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16/09/2011
REVIEW - CINEMA: CONAN - O BÁRBARO
 
 
Conan, o Bárbaro
 
 
 
 
 
 
 
 


Demorou muito tempo, mas, enfim, Conan voltou aos cinemas, desta vez interpretado por Jason Momoa num novo Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian). A trama da nova produção pega alguns elementos do filme original, misturando com algumas novidades. Assim como no primeiro filme, a aldeia de Conan é devastada por um conquistador e, muitos anos depois, o cimério tem a chance de se vingar e, de quebra, derrubando uma ameaça a todo o mundo hiboriano.

O roteiro é simples, algo que não é nenhuma surpresa para os fãs do personagem, que em raros momentos teve muita profundidade (e esses momentos são quase exclusivos do meio literário), mas funciona dentro do universo do bárbaro. Momoa encarou muito bem a tarefa de “reinventar” o papel que marcou a carreira de Arnold Schwarzenegger.

Esse é um dos maiores motivos de discórdia entre os fãs. Os dois primeiros filmes de Conan, ambos estrelados por Arnold, marcaram época, mas, verdade seja dita, seu Conan tinha o físico correto e mais nada: Schwarzenegger ainda era muito limitado como ator e o próprio roteiro não desenvolvia o personagem, que, no final das contas, não tinha metade da inteligência e sagacidade das versões literárias ou dos quadrinhos. Vistos hoje em dia, os filmes continuam muito bons, mas uma mente mais aberta verá claramente que a qualidade está na direção, na incrível trilha sonora e em todo o clima, nunca dependendo da interpretação de Arnold.

Já Momoa tem um físico menos exagerado, mas ainda se encaixa bem no que todos conhecem sobre o personagem. E atua de maneira correta: seu Conan é mais inteligente, ágil, cruel e sanguinário. E, claro, as lutas são melhores, afinal nos anos 80 isso não era o forte de quase nenhuma produção.

Embora Momoa se prove um Conan melhor, o filme como um todo não consegue esse feito. Ainda é um grande filme, violento na medida certa (sendo fiel ao mundo criado por Robert E. Howard, sem exagerar demais), mas faltam alguns detalhes importantes, a começar pela trilha sonora, que não tem sequer uma passagem marcante. Claro, superar ou até mesmo igualar o efeito da música de Basil Poledouris é uma tarefa árdua, mas a nova trilha não consegue chamar a atenção, nem mesmo quando ignoramos por completo a anterior.

Outro grande problema é o elenco de apoio. Stephen Lang está caricato (e não no sentido divertido, mas sim no de que atua no automático, sem inspiração) no papel do vilão Khalar Zym. Rose McGowan se sai um pouco melhor como sua filha, a feiticeira Marique. Já do lado dos “mocinhos”, Rachel Nichols tem altos e baixos no papel da “dama em apuros” Tamara. Ron Perlman está bem como o pai de Conan, Corin, embora apareça pouco. Dois outros aliados do bárbaro, Artus (Nonso Anozie) e Ela-Shan (Saïd Taghmaoui) sofrem do mesmo problema, estão entre os mais carismáticos personagens do longa, mas não têm muito tempo em cena.

Alguns detalhes bem cuidados saltam aos olhos: os personagens estão quase sempre sujos, algo que costuma ser ignorado em filmes do gênero, mas que tem toda a lógica se levarmos em conta as condições em que vivem. Ou seja, neste aspecto o realismo venceu. O modo como o mundo e a mitologia de Conan são construídos é interessante, dando uma sensação de abrangência, com comentários sobre outros reinos ou mesmo aventuras do bárbaro, velhas conhecidas dos fãs. Com isso, têm-se outra vantagem: não é necessário perder tempo demais com a origem do cimério.

O filme, infelizmente, não tem alcançado grande bilheteria mundialmente. Embora tenha alguns problemas, passa longe de ser uma produção ruim, mas enfrenta um dilema: para fazê-la direito foi necessário gastar bastante, talvez um pouco demais para um filme de censura alta. Mas seria um filme digno de Conan sem a violência inerente ao personagem?

Elenco: Jason Momoa,  Rose McGowan, Ron Perlman ,Stephen Lang , Rachel Nichols, Nonso Anozie, Saïd Taghmaoui. Roteiro: Thomas Dean Donnelly, Joshua Oppenheimer e Sean Hood, baseado na obra de Robert E. Howard. Direção: Marcus Nispel.

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