MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
15/12/2011
MATÉRIA: A NOVA DC - PARTE 4
 
 
Birds of Prey #1
 
 
Red Hood and the Outlaws #1
 
 
Catwoman #1
 
 
Captain Atom #1
 
 
Blue Beetle #1
 
 
Supergirl #1
 
 
Nightwing #1
 
 
Wonder Woman #1
 


Nesta penúltima parte da nossa série de artigos sobre a Nova DC, muitos titulos “duvidosos”, acompanhados de outros muito aguardados. Sempre lembrando: essa série de artigos conta com os “dois lados da moeda”: Leandro Damasceno – leitor que não acompanhava regularmente a DC antes da reformulação, e Leonardo Vicente – fã de longa data da editora.

- BIRDS OF PREY
Roteiro: Duane Swierczysnki
Arte: Jesus Saiz

Leandro:
A revista das Aves de Rapina tem lá suas qualidades. Birds of Prey mistura super-heróis com histórias de detetive sem rodeios. Ajuda para isso, claro, o fato do roteirista Duane Swierczynski ser também um romancista noir, que conhece os caminhos de histórias de crime e livros policiais.

A chefe das Aves agora é Dinah Lance, a Canário Negro, que aqui é uma procurada pela polícia e também combatente do crime. Porque nada melhor para limpar seu nome do que bater em bandidos, certo? Junto dela está, a princípio, apenas Ev Crawford, ou Starling, (que eu acho que é uma personagem nova). No futuro teremos ainda Katana na equipe e, segundo a capa do primeiro número, Hera Venenosa.

A história mostra Canário tentando montar uma equipe e sendo perseguida por um repórter que recebeu dicas a respeito da heroína. Dinah, Ev e o repórter fazem um jogo que acaba os levando para uma briga numa igreja e termina com uma explosão no Aeroporto Internacional de Gotham.

Não sei se a história é forte o suficiente para que os leitores banquem esse título, mas tem potencial.

Leonardo:
Essa é uma estreia estranha. Cria mistério e clima o bastante para o novo leitor, mas deixa os antigos muito perdidos, cheios de perguntas: afinal, as Aves de Rapina já existiam antes? Dinah e Barbara Gordon claramente se conhecem, mas Babs foi Oráculo no passado? Chegou a comandar as Aves?

A nova personagem, Starling, é um tanto genérica, parecendo mais uma substituta para o jeitão divertido e aventureiro da Lady Falcão Negro. Katana, embora não participe da história, já apresenta na capa seu novo uniforme, um grande clichê quando se trata de personagens japoneses, retirando toda sua identidade. O novo uniforme da Canário é mais funcional, cai na repetição das “pseudo” armaduras, mas mantém o bastante do estilo da heroína.

O grande destaque da edição é Jesus Saiz, que sempre desenhou muito bem, mas agora se superou.

- RED HOOD AND THE OUTLAWS
Roteiro: Scott Lobdell
Arte: Kenneth Rocafort

Leandro:
Oh, Scott Lobdell... nos encontramos de novo. E você não mudou nada. O Capuz Vermelho é Jason Todd, velho Robin que tinha morrido e voltou. Temos no grupo também Roy Harper, o antigo Ricardito, ex-parceiro do Arqueiro Verde (será que nesse novo universo ele foi ajudante do Arqueiro também?) e Estelar, a alienígena, ex-escrava e... bem, não tem outro jeito de dizer isso, vagabunda.

Lodbell confunde "mulher forte" com "mulher promíscua" e mata qualquer possibilidade de ver a história como outra coisa senão como a chance de mostrar o corpo seminu de uma personagem idealizada pelo imaginário masculino estereotipado. Não só Estelar é desenhada por Kenneth Rocafort como uma deusa grega, ela é também uma ninfomaníaca, o que o Capuz e Ricardito levam numa boa (quase se cumprimentando por ambos estarem se dando bem por ali). A continuar assim, espere por um ménage a trois por volta do nº3 ou antes.

Leonardo:
Muito ruim. A vontade é deixar apenas essas duas palavras como comentário. Mas já que passei pelo sofrimento de ler a edição, é melhor falar um pouco. Desde o anúncio de todas as 52 revistas, achava que essa seria a pior, e não me enganei. Nada funciona.

O Capuz Vermelho em essência é um personagem perdido. Desde que trouxeram Jason Todd de volta ao mundos dos vivos, ninguém soube o que fazer com ele: tentaram transformá-lo em vilão, herói, matador da bandidagem, arrependido, furioso, Robin Vermelho e muito mais. O resultado é algo indefinível, sem o menor traço de personalidade. Um personagem com o qual ninguém consegue se importar. E ele continua assim na nova DC.

Já Roy Harper sofre por menos tempo, mas desde que decidiram matar sua filha, tirar seu braço e jogá-lo num poço sem fundo, se tornou um personagem insuportável. Nesta nova versão, volta com um visual ridículo (o que é aquele boné na capa?), motivação não definidas e passado quase em branco, já que as únicas certezas são que ele se tornou um mercenário e foi um titã.

Estelar é outra personagem que vinha sendo maltratada pelos roteiristas após o bom uso em 52. Se tornou fragilizada, uma tonta apaixonada que não tem vida sem seu ex, mesmo que a separação tenha acontecido há anos. E agora é uma vagabunda. Podem falar o que quiserem sobre a liberdade sexual do povo de Tamaran, mas antes as coisas seguiam lógica e sentimentos, agora a personagem está totalmente deslocada e parece sofrer de amnésia seletiva.

A história corre de um lugar para o outro sem entendermos nada, e nem nos importarmos. E a arte de Rocafort é suja como o chão do esgoto. O “artista” só capricha (bem pouco) nas cenas onde tem que mostrar o corpo quase nu de Estelar.

- CATWOMAN
Roteiro: Judd Winick
Arte: Guillem March

Leandro:
À essa altura você talvez já tenha lido muito a respeito da nova revista da Mulher-Gato. Assim como Red Hood and the Outlaws, Catwoman tem vários problemas com a forma como mulheres são representadas nos quadrinhos. Aqui, ou elas são prostitutas, ou são gordas e gente fina ou são... prostitutas que não cobram. O roteirista Judd Winick tem o mesmo problema que Scott Lodbell quando o assunto é retratar mulheres: confundir personagens femininas fortes com personagens femininas devassas. É só ler o trabalho de autores como Terry Moore e os irmãos Hernandez para aprender a diferença, mas parece que para Winick e Lobdell, Moore e Jaime Hernandez ainda são desconhecidos.

A história é um plágio de parte do filme Rock`N`Rolla, de Guy Ritchie, com direito a gangues russas e uma pintura que dá sorte desaparecida. A Mulher-Gato usa lingerie vermelha, não tem o menor problema em se exibir e transa com o Batman no final, de alguma forma que ainda não foi explicada, o sexo acontece mesmo com ambos ainda usando a maior parte de seus respectivos uniformes.

Catwoman é uma revista gratuita, ofensiva, chata, mal escrita, mal elaborada, mal pensada, mal executada. É tudo aquilo do que todas as editoras de quadrinhos deveriam se afastar condensado num único lugar. Mantenha distância.

Leonardo:
Judd Winick até sabe escrever boas personagens femininas quando quer, como fez com a Ricardita em Arqueiro Verde, o problema é que ele aparentemente não quer isso. Sua carreira é cheia de vícios: com exceção dos Exilados na Marvel, não escreveu bem uma única fase por inteiro em qualquer outra revista. E sempre enche suas tramas de homossexuais e sexo, em 99% das vezes sem necessidade ou propósito.

Agora que tem um desenhista famoso por suas mulheres, a coisa saiu do controle. A Mulher-Gato agir assim não é tanto problema, afinal a personagem é um símbolo sexual, sempre teve casos com o Batman e é uma ex-prostituta (ou era na cronologia antiga, na nova, quem sabe...). É o restante da personalidade dela que não cola. Aqui ela não deseja proteger suas ex-colegas prostitutas, não parece viciada em roubar, é sim só “mais uma” fora-da-lei, sem nada demais por enquanto.

A história é tão perdida quanto a personagem, não indo a lugar nenhum. E ainda retomam a ideia da Mulher-Gato e Batman se relacionarem sem saberem as identidades secretas um do outro, algo que soa cansativo e mesmo assim vira e mexe é resgatado.

- CAPTAIN ATOM
Roteiro: J.T. Krull
Arte: Freddie Williams II

Leandro:
Mais um personagem que eu nunca tinha ouvido falar. A revista do Dr. Manhat... digo, do Capitão Átomo é um grande nada. Os desenhos de Williams são quase bons, o cientista principal é uma citação direta a O Sono Eterno, de Raymond Chandler, e a história mistura um verniz de ficção-científica com explicações parcas a respeito dos poderes do personagem principal. Uma catástrofe natural bizarra leva ao fim da trama, sem deixar nenhuma vontade de voltar.

Leonardo:
Uma palavra define bem essa nova versão do Capitão Átomo: genérico. Quem nunca leu nada do personagem encontrará uma história que não é ruim, mas também não acrescenta nada. A personalidade do herói é nula.

Quem já o conhece se decepcionará com uma nova origem pouco explicada, que parece tirar todo o drama emocional da primeira versão contada pela DC Comics. O visual pobre, obviamente criado para nos remeter ao Dr. Manhattan (de Watchmen) não funciona, e o mesmo pode se dizer do “novo” Dr. Megala, que não tem um décimo do estilo do original.

Mas uma coisa se salva, a arte de Williams surpreende muito, já que o desenhista, antes simplesmente péssimo, adota um novo estilo menos cartunesco.

- BLUE BEETLE
Roteiro: Tony Bedard
Desenhos: Ig Guara
Arte-final: Ruy Jose

Leandro:
Blue Beetle tem alguns problemas bem básicos. O pior: o nome completo do personagem principal não é mencionado uma única vez durante a história toda. Aqui vai uma dica: apresente seu personagem principal na primeira história, sim? Outro problema é o excesso de estrangeirismos, já que os personagens principais são mexicanos ou descendentes destes. Para quem fala português pode não ser uma grande dificuldade, mas para norte-americanos talvez seja.

Afora isso, a história traz um aspecto interessante que é a possibilidade de interação com os títulos dos Lanternas Verdes, mas os conflitos pessoais entre os personagens são enormes clichês da comunidade hispânica nos Estados Unidos misturados com clichês de dramas adolescentes escolares.

Nem os desenhos do brasileiro Ig Guara, que conseguem ser bem melhores do que são mostrados aqui, salvam alguma coisa. O roteirista Tony Bedard conseguiu apenas fazer o Besouro Azul da nova DC ser uma nova grande decepção.

Leonardo:
Mais uma revista que não tem nada demais. Tem a vantagem de realmente apresentar a origem do herói para novos leitores, coisa que a maioria das revistas até aqui não fez.

Já o leitor antigo vai se decepcionar muito em ver recriados quase iguais muitos elementos que foram apresentados há poucos anos. A principal mudança é que aparentemente os dois Besouros Azuis anteriores nunca existiram. Paco se transformar no estereótipo definitivo dos mexicanos sob o ponto de vista americano, enquanto Brenda não cheira nem fede, estragando dois ótimos coadjuvantes.

A arte de Guara não é ruim, mas é inconstante, mudando de estilo página a página, em alguns momentos lembrando o traço de Todd Nauck.

- SUPERGIRL
Roteiro: Michael Green, Mike Johnson
Desenhos: Mahmud Asrar
Arte-final: Dan Green, Mahmud Asrar

Leandro:
Aqui está um problema enorme. Esta é a sexta vez que a revista da Supergirl é relançada e talvez a ducentésima que ela troca de uniforme. Não são raras as brincadeiras na internet sobre novas possíveis roupas para a heroína. Sobre diferentes formas de retratá-la então, os fanfics abundam (com e sem trocadilhos).

Como vários outros, esse título também teve problemas antes do lançamento, com Brian Wood sendo creditado como o futuro escritor e depois sendo substituído por Michael Green e Mike Johnson. Ambos fazem um trabalho que é bem diferente do que Wood faria. Nem melhor ou pior, mas diferente, se concentrando mais na parte dos poderes e do super-heroísmo.

A história mostra Supergirl chegando à Terra durante uma chuva de meteoros (referência à série de TV Smallvile?) e sendo monitorada até a Sibéria, onde sua nave finalmente para. Logo aparecem mechas que a atacam, ela os ataca de volta e o Superman aparece no final. Sinto que Supergirl será um título mais voltado para os fãs da heroína do que um convite para que novos leitores conheçam a personagem. É uma escolha válida e pensada, que não tira ou coloca méritos extras na revista. Os desenhos de Mahmud Asrar estão bem decentes e, conhecendo o resto do trabalho dele, dá para apostar que, à medida que ele ficar mais confiante com o título, sua arte tende só a melhorar bastante. Para quem for fã da Supergirl, vale ficar de olho durante o primeiro arco de histórias.

Leonardo:
Mais um título fraco e extremamente repetitivo para os leitores antigos. Desde que foi recriada por Jeph Loeb, a Supergirl sofreu com falta de personalidade e roteiros pífios, o que só mudou anos depois quando Sterling Gates assumiu a revista da garota, enfim definindo uma personalidade a ela e definindo um caminho a seguir. Logo que ele saiu o nível voltou a cair e, a julgar por esse novo início, não deve subir tão cedo.

Ao menos o novo uniforme ficou bonito. Há uma boa sacada quando a futura heroína usa sua superaudição, ouvindo falas de alguns dos outros títulos.

- NIGHTWING
Roteiro: Kyle Higgins
Desenhos: Eddy Barrows
Arte-final: J.P. Mayer

Leandro:
Outra história que não acrescenta nada. Kyle Higgins e o brasileiro Eddy Barrows fazem um conto mais ou menos com o Asa Noturna, mas que pouco diz a que veio além de servir como veículo de informações a respeito do restante do universo do Batman.

A trama mostra Dick Grayson patrulhando Gotham -- lugar que Higgins tenta, forçosamente, mostrar para todos que é uma personagem da história -- visitando seu antigo circo e lutando contra um cara que acredita que Grayson é um assassino.

Historinha bem chata, repetitiva e sem sentido de ser. Algumas informações na internet dão conta que a equipe criativa já está mudando, com outra turma assumindo Nightwing a partir do nº4. Vai precisar mudar muita coisa para essa revista se tornar relevante.

Leonardo:
Um bom começo, resgatando o lado mais divertido e aventureiro do Asa Noturna, definitivamente o afastando do peso de ser o substituto de Bruce Wayne. O artifício de mais uma vez usarem o circo como desculpa para explorar o lado pessoal do herói é manjado, mas até funciona. O que cansa é ver Dick Grayson a toda hora começar uma nova vida. Espero que mesmo com a mudança vindoura, não inventem de tirá-lo de Gotham ou algo assim.

E que Barrows continue no título, pois sua arte caiu como uma luva. O novo uniforme também ficou ótimo, embora deva causar arrepios em alguém que não tenha conseguido esquecer o filme Batman & Robin.

- GREEN LANTERN CORPS
Roteiro: Peter J. Tomasi
Desenhos: Fernando Pasarin
Arte-final: Scott Hanna

Leandro:
Essa pode ser a revista dos Lanternas Verdes a ser seguida. Não perde tempo com frivolidades, mostra quem são os dois Lanternas Verdes da Terra, quais são seus problemas, os joga em Oa e de lá para um planeta que foi todo morto por uma criatura superpoderosa.

O escritor Peter J. Tomasi e o desenhista Fernando Pasarin fazem um trabalho muito bom, com alguns problemas de excesso de violência no começo, mas nada que comprometa. A caracterização de Guy Gardner e John Stewart é decente (especialmente Gardner) e quero muito ver o que esses dois vão fazer como líderes de um esquadrão de Lanternas.

Leonardo:
Este é um dos poucos casos em que a revista funciona para novos e antigos leitores. Os novos são fisgados por um mistério e logo apresentados aos dois principais personagens. Os antigos presenciam a volta aos bons tempos, com Tomasi novamente nos roteiros, imediatamente recriando o mesmo clima de antes, quando superava até o título principal da franquia.

A arte de Pasarin vem melhorando a cada trabalho, e agora ele já está se acostumando com os Lanternas, depois de desenhar a revista solo de Guy Gardner.

Existem alguns problemas de continuidade, como citar os Novos Titãs. Nos demais títulos fica subentendido que a equipe existiu em sua formação clássica, mas debandou, e que a geração atual só terá início agora. Outra é a presença de Guy e John na Terra sem falar com Hal Jordan, que em sua própria revista está sem notícias da Tropa.

- LEGION OF SUPER-HEROES
Roteiro: Paul Levitz
Arte: Francis Portela

Leandro:
Como nunca li uma única revista da Legião dos Super-Heróis, não entendi nada que se passa aqui. Mais um título onde o conceito de "voltado para novos leitores" foi solenemente descartado.

Tem vários personagens, que não sei se são novos ou velhos, acontecem algumas coisas que não sei se são inéditas ou não, nomes, conceitos, eventos e vários termos que parecem ser familiares para os leitores da Legião estão aqui, mas pra mim, é uma história que não quer dizer nada, com personagens que não foram apresentados minimamente e pelos quais não tenho a menor empatia.

Se o conflito do final deixa alguma coisa no ar é que todos ali podem morrer sem fazer a menor falta. Afinal, existem pelo menos outros trinte e quatro mil "legionários"! Por que um grupo específico do qual não se sabe nada faria alguma diferença?

Leonardo:
A Legião tem uma história complicada com reformulações: não faz parte de algumas grandes e tem algumas particulares fora de hora, em ambos os casos causando confusão. Desta vez passou imune pela reformulação e o resultado é uma revista que claramente não foi pensada como número 1, mas como a continuidade do que já vinha acontecendo.

De interessante só mais uma vez o fato, já citado em Legion Lost, de que os legionários têm conhecimento de Flashpoint até certo ponto, já que citam que o evento bloqueou as viagens temporais.

- WONDER WOMAN
Roteiro: Brian Azzarello
Arte: Cliff Chiang

Leandro:
A revista da Mulher-Maravilha traz um retorno da dimensão mitológica das raízes da heroína. Começamos com o deus Apollo transformando três garotas em oráculos que dão dicas do que possivelmente será apresentado nas próximas edições. Em seguida, uma pequena parte que lembra mais a série de filmes Jogos Mortais do que uma história em quadrinhos de super-heróis é a aparição da mortal Zola, mulher que se torna um peão numa briga de deuses. A Mulher-Maravilha (ou Diana, como ela prefere ser chamada aqui) entra na briga para proteger Zola a pedido de Hermes, o deus que primeiro veio ajudar a humana. Diana cumpre sua missão, mas Hermes morre logo depois de informar que Zola está grávida de Zeus, gerando uma criança que pode trazer muitos problemas para Apollo.

Talvez o mais complicado de escrever a Mulher-Maravilha seja o fato dela não ser tão icônica quanto Superman ou Batman. Voltar às origens da personagem seria voltar a histórias quase explicitamente sadomasoquistas, cheias de mulheres amarradas e que pregavam uma certa utopia matriarcal idealizada por William Moulton Marston, o criador da personagem. Ao longo dos anos, diversos criadores tentaram dar a Diana uma definição mais sólida e enraizada numa dicotomia entre o mundo dos super-heróis e o da mitologia. O resultado às vezes funciona, às vezes é desastroso, às vezes é só confuso.

O escritor Brian Azzarello e o artista Cliff Chiang acertam em não tentar redefinir a heroína logo de cara. Vemos só o suficiente para entender o que será apresentado depois. Quem conhece o trabalho de Azzarello via 100 Balas sabe que suas histórias funcionam mesmo é no longo prazo, o que é arriscado num mundo onde os leitores, em sua maioria, querem satisfação imediata. Independentemente, sabemos que as histórias terão um elemento mitológico bem presente, veremos magia, batalhas, possivelmente amizade e, sim, uma pitada de sexualidade. Se Catwoman e Red Hood and the Outlaws mostram como não fazer, aqui está um exemplo de como usar elementos que remetem à sexualidade sem ser explícito ou de mau gosto. Basta reler para ver que a história apresenta duas mulheres usando roupas de baixo, mas em nenhum momento esse detalhe é explorado ou colocado em evidência.

Wonder Woman não chega a surpreender, nem mesmo é dos melhores começos de todos, mas deixa no ar elementos suficientes para se pensar no que virá a seguir. E tudo isso na arte linda de Cliff Chiang, que é supereconômica e muito bem feita.

Leonardo:
Depois de ser destruída por J. Michael Straczynski, a Mulher-Maravilha precisava desesperadamente de salvação, sendo um dos casos em que a reformulação veio em muito boa hora.

Azzarello consegue criar uma trama rápida, que pouco explica, mas que consegue criar expectativa no leitor, tudo isso com a bela arte de Chiang, que infelizmente não está tão boa quanto o habitual - talvez falte um arte-finalista.

Funciona bem para um novo leitor, mas o antigo novamente pode estar de saco cheio de ver a heroína muito diferente. Embora a DC queira sempre vendê-la como um ícone no mesmo nível de Batman e Superman, a verdade é que a Mulher-Maravilha quase sempre está muito longe disso. E o motivo é que sua personalidade nunca é definida. Por mais que Batman e Superman passem por mudanças, mantém suas características básicas. Já a Mulher-Maravilha parece um papel em branco a cada novo roteirista.

- DC UNIVERSE PRESENTS
Roteiro: Paul Jenkins
Arte: Bernard Chang

Leandro:
Confesso que eu queria não gostar. A única vez que li uma história do Deadman (ou Desafiador) antes dessa foi numa minissérie que comprei porque gostava do desenhista. O personagem em si nunca me interessou. Até agora.

Paul Jenkins e Bernard Chang fazem de Deadman o personagem mais empático de todos as 52 novas revistas até agora. O Boston Brand deles é um cara "real", que tem problemas com os quais é possível se relacionar e que encontra, no irreal e no sobrenatural, a chance de se redimir. Na verdade, o que Jenkins e Chang fazem é criar um personagem com o qual todo mundo consegue se identificar.

Contar qualquer coisa sobre a história é estragar a surpresa, mas está ali a apresentação do personagem, quais são seus dilemas, quais são muitas das questões que ele terá que responder, enfim, tudo o que o leitor novato precisa saber para acompanhar essa série de perto.

Se tem alguma coisa que fica dessa revista é a vontade de ver o Deadman atuando nos corpos das pessoas que, ao longo da história, ele só cita que já ajudou. Não vejo a hora ler mais coisas a respeito desse Deadman e, arrisco prever, que o encadernado dessa revista será o presente perfeito para aquele seu(ua) amigo(a) que não é ligado(a) em quadrinhos, mas que você acha que se interessaria por uma boa história.

Leonardo:
Depois de uma temporada vivo novamente, o Desafiador volta às origens numa boa história de Paul Jenkins e, miraculosamente, sem um novo visual!

A história não altera nada nas origens e motivações do herói morto, embora cause estranhamento de fato ver Rama, que sempre era uma presença sem forma definida, salvo raras e rápidas exceções.

Embora boa, a história não tem nada demais, pois cai na mesmice das tramas do personagem, embora funcione bem como “porta de entrada”. Jenkins, roteirista cheio de altos e baixos, peca aqui só com alguns momentos exageradamente melodramáticos.

- BATMAN
Roteiro: Scott Snyder
Desenhos: Greg Capullo
Arte-final: Jonathan Glapion

Junto de Batman and Robin, essa é a outra revista do universo do morcego a ser seguida. Escrita por Scott Snyder e desenhada por Greg Capullo, Batman traz tudo o que se espera de uma história do herói e mais um tanto. Snyder já disse que sua história terá uma ligação forte com Gotham e ele faz isso de forma muito mais inteligente do que Tony Daniel tenta fazer em Detective Comics.

A história mostra o Batman detendo uma rebelião no Arkham (nada de original aqui), conversando com a polícia de Gotham e depois o herói é deixado de lado por algumas páginas para encontrarmos Bruce Wayne e os seus "assessores" mais próximos: Alfred, Tim Drake, Dick Grayson e Damian. Nesse momento vemos duas coisas que separam esse título do restante das revistas do morcego: a primeira é a sagacidade com a qual Snyder faz a interação entre os personagens e as situações que podem se desenvolver ao longo da série; e a segunda é Greg Capullo. Ainda que tenha também uma arte datada, bem típica dos anos 90, Capullo é dono de uma narrativa visual muito melhor do que aquela de seus pares, como Jim Lee, Marc Silvestri ou David Finch. Imediatamente ele define as proporções que separam Bruce de Tim, Dick e Damian, brincando com os formatos como um cartunista. Ao final da história, vemos que essa diferenciação será importante para a própria narrativa, já que tanto Wayne quanto Grayson terão papel importante no primeiro arco de histórias.

Repito: se for para escolher as melhores, Batman e Batman and Robin são as revistas do morcego a serem seguidas de perto.

Leonardo:
Snyder continua seu ótimo trabalho com o Batman, trabalhando algo que ficou de lado nas outras revistas, com o herói se relacionando com seus principais aliados. E ainda consegue inserir tantas situações interessantes que até parece que a revista tem mais páginas.

O ponto fraco é a arte de Capullo. Embora dinâmico, o traço está pior do que nunca, todos parecem monstros e os rostos não são bem definidos.

Veja também:

- A Nova DC - Parte 1
- A Nova DC - Parte 2
- A Nova DC - Parte 3
- Notícias sobre Flashpoint
- Notícias sobre a DC Comics

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Batman #1
 


 

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