MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
28/09/2011
MATÉRIA: A NOVA DC - PARTE 1
 
 
Flashpoint #1
 
 
Flashpoint #2
 
 
Flashpoint #3
 
 
Flashpoint #4
 
 
Flashpoint #5
 
 
Justice League #1
 
 
 
 


Há alguns meses, a DC Comics resolveu reformular toda sua linha de super-heróis. Decidindo que as mudanças constantes das últimas Crises eram insuportáveis em termos da continuidade das histórias e da aquisição de novos leitores, a editora recomeçou tudo. Ou quase tudo.

Elementos distintos foram escolhidos como ainda sendo relevantes para a história dos personagens (como a graphic novel A Piada Mortal, por exemplo), mas a maior parte do que a DC construiu ao longo dos últimos 70 anos foi apagada. A ideia? Recomeçar a partir de um momento em que pouca ou nenhuma necessidade de conhecimento prévio a respeito dos personagens fosse necessária para o entendimento e a apreciação das tramas.

A DC cancelou diversos títulos, ressuscitou outros, e decidiu que 52 novas revistas seriam lançadas em setembro de 2011, apresentando o novo Universo DC para, idealmente, diversos novos leitores.

Como um evento dessa magnitude não acontece todos os dias, nós aqui do HQ Maniacs resolvemos acompanhar o primeiro mês de novos lançamentos de perto. Dois dos nossos articulistas, Leandro Damasceno e Leonardo Vicente Di Sessa, tomaram para si a incumbência de ler todos os 52 títulos e fazer reviews de cada um, apresentando para os leitores brasileiros uma pequena mostra do que a DC está produzindo nessa nova fase de sua história.

A diferença é que Leandro não sabe quase nada a respeito do universo de super-heróis da DC, tendo acompanhado pouquíssima coisa vinda da casa de Superman e Batman. Leonardo, por outro lado, é um leitor aficionado pela editora, com conhecimento profundo a respeito da continuidade dos heróis. Leandro funciona então como o leitor que a DC quer fisgar agora: gosta de quadrinhos, mas se alienou da DC após as infinitas crises e reformulações pelas quais seus heróis passaram ao longo dos anos. Leonardo é o leitor que a DC não quer perder: sabe tudo a respeito da editora e não quer se sentir irrelevante nesse momento.

Para assumir essa empreitada de forma completa, decidiu-se começar com o evento que deu origem à Nova DC, a saga Flashpoint, e com a revista que apresenta o universo reformulado para os leitores: Justice League. Mas atenção, spoilers são a regra aqui, afinal, não seria possível analisar a fundo toda essa mudança sem explorar pelo menos alguns detalhes.

- FLASHPOINT
Roteiro: Geoff Johns
Desenhos: Andy Kubert
Arte-final: Sandra Hope, Jesse Delperdang

Leandro:
A primeira coisa que notei em Flashpoint foi que, se eu conhecesse o Universo DC de frente para trás e de trás pra frente, seria uma leitura muito mais agradável. Como não conheço, me senti um pouco perdido em meio às milhões de referências que Geoff Johns coloca em cada edição. Não que todas essas impeçam o entendimento da história como um todo, mas é óbvio que seria melhor saber das coisas.

O básico: Barry Allen, o Flash, acorda em seu laboratório forense e logo descobre que o mundo no qual ele está vivendo é diferente do mundo que ele conhece, onde Bruce Wayne é o Batman e ele mesmo é o Flash. Barry não tem poderes, sua mãe está viva e o Capitão Frio parece ser um dos heróis. Confuso, Barry vai aonde todos os heróis do Universo DC vão quando precisam saber o que está acontecendo: Gotham City, procurar pelo Batman. O encontro acaba acontecendo, mas o Batman dessa realidade alternativa é Thomas Wayne, o pai de Bruce, que aqui foi quem morreu durante o assalto no beco do crime. Allen está convencido que tudo o que está acontecendo é culpa de Eobard Thwane, o Flash Reverso, porque o Professor Thwane é seu grande inimigo e Barry é o personagem principal dessa história.

Ao longo das edições vamos conhecendo quais são as diferenças desse mundo de Flashpoint para o Universo DC "normal". E são várias! Aquaman e Mulher-Maravilha são inimigos mortais que não se importam em destruir parte do planeta para conseguirem seus objetivos; o Capitão Marvel (aqui chamado Captain Thunder) está dividido entre seis crianças, que têm que gritar Shazam ao mesmo tempo para que o herói seja conjurado; o Superman é um rato de laboratório que foi aprisionado pelo governo quando caiu na Terra e nunca viu a luz do sol na vida; e assim por diante. É um universo muito interessante, que permite de fato ser explorado em outras histórias, como sem dúvida aconteceu nas infinitas revistas que compuseram a saga completa. Como aqui estamos lidando apenas com a minissérie principal, voltemos a ela.

Barry eventualmente recupera seus poderes. Ele e Batman (convencido de que voltar a realidade da maneira que Barry lhe conta pode salvar a vida do filho) se unem a outros heróis e juntos partem para impedir que Aquaman e Mulher-Maravilha acabem com a Terra. Toda essa narrativa de recrutar heróis para a grande batalha final é o que compõe a maior parte da trama principal e, felizmente, é também a parte mais interessante de Flashpoint. Brincar com realidades alternativas sempre dá aos criadores liberdades para pensar como seriam os heróis e vilões dado outro cenário. O que mudaria e o que permaneceria idêntico. A própria DC já fez isso várias vezes, quase sempre formulando boas histórias, mas nunca antes com um resultado tão cataclísmico.

E é aí, na apresentação do resultado final, que Flashpoint erra feio. Não no que acontecerá inevitavelmente, com a reformulação do Universo DC, mas na maneira como o final da história dessa mini é apresentado. Na última edição, descobrimos que o responsável por tudo o que está acontecendo não é Eobard Thwane, mas o próprio Barry Allen, que voltou no tempo para tentar salvar a vida de sua mãe e, ao fazê-lo, destruiu o tecido do qual era constituído o próprio tempo e a realidade. E aí, como o herói tem só o restante dessa edição para consertar as coisas, o Flash corre (literalmente) para salvar... bem, tudo! O que vemos a seguir são páginas de efeitos estroboscópicos, hocus pocus, Barry conversando com sua mãe ao mesmo tempo em que corre pelo fluxo temporal, o aparecimento de uma mulher misteriosa (pelo menos para mim) falando sobre a fundição de tempos e abracadabra, tudo está como a Nova DC. Voltamos à cena inicial da série, à Além da Imaginação, mas agora as coisas são como eram e, também, são completamente diferentes. Flash tem seus poderes e Bruce é de novo o Batman, mas o mundo não é nem o que era antes, nem aquele cataclísmico ambiente tóxico que vimos em Flashpoint. Esse novo mundo, só conheceremos de fato à medida que as novas 52 edições forem sendo lançadas.

Flashpoint pode não ser a melhor minissérie de todos os tempos (não é), bem como pode não ser a melhor maneira de se resetar um universo inteiro (não é também), mas cumpre seu papel com dignidade, ao mesmo tempo em que cria mais uma realidade alternativa à qual eu não me surpreenderia se fosse revisitada no futuro. Johns conhece os heróis da DC intimamente e sabe caracterizá-los, assim como Andy Kubert sabe desenhar histórias em quadrinhos. O artista faz um trabalho muito competente aqui, com narrativa impecável, que ajuda bastante na compreensão da história. As últimas páginas da edição final, com Flash e Batman conversando, especialmente quando eles param de falar e a história consiste apenas de uma pessoa lendo uma carta enquanto outra o espera terminar de ler, é imbatível. Você sabe o que vai acontecer e ainda assim a cena funciona. Coisa de quem sabe muito. Sem contar as cenas anteriores de batalha, quando Kubert é chamado a representar dezenas de personagens diferentes, muitas vezes em várias páginas seguidas, e o faz com dedicação invejável.

Depois de tudo isso, Johns tem a presença de espírito de terminar a história num tom bem leve e tranquilo, o que Kubert de novo retratada muito bem, puxando o ponto de vista para longe dos heróis e dando espaço para que eles sejam apenas os dois amigos que são, no ambiente que conhecem prontos para enfrentar os desafios que a vida lhes apresentar daqui pra frente.

Leonardo:
Antes de falar de Flashpoint (que por aqui será publicada com o nome Ponto de Ignição), é importante explanar um pouco sobre essa grande jogada da DC. Será que Flashpoint foi mesmo criada para ser o ponto de partida de um universo mais enxuto? Houve planejamento prévio? Talvez nunca saibamos de nada disso com certeza, mas é importantíssimo relembrar notícias de anos atrás, da época de outra saga, Crise Infinita, quando muitos heróis ressurgiram reformulados (ignorando partes de seus passados), com origens recauchutadas e novos visuais. Nesta mesma época vieram rumores sobre uma guerra entre Atlântida e Ilha Paraíso e sobre uma Liga da Justiça escrita por Geoff Johns e desenhada por Jim Lee. Bem, como fica claro, parece que a ideia da reformulação vem sendo preparada há tempos, mas só agora foi botada em prática e, estranhamente, em alguns casos meio às pressas, com várias revistas sendo interrompidas no meio de arcos que claramente foram planejados para durarem mais. Ao menos o resultado está parecendo positivo...

Agora vamos ao que interessa: Flashpoint, sem repetir os detalhes da trama já citados acima. A mini foi desde o início anunciada com uma estrutura diferente do que a Marvel e a DC vinham fazendo até então, com menos edições, mas, para compensar com mais páginas. Porém, isso não deu muito certo. Primeiro porque as páginas a mais foram praticamente exclusivamente ocupadas pelos esboços de Kubert, e segundo porque a história acabou comprimida demais.

Os coadjuvantes tiveram em sua maioria espaço nas minisséries e especiais derivados, assim a mini principal se concentrou no Flash e no Batman (que ainda teve sua própria mini) A trama segue bem, sendo um tanto melancolia, afinal pouco a pouco vamos entendendo que o mundo mudou simplesmente porque Barry Allen quis alterar o tempo, salvando a vida de sua mãe, mas acabou liberando as energias da Força de Aceleração no fluxo temporal, o que resultou neste novo mundo. E neste caso, o dilema de usar seus poderes para proveito próprio ganhou novas dimensões, afinal Barry não quer exatamente mudar os acontecimentos, mas sim restaurar o status quo, afinal sua mãe não deveria ter morrido deste modo, foi o Flash Reverso quem voltou no tempo e a matou.

A culpa de tudo ser de Barry foi uma ótima jogada do roteiro, afinal, dado o histórico das batalhas entre o herói e o Flash Reverso, todo leitor já colocava a culpa no Reverso antes mesmo do lançamento da revista. O grande problema de Flashpoint foi seu desenvolvimento. Tudo vai caminhando lentamente e bem até a quarta edição e, de repente, na quinta, a correria começa e percebemos que talvez fosse melhor mais uma edição para concluir a história de maneira mais organizada. Ou talvez realmente Flashpoint não tenha sido planejada para dar início à nova DC, o que resultaria em mudanças não planejadas originalmente.

Coincidência ou não, o traço de Andy Kubert, impecável em praticamente toda a mini, fica muito pior justamente nas páginas que introduzem as mudanças para a Nova DC, onde a mulher misteriosa informa Barry de que a linha temporal foi divida em três (aparentemente para enfraquecer uma possível resistência contra a chegada iminente de uma não revelada ameaça). Essa divisão por si só já é motivo de discussão. Os heróis que migraram para o selo Vertigo anos atrás nunca constituíram um universo próprio, tanto que muitos deles transitavam normalmente entre as histórias convencionais da DC e as da Vertigo, como o Homem-Animal, Madame Xanadu e Vingador Fantasma. Outros, como Monstro do Pântano e John Constantine, foram reinseridos na cronologia DC antes mesmo de Flashpoint, portanto antes dos atos de Barry. Já o Universo Wildstorm apresentou brevemente alguns elementos da DC, tendo por lá suas versões de Gotham City, Bruce Wayne e Coringa.

E mais: a mulher misteriosa afirma que é necessário unificar essas três linhas, podemos deduzir que ela deseja que os heróis estejam unidos para enfrentar a tal ameaça. Pelo ritmo de lançamentos da DC até dezembro, é melhor que a ameaça demore alguns anos para chegar, pois do jeito que a coisa anda, existem bem menos heróis agora do que antes da reformulação. E ainda temos o caso da Terra-2, que aparentemente voltará a ser o lar da Sociedade da Justiça. Se a intenção era unir mais heróis numa só Terra, qual é a lógica de levar a Sociedade novamente à Terra-2, se a notícia se confirmar?

Essas dúvidas enfraqueceram o final de Flashpoint, mas não a transformaram numa história ruim, somente em uma com uma conclusão muito apressada e mal conduzida. Com o passar do tempo, algumas dessas dúvidas podem ser sanadas, tornando as coisas mais claras ou, talvez, revelando furos reais na história. Por enquanto, só podemos tentar adivinhar intenções e futuros desdobramentos.

De qualquer modo, Flashpoint tem um valor muito maior: o simbólico. Jay Garrick, o primeiro Flash (ou Joel Ciclone) não teve tanto impacto no mundo dos quadrinhos. Já o surgimento de Barry Allen marcou o início da Era de Prata. O primeiro encontro entre Barry e Jay introduziu o conceito das infinitas Terras da DC. Muitos anos depois, a morte de Barry em Crise nas Infinitas Terras marcou a primeira grande reformulação da editora, bem como a unificação de todos os heróis em uma só Terra (parece familiar?). Agora, mais uma vez, é Barry Allen quem sinaliza uma nova era, uma nova reformulação.

- JUSTICE LEAGUE
Roteiro: Geoff Johns
Desenhos: Jim Lee
Arte-final: Scott Williams

Leandro:
Justice League é a revista que apresenta o Universo DC reformulado aos leitores – novos e velhos. O foco é como o de toda a linha, em leitores "virgens" e por isso a história é menos uma história e mais uma série expositiva a respeito de partes do novo status quo da editora.

Quase tudo o que li a respeito de Justice League fala do que os leitores (entendidos no Universo DC em sua maioria) gostariam que a revista fosse. Não interessa o que o título deveria ser, o que importa é o que o material é. Neste caso, Justice League é uma grande explicação a respeito do que veremos a seguir, com pistas a respeito do restante da linha de super-heróis e algumas pitadas de enredo aqui e ali.

Começamos "há cincos anos", com Batman perseguindo uma espécie de monstro e sendo perseguido pela Polícia de Gotham. De cara, ficamos sabendo de dois fatos importantes: Batman e a Polícia de Gotham não se dão bem e super-heróis não são vistos pelas autoridades em geral como bem feitores. A repentina entrada em cena do Lanterna Verde (Hal Jordan) traz mais informações. 1 – O Lanterna se assusta ao ver o Batman, descobrindo que o cavaleiro das trevas é "real". Durante muito tempo, a DC brincou com a ideia de que o Batman era considerado por muitos como uma lenda urbana, mas essa dimensão do personagem foi deixada de lado nos últimos anos. Parece que voltaremos a esse aspecto daqui para frente. 2 – A Polícia de Gotham atira primeiro e pergunta depois. 3 – O Lanterna Verde é arrogante. Muito! A ponto de referir a si mesmo na terceira pessoa. Ele explica que seu anel pode criar o que ele quiser e que o que cria é indestrutível. 4 – Jordan é responsável, segundo o Batman, por Coast City, mas o herói verde explica que ele é, na verdade, responsável por todo esse "setor espacial" e fala sobre a Tropa dos Lanternas Verdes, sobre a missão de defender o universo e sobre o fato de ter sido avisado pelo anel de uma presença extraterrestre em Gotham. 5 – Jordan descobre que o Batman não tem poderes e Batman descobre que a fraqueza do Lanterna é a falta de concentração.

Essa série de páginas é coberta de diálogos que não são muito bem diálogos, mas, como falei, frases expositivas. Não existe uma troca de fato, existem descrições a respeito de quem são e de como agem os dois personagens. O que isso gera é uma história fraca e pouco fluida, mas que funciona principalmente devido à arte luxuosa de Jim Lee, Scott Williams e do colorista Alex Sinclair (infelizmente não citado na capa da revista, o que é, no mínimo, deselegante).

O monstro que Batman e o Lanterna estão perseguindo instala um dispositivo numa parede de uma galeria e se explode para tentar matar os heróis. Não sem antes gritar "por Darkseid!" Todo o Quarto Mundo de Jack Kirby será incorporado nessa nova fase? Talvez. É esperar para ver. Como o monstro, segundo o Lanterna, é um espécime extraterrestre, Jordan e o Batman partem para Metrópolis, para ter com outro ser alien que habita a Terra: Superman.

O interlúdio mostra um pequeno desenvolvimento do personagem... não sei. Como eu disse, não sou um entendido do Universo DC. Em conversas com quem sabe mais, fiquei sabendo que o jogador de futebol americano que quer ser contratado pelo mundo inteiro será o herói Cyborg. Por que não um interlúdio com Aquaman, Mulher-Maravilha ou com o Flash? Enfim, com os outros futuros membros da Liga mais conhecidos? Não sei. Talvez porque o roteirista Geoff Johns goste muito mesmo do Cyborg ou talvez porque esses outros personagens são muito importantes para aparecerem apenas num interlúdio.

Lanterna Verde e Batman chegam a Metrópolis, o Lanterna toma porrada do Superman e esperamos para ver o que vai acontecer entre ele e o Batman no segundo número.

A arte de Lee – uma vez muito responsável pelo meu retorno às HQs no início dos anos 90, depois de um breve período afastado – é terrivelmente datada. Grandiosa e bem feita, sem dúvida – Lee teve muito mais tempo para concluir essa revista do que a maioria dos outros artistas responsáveis pelos 51 títulos restantes –, mas ainda assim aparenta como se tivesse vindo direto de sua prancheta de quase 20 anos atrás. No entanto, para o que a DC está tentando fazer (e tendo em vista os outros artistas que estão trabalhando na casa) é difícil pensar em quem poderia substituir Lee em Justice League. Problema com o qual a própria DC terá que lidar em breve, tendo em vista a recorrência com que Lee atrasa suas páginas. Fica a torcida para que uma substituição não seja o caso por enquanto e que a dupla Lee e Johns possa fazer aqui uma temporada longa e consistente, que vá além dessa primeira parte didática e possa chegar em histórias com argumentos de verdade e tramas interessantes.

Leonardo:
Nos últimos anos, a Liga da Justiça deixou de ser o lar dos maiores heróis da DC, abrigando substitutos próximos destes ou personagens desconhecidos do grande público. Bem, já que a intenção é criar uma nova DC atrativa para leitores que não acompanhavam a editora anteriormente, nada melhor do que recriar o conceito original do título, tornando-o o grande destaque das 52 novas revistas mensais.

É interessante notar que a equipe criativa vem mais ou menos na contramão desse conceito, reunindo o argumentista mais aclamado dessa geração da DC e o desenhista mais famoso dos anos 90, ou se preferir, uma dupla claramente pensada para fisgar quem já curte quadrinhos. Mas há outro aspecto: ambos estão envolvidos com a direção da empresa e supervisionam toda essa reformulação.

Essa primeira edição define um pouco de todo o Novo Universo DC. A trama é ambientada no passado, cinco anos atrás, alguns meses depois do surgimento dos primeiros heróis desta nova cronologia. A Liga da Justiça ainda não existe e os próprios heróis ainda não se conhecem, alguns nem mesmo se tornaram heróis. A lei não apóia nenhum herói, os vendo como criminosos (bem, se analisarmos as leis de qualquer país, vigilantilismo é crime, embora isso seja ignorado quase sempre nos universos dos quadrinhos), os caçando.

Neste cenário, Batman tem ainda mais motivos para agir nas sombras em Gotham City. E é isso o que faz – em entrevistas concedidas por editores e roteiristas, ficou definido que o morcego age há mais tempo do que os demais heróis, mas como nunca aparecia em público, acabou sendo considerado uma lenda urbana. Em perseguição a uma monstruosa criatura, ele encontra o Lanterna Verde, que revela que o monstro é na verdade alienígena. Rapidamente descobrimos que a criatura é um Parademônio, um dos soldados de Darkseid.

O Parademônio se suicida na tentativa de levar os heróis junto, mas eles sobrevivem e decidem que devem prosseguir sua investigação com o único outro alienígena que sabem estar na Terra: o Superman.

A apresentação dos integrantes da equipe aos poucos é um belo acerto da edição. Se a ideia é mesmo atrair novos leitores, de nada adianta inundar as páginas com vários heróis, sem conseguir apresentar apropriadamente cada um deles. Então aqui temos destaque para os dois personagens que nos últimos anos foram os carros-chefe da editora: Batman e Lanterna Verde. Não é nada muito profundo, apenas uma rápida definição de suas capacidades e, principalmente, personalidades. Batman é mandão, não gosta de trabalhar com outras pessoas, enquanto o Lanterna Verde é muito convencido e mais bem humorado. Resumindo, as características de ambos foram mantidas e, se alguém achar algum ponto exagerado, é bom lembrar que os dois ainda estão no início de suas carreiras, antes de terem grande experiência em grupo e mesmo de evoluírem um pouco.

Victor Stone, o esportista que virá a se tornar o Cyborg, também ganha um pouco de espaço. Um favorito de Johns (que já o usou nas páginas de Flash, Novos Titãs, Flashpoint, entre outros), o personagem fez parte da Liga apenas rapidamente, pouco antes da reformulação. Porém, tem uma razão para estar aqui: por muitos anos foi associado à equipe por fazer parte da série animada Superamigos e, mais recentemente, do “protótipo” de Liga da Justiça presente no seriado Smallville. Sua carreira esportiva e problemas pessoais com o pai remetem à sua versão original, criada por Marv Wolfman e George Pérez em Novos Titãs. Aliás, entre os torcedores assistindo a seu jogo, está a misteriosa mulher encapuzada do final de Flashpoint, que parece estar acompanhando tudo bem de perto.

O roteiro de Johns não tem nada inovador, conseguindo ser divertido para quem já conhece os personagens, e informativo para os novos leitores, que poderiam se confundir se vissem quase uma dezena de heróis agindo juntos sem nenhuma explicação prévia. Esse novo enfoque na origem da Liga da Justiça pega um pouco do conceito da versão original (onde os heróis enfrentam separadamente os alienígenas Appellaxianos para depois fundarem a equipe) e o atualiza, utilizando um vilão de peso, Darkseid. Uma mudança certeira num primeiro momento, vamos ver como as coisas se desenvolvem a partir daí.

A arte de Lee já não se sai tão bem como o roteiro de Johns. Inconsistente, está ótima principalmente nas cenas com Batman e Superman (talvez pelo fato do desenhista já ter trabalhado bastante com os dois anteriormente), mas fraca no restante. Seu Lanterna Verde tem uma máscara grande demais e os efeitos de luz no uniforme se tornam rapidamente cansativos (tudo bem, aí a culpa recai mais sobre as cores). O Parademônio sofre do mal de todo o monstro desenhado por Lee: se parece demais com os antigos Demonitas das histórias dos Wildcats.

A seguir: A Nova DC - Parte 2

Veja também:
- Notícias sobre Flashpoint
- Notícias sobre a DC Comics

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