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09/05/2011
REVIEW - CINEMA: THOR
 
 
Thor
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Thor
é o mais novo passo na construção do universo cinematográfico da Marvel. E é uma evolução e tanto, pois é o primeiro filme desse admirável mundo novo a ter realmente “cara” de gibi de super-heróis. Enquanto as aventuras de Homem de Ferro e Hulk tentavam, sempre que possível, ficar mais “pé no chão”, com explicações científicas, envolvimento militar e político mais direto e afins, Thor abre caminho para a fantasia pura e simples.

Com direção de Kenneth Branagh, a produção segue Thor (Chris Hemsworth) na Terra, onde foi exilado por seu pai, Odin (Anthony Hopkins). Aqui, o deus do trovão deve aprender a ser mais humilde, o que faz com o auxílio do trio de humanos composto por Jane Foster (Natalie Portman), Erik Selvig (Stellan Skarsgård) e Darcy Lewis (Kat Dennings). Em sua ausência, Asgard, seu lar, enfrenta vários problemas, que vão de seu irmão Loki (Tom Hiddleston) ao iminente ataque dos Gigantes do Gelo.

Branagh foi uma escolha acertada para a direção. Embora pouco experiente quando o assunto é ação, tem anos e anos de bagagem quando o assunto são adaptações das obras de William Shakespeare, tanto como ator como diretor. E isso é essencial em Thor, pois a dinâmica familiar real entre Thor, Loki e Odin reflete o tipo de história a que Branagh está habituado, o que cria um peso dramático pouco visto em adaptações de quadrinhos.

Hemsworth interpreta Thor de maneira bem peculiar, refletindo sua evolução como pessoa. É divertido, extravagante e convencido nos momentos certos, sério e honrado quando necessário. Diga-se de passagem, fãs das HQs em alguns momentos podem achar seu jeito espalhafatoso mais de acordo com o de outro deus herói: Hércules.

Hiddleston é o grande destaque no papel de Loki. Não é nenhum segredo que ele é o vilão da trama, mas a surpresa é o modo como essa vilania é desenvolvida. Enquanto nos quadrinhos chega a ser implausível sua presença constante na corte de Asgard, mesmo com todos sabendo de suas reais motivações, no filme sua ambiguidade é apresentada de maneira extraordinária, se aprofundando tanto em suas ambições quanto no amor que sente por sua família, independente do rancor que guarde dela. A interpretação de Hiddleston é a melhor na produção justamente por conta disso, afinal o ator constrói um personagem que, mesmo sendo o vilão, gera identificação com o público.

Já Hopkins gera tudo menos identificação, afinal faz jus ao posto de “todo-poderoso” de Odin, sempre aparentando ser superior a todos, magnânimo em suas ações, numa atuação curta, mas poderosa e marcante.

O núcleo humano também tem participações pequenas, com exceção de Foster, personagem que pode desagradar os leitores, já que nos quadrinhos é bem diferente, sendo primeiramente uma enfermeira e mais tarde médica, começando sua carreira como empregada de Donald Blake, a identidade mortal usada por Thor, um médico cirurgião de renome. No filme, Blake é usado de forma bem diferente, não deixando de ser uma homenagem às histórias clássicas. Portman não se destaca muito no papel de Foster. Na verdade, sua presença parece motivada apenas pela necessidade de ter um nome famoso associado ao projeto. Dennings é o alívio cômico, no que se sai muito bem. Skarsgård, que chegou a ser cotado para o papel de Odin, embora tenha um papel sério, consegue ter momentos bem divertidos.

Em Asgard ainda temos alguns personagens velhos conhecidos das HQs. Os Três Guerreiros são aventureiros que sempre lutam ao lado de Thor. O severo Hogun é interpretado por Tadanobu Asano, sendo o menos desenvolvido do trio, além de apresentar um visual muito diferente do original. É até irônico conferir fotos da carreira pregressa do ator, que em várias ocasiões exibiu a aparência original do personagem das HQs. Josh Dallas vive o galante Fandral, visualmente idêntico ao original dos quadrinhos, com uma atuação de acordo, mesmo que breve. Já o volumoso Volstagg é quem ganha mais espaço com a descontraída interpretação de Ray Stevenson (Justiceiro em Zona de Guerra).

A guerreira Sif é ousada e corajosa na medida certa através da atuação da linda Jaimie Alexander, embora decepcione o modo como sua relação amorosa com Thor é deixada de lado. A polêmica escalação de Idris Elba como Heimdall, mesmo incoerente, ao menos trouxe bons resultados, com o ator passando toda a majestade do personagem, que tem o melhor visual da produção. Rene Russo faz o que deveria ser considerado uma ponta como Frigga, a esposa de Odin.

De volta à Terra, a S.H.I.E.L.D. tem sua maior participação nos filmes da Marvel até aqui, mas infelizmente ainda sem fazer jus à sua reputação, mais do que nunca parecendo uma versão menos eficiente da C.I.A. Clark Gregg, novamente na pele do Agente Coulson, ganha mais espaço, mas menos autoridade. E há ainda a tão falada aparição do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), sequer creditada, mas que é melhor ser conferida sem saber dos detalhes de antemão.

Destacam-se ainda a sempre bem humorada ponta de Stan Lee, co-criador do herói, desta vez recebendo o reforço de J. Michael Straczynski, co-roteirista do filme e responsável também pela última fase de sucesso do personagem nas HQs. Aos aficionados pelo Universo Marvel: vale a pena prestar atenção ao “cofre” de Odin, onde estão objetos bem conhecidos.

Num filme deste tipo o que não pode faltar é a ação e os efeitos especiais. A ação é de qualidade na maior parte do tempo, com Thor usando seus poderes do jeito que os fãs querem, ou seja, de maneira grandiosa. Os Gigantes do Gelo apresentam um ótimo visual e rendem bons momentos. Já o Destruidor, com um visual ainda melhor, decepciona na ação. Os efeitos são primorosos em alguns momentos, mas em outros tantos estão mal acabados, com muitas cenas escuras tentando esconder os defeitos. E tudo se torna pior no 3D pós-produção, que destaca as deficiências da produção, portanto, prefira o 2D.

Embora decepcione em parte em seu clímax, Thor é o mais prazeroso filme da Marvel até aqui, de fato uma aventura, cheio de comentários e até pontas soltas que recriam elementos obrigatórios para todo bom gibi, agradando velhos fãs e começando a acostumar quem conhece apenas a Marvel dos cinemas. E fique alerta: a tradicional cena pós-créditos está presente, abrindo espaço para o futuro de Thor e companhia.

Elenco: Chris Hemsworth, Anthony Hopkins, Natalie Portman, Stellan Skarsgård, Kat Dennings, Tom Hiddleston, Tadanobu Asano, Josh Dallas, Ray Stevenson, Jaimie Alexander, Idris Elba, Rene Russo, Clark Gregg, Jeremy Renner. Roteiro: Mark Protosevich, J. Michael Straczynski. Direção: Kenneth Branagh.

Veja também:
- Galeria com mais de 140 imagens do filme
- Notas de Produção

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