda imbuído de muito humor e ação, o filme é uma grande homenagem ao gênero, apresentando o código de honra, os pistoleiros valentões, os poderosos abusando de sua posição e o povo sofrido que sempre estiveram presentes nos grandes westerns. A homenagem é facilmente percebida em vários momentos, e acaba sendo escancarada num belo, inteligente e surpreendente tributo a um dos maiores nomes do cinema mundial.

Com uma temática incomum, Rango pode afastar um pouco a criançada, afinal há mortes, uma jornada de autoconhecimento e muitas tiradas mais pesadas, tudo isso bem mais apropriado ao público adulto, esse sim, que adorará cada minuto do longa.

Se não bastasse um roteiro que é mais bem trabalhado do que os de muitas superproduções, conta ainda com uma animação de qualidade mais do que acima da média. A começar pelos visuais dos personagens: répteis, roedores, toupeiras, todos os animais são retratados com perfeição, tendo identidade própria ao mesmo tempo em que mantém suas características reais, o que cria alguns visuais aterrorizantes. A personalidade de cada personagem é destacada a todo o momento, mesmo que em participações menores, sempre absorvendo os atributos e maneirismos dos atores que emprestam as vozes a eles.

E, por falar em vozes, a dublagem nacional não decepciona em nada. Boa parte das vozes é bem parecida com a dos atores originais, e os diálogos e tiradas são bem adaptados para o português. Destacam-se ainda os personagens que apresentam divertidíssimos sotaques caipiras, e até um com sotaque português!

A trilha sonora é tão perfeita quanto todo o resto, com trilhas criadas pelo hiperocupado e talentoso Hans Zimmer e canções pela banda Los Lobos, todas entrando no clima de faroeste, muitas delas reinterpretações de clássicos.

Talvez não um produto ideal para o público infantil, Rango encontrará seu público entre os adultos, seja pela diversão (elemento que agradará a todos) ou pela ode ao faroeste (que acerta em cheio os amantes do cinema).

Vozes originais: Johnny Depp, Alanna Ubach, Abigail Breslin, Bill Nighy, Isla Fisher, Alfred Molina, Ray Winstone. Roteiro: Gore Verbinski, John Logan e James Ward Byrkit. Direção: Gore Verbinski.

Veja também:
- Galeria de Imagens
- Notas de Produção

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