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25/03/2011
REVIEW - LIVRO: MORTO ATÉ O ANOITECER
 
 
Morto Até o Anoitecer
 
 
 
 
 
 
 
 


A série True Blood vem fazendo muito sucesso mundialmente, principalmente pela liberdade de temas que apresenta. Afinal, todo mundo sempre desejou ver um mundo onde vampiros possam agir mais de acordo com sua natureza, adorando a ideia de um programa onde tanto o lado violento quanto o lado sexy dessas criaturas da noite são explorados quase sem censura.

O que nem todo mundo sabe é que o seriado é baseado numa série de livros escritos por Charlaine Harris, conhecida como As Crônicas de Sookie Stackhouse, ou Os Mistérios do Vampiro Sulista. Na verdade, a série não tem um nome oficial definitivo, já que cada livro tem um título próprio. O primeiro deles, Morto Até o Anoitecer (Dead Until Dark), foi publicado no Brasil pela Ediouro em 2007, passando quase totalmente despercebido. E não é para menos, já que a editora optou por ignorar pedidos de informações ou exemplares por parte da imprensa.

A trama nos apresenta Sookie Stackhouse, uma garçonete de um bar no Sul dos EUA, na pequena cidade de Bon Temps. A vida de Sookie poderia ser considerada normal, não fossem dois importantes detalhes: ela consegue ler as mentes das pessoas e vive num mundo onde os vampiros vieram a público depois do desenvolvimento de um sangue sintético. Ou seja, embora ainda gostem de atacar os humanos, eles agora podem viver sem depender disso. Vampiros do mundo todo agora interagem com os mortais. Alguns vampiros tentam levar uma vida quase comum, enquanto outros preferem se manter na obscuridade. Os humanos, por sua vez, ainda não aceitam os vampiros muito bem, fundando grupos religiosos contra eles. Ainda assim, há quem goste da companhia dos sugadores de sangue, dando sangue a eles livremente.

Numa noite no bar onde trabalha, Sookie conhece Bill Compton, que nasceu e viveu na cidade mais de um século atrás, antes de ser vampiro. Sedutor, calado e um tanto bruto, Bill encanta Sookie. O caso é que ele é o primeiro vampiro que a moça conhece e ela fica maravilhada ao notar que não consegue ler as mentes de vampiros, pela primeira vez na vida não tendo que se esforçar para abafar sua habilidade natural, podendo, enfim, ficar à vontade.

Num primeiro momento, parece que Harris é apenas mais uma entre as muitas escritoras que exploram o romance através dos vampiros. E, verdade seja dita, o amor entre Sookie e Bill é de fato o fio condutor da trama. Porém, pouco a pouco, conforme seguimos a leitura, notamos que a escritora habilmente desenvolve muitos outros aspectos.

Para começo de conversa, diferente de Crepúsculo e outros livros voltados mais ao público juvenil, as aventuras de Sookie são bem mais sexuais e violentas, mesmo que não tanto quanto no seriado. Além disso, o mundo desenvolvido por Harris logo se revela habitado por outras criaturas sobrenaturais, além de humanos que se mostram tão perigosos quanto monstros antes considerados lendas.

O romance dos protagonistas pouco a pouco vai ficando de lado, enquanto a verdadeira trama começa a ser desenvolvida: mulheres que fizeram sexo com vampiros estão sendo  assassinadas pela cidade e arredores. Embora tudo indique que o assassino é humano, o envolvimento das vítimas com vampiros estremece o já delicado equilíbrio entre mortais e imortais. Para piorar, Jason, o conquistador irmão de Sookie, se torna o principal suspeito.

Assim, Sookie decide usar suas habilidades telepáticas para investigar os crimes, afinal, além de ser uma vítima em potencial, precisa livrar seu irmão e ainda vingar a morte de alguém próximo. E, claro, Bill e outros vampiros acabam sendo pegos no fogo cruzado.

A história em si é muito simples, mas não se torna fraca por isso. A força do livro está nas pequenas passagens e nos relacionamentos entre os personagens. Por outro lado, os coadjuvantes, em comparação à série de TV, são pouco desenvolvidos, estando mais para figurantes. As únicas exceções são Sam Merlotte e Eric. Sam é o chefe de Sookie, um transmorfo que adota formas de animais. Já Eric, é um vampiro mais velho e sádico do que Bill, que logo fica interessado em Sookie.

Quem assistiu à série primeiro notará que o enredo foi adaptado de maneira bem fiel às telas, mudando poucas coisas. A diferença fica mesmo nos personagens. Alguns presentes no seriado sequer dão as caras, e outro, bem interessante por sinal, só existe no livro. Como ele é uma versão vampira de uma lenda da cultura pop mundial, é bem provável que tenha ficado de fora de True Blood para evitar algum eventual problema judicial.

A maior diversão de Morto Até o Anoitecer é se embrenhar num mundo onde o vampirismo se torna cada vez mais corriqueiro, não só pelo fato dos vampiros terem se revelado publicamente, mas também pelo modo como Harris mostra a convivência em Bon Temps, gradualmente mais e mais parecida com o dia-a-dia de qualquer cidade pequena, independente das criaturas que lá habitam.

Morto Até o Anoitecer - De Charlaine Harris - Tradução de Chico Lopes - 316 páginas - formato 15,5 x 23 cm - R$ 47,90, sendo possível encontrar por R$ 29,90 - Ediouro.

Veja também:
- Notícias sobre o seriado True Blood

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