MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
16/12/2011
MATÉRIA: A NOVA DC - PARTE 5
 
 
Aquaman #1
 
 
Batman: The Dark Knight
 
 
Blackhawks #1
 
 
Green Lantern: New Guardians #1
 
 
I, Vampire #1
 
 
Justice League Dark #1
 
 
The Savage Hawkman #1
 
 
The Fury of Firestorm: The Nuclear Man #1
 


E enfim a última parte de nossa matéria analisando os “novos 52” da DC Comics. Não que a editora pense em parar por aqui, já planejando novos títulos para o segundo trimestre de 2012, mas enquanto estes não são anunciados oficialmente, ficamos só com essa primeira leva. Sempre lembrando: essa série de artigos conta com os “dois lados da moeda”: Leandro Damasceno – leitor que não acompanhava regularmente a DC antes da reformulação, e Leonardo Vicente – fã de longa data da editora.

- AQUAMAN
Roteiro: Geoff Johns
Desenhos: Ivan Reis
Arte-final: Joe Prado

Leandro:
Aquaman faz parte de uma enorme lista de personagens que poderiam ser incríveis, mas que sempre sofreram com roteiristas mesquinhos ou com conceitos mal interpretados. A última vez que me lembro de ler alguma coisa que prestasse com o Aquaman foi quando Peter David escreveu o personagem e duvido que essa seja uma fase muito reverenciada pelos seus fãs mais ardorosos.

Reverenciada ou não, Geoff Johns bebe um pouco da fonte de David ao retratar um Aquaman muito sério e durão, como alguém que grita por todos os poros "eu sou forte e mereço ser respeitado". A genialidade da história está no fato de que todos aqueles que interagem com Aquaman sentem que essa é mesmo a postura dele: sempre querer ser levado a sério. Esse fato cria situações interessantes, além de servir, numa cena específica, para que conheçamos mais sobre a história do personagem na nova DC.

Johns continua péssimo nos diálogos, mal disfarçando falas como pacotes de informação, mas ele achou um ângulo interessante com o qual lidar com o Aquaman e merece, só por isso, vários créditos. A arte de Ivan Reis continua perfeita para uma revista de super-heróis.

Leonardo:
Divertidíssima primeira edição. Embora não use muito humor em seus trabalhos, Johns sabe fazer isso muito bem, como comprovou lá no início de sua carreira, em Stars & S.T.R.I.P.E. As piadinhas com Aquaman não apenas divertem como aproveitam para fisgar novos leitores, pois essas piadas são exatamente as informações que um não leitor tem sobre o personagem, principalmente por conta de vinhetas do Cartoon Network.

A constituição do personagem é bem feita, pegando o lado sóbrio sempre presente, e com uma ideia nova: fazer com que o herói more na superfície, tentando conviver com os humanos. Apenas Mera causa estranhamento, passiva demais.

A arte de Reis e Prado é um show a parte, principalmente nas cenas envolvendo civis tirando sarro do herói.

- BATMAN: THE DARK KNIGHT
Roteiro: Paul Jenkins, David Finch
Desenhos: David Finch
Arte-final: Richard Friend

Leandro:
Antes da reformulação, alguém da DC teve a infeliz ideia de dar um título para David Finch escrever e desenhar. A revista nunca saiu dentro dos prazos estipulados e, como a ideia infeliz permaneceu após a reformulação, chamaram Paul Jenkins para ajudar Finch nos roteiros e deixá-lo mais livre só para desenhar.

Finch é um dos piores desenhistas ainda em atividade no mercado de quadrinhos. Anatomia, narrativa visual, caracterização, forma e fundo, enfim, o conhecimento de técnicas básicas de desenho parece ser inexistente nos trabalhos dele. Assim sendo, quase tudo fica comprometido em seus desenhos, mas ele tenta esconder esses defeitos atrás de mil detalhes estilísticos chupados dos desenhistas que fizeram sucesso na década de 90.

Ainda assim, é Finch quem comanda The Dark Knight. Jenkins pode ter escrito falas e cenas, mas não há dúvida de que a história é de Finch. O que significa vários momentos de poses super-heróicas sem sentido, mulheres vestidas parcamente sem motivo algum e roteiro sem pé nem cabeça. Com direito a um Duas-Caras que vira "uma-cara" e fica do tamanho do Hulk.

Passe longe de Batman: The Dark Knight.

Leonardo:
É, essa não tem como defender. Não é um título ruim, é um título horrível. Também nunca entendi como Finch faz tanto sucesso sendo tão ruim. Todo mundo tem a mesma cara, todos têm duzentos músculos a mais do que um ser humano deveria ter, e por aí vai.

Fica claro que a revista deveria ter sido lançada antes da reformulação, pois percebemos que este não é o novo uniforme do Batman. E a ausência de uma mão firme entre os editores é o maior defeito. Não bastasse deixarem Finch desenhar e escrever (duas coisas que ele simplesmente não sabe), ainda repetem parte do plot de Batman, com outra tentativa de fuga em massa do Asilo Arkham.

Um personagem ter vários títulos sempre traz problemas, mas é obrigação do editor evitar a repetição de temas, principalmente num espaço de uma semana, em edições que chamam tanta atenção.

- BLACKHAWKS
Roteiro: Mike Costa
Desenhos: Graham Nolan
Arte-final: Ken Lashley

Leandro:
Blackhawks é um título complicado. Nos anos 80, sob a batuta de Howard Chaykin, se tornou uma das mais respeitadas HQs de todos os tempos. Foi alvo de experimentações e ajudou Chaykin a criar um novo dialeto para as histórias em quadrinhos. O roteirista Mike Costa e o artista Graham Nolan, responsáveis por essa nova fase, passam longe disso tudo, o que foi a coisa mais inteligente a se fazer.

De certa forma, Blackhawks faz parte de uma linha de HQs da nova DC na qual também estão presentes, entre outros, Frankeinstein: Agent of S.H.A.D.E. Ou seja, a agência/corporação/aglomerado de espionagem/defesa que ninguém conhece, mas que faz trabalhos no mundo inteiro. Em vários outros títulos os personagens lidam com organizações secretas esquisitas, mas esses dois títulos são focados em agências esquisitas e no que elas fazem.

A história de Blackhawks é bem simples: um time de agentes impede um ataque terrorista, mas percebe que essa missão pode ser o começo de vários problemas futuros. Quais serão esses? Não sei se quero ficar para descobrir.

Leonardo:
Este foi o mais desanimador dos títulos até aqui. Não explica muito, não cria personagens simpáticos, nem deixa algum suspense aproveitável. E ainda tem uma arte ruim, que não condiz com o ótimo trabalho de toda a carreira de Nolan. Provavelmente efeito da finalização de Lashley, quem um dia no passado até foi um desenhista razoável, mas que nos últimos anos só piora.

E, no final das contas, não dá para encarar isso como uma nova encarnação dos Falcões Negros, pois tudo é tão genérico que poderia ter qualquer nome. Entre os outros títulos, todos me deixaram com vontade de ler a próxima edição, seja por sua alta qualidade ou até para saber o que mais poderiam estragar. Blackhawks é o único que não me causa nenhuma curiosidade.

- GREEN LANTERN: NEW GUARDIANS
Roteiro: Tony Bedard
Desenhos: Tyler Kirkham
Arte-final: Batt

Leandro:
Então Oa parece que foi destruída e sobrou um único guardião. O derradeiro anel é levado para a Terra e Kyle Rayner se torna o novo Lanterna Verde. Talvez o último Lanterna Verde.

Eu gosto do Rayner. Lembro quando Hal Jordan pirou e morreu e Rayner assumiu como o Lanterna da Terra. Namorada na geladeira e tudo mais. E parece que o escritor Tony Bedard gosta dele também, uma vez que Rayner é mais do que apenas o personagem principal da história.

História que, aliás, finalmente me conta que existem outros Lanternas ao redor da galáxia. Nenhum dos outros títulos da linha Green Lantern se deu ao trabalho de dizer: "ei, novos leitores, existem outras cores de anéis além de verde e amarelo, ok?" Não rola aqui uma enorme explicação, mas pelo menos Rayner fala com um guri que existem mais Lanternas.

Na trama, um membro de cada esquadrão (eu acho, não sei quantos são) perde seu anel em função de um novo escolhido no setor da Terra. Ao final da história, descobrimos que todos esses anéis escolheram Kyle Rayner, o que dá a deixa para uma segunda edição cheia de pancadaria.

Green Lantern: New Guardians é legal e interessante. O desenhista Tyler Kirkham melhorou exponencialmente desde seus dias como copiador do Marc Silvestri, mas ainda acho que Green Lantern Corps é o título dos Lanternas Verdes a ser seguido. Se for para escolher dois dos Lanternas, New Guardians seria a outra opção.

Leonardo:
Tony Bedard vinha muito fraco na Tropa dos Lanternas Verdes, escrevendo histórias que descaracterizavam os heróis. Kirkham piorava tudo com uma arte muito suja. Ambos melhoraram muito em New Guardians.

Não, não estão perfeitos ainda. Bedard perde muito tempo recontando parte da origem de Kyle Rayner, alterando detalhes que não necessitavam de mudança, e ainda deixando o novo leitor perdido, pois pode não perceber que aquela parte da história se passa anos (ou meses, vai saber) atrás. Kirkham está com o traço menos poluído e se, como boa parte dos profissionais dos quadrinhos, for melhorando com o tempo em que fica num mesmo título, pode até mesmo se tornar bom.

- I, VAMPIRE
Roteiro: Joshua Hale Fialkov
Arte: Andrea Sorrentino

Leandro:
I, Vampire é a tentativa de DC de se aproximar do mercado que tornou Stephanie Meyer, autora da série Crepúsculo, numa bugazilionária. No entanto, a história corre o risco de afastar justamente os leitores do romance vampiresco adolescente, uma vez que o que Joshua Hale Fialkov e Andrea Sorrentino mostram aqui é uma história que requer certo esforço do leitor.

A trama segue um casal de vampiros que se desentendem em relação às suas posturas quanto a serem criaturas da noite. Mary, a rainha, está cansada de se esconder, acredita que os humanos são inferiores e pretende sair das sombras para caçar e matar e pilhar e destruir. Andrew, o vampiro caçador que transformou Mary, acredita na coexistência pacífica (familiar? Claro que é). Ambos estão apaixonados, mas não podem ficar juntos. A história é construída em duas linhas de tempo que se encontram eventualmente. Uma, anterior, mostra a discussão dos dois sobre seus pontos de vista, e a outra, no presente, narra o que acontece depois que tudo já bateu no ventilador.

Os dois personagens são bem trabalhados, dentro do que se pode esperar para um primeiro número, e Fialkov ainda consegue atar a história ao restante do Universo DC e mostrar um pouco do passado de Mary e Andrew sem ficar transformando diálogos em FAQ. A arte de Sorrentino, apesar de ser muito inspirada em Jae Lee, é lindíssima e funciona perfeitamente tanto nas partes de batalha entre vampiros quanto nos momentos de romance.

Uma boa surpresa que pode agradar bastante os fãs da linha Vertigo, adolescentes acima da idade de Crepúsculo -- mas que curtiram Bella e Edward e estão preparados para algo mais substancioso -- e marmanjos que sentem falta de histórias de vampiros onde esses podem ser de fato assustadores.

Leonardo:
Uma aposta arriscada da DC, além de resgate de um personagem clássico e um tanto obscuro, I, Vampire começa bem, com clima de terror e suspense, cores escuras, um herói não tão santo, enfim, elementos que caem bem ao tema proposto.

Realmente a arte de Sorrentino lembra muito Jae Lee, com a diferença de que sabe desenhar poses diferentes, além das cinco que Lee costuma usar eternamente.

- JUSTICE LEAGUE DARK
Roteiro: Peter Milligan
Arte: Mikel Janin

Leandro:
Justice League Dark é a revista de super-heróis mágicos da nova DC. Lembra de uma antiga série publicada no Brasil com o nome Brigada dos Encapotados? JLD é mais ou menos aquilo, mas com supers e sem palavrões. John Constantine (ou o que se passa por John Constantine na DC normal), Madame Xanadu, Shade, o Homem Mutável, Zatanna e Desafiador estão neste primeiro número. Bem como também está a Liga da Justiça. Peter Milligan escreve o que talvez seja o pior de todos os 52 novos títulos até agora, Red Lanterns, então eu estava com todos os pés atrás com essa revista, mas tenho que confessar que a história é bacana.

A trama é narrada quase toda por Xanadu, pobre coitada que viu o futuro e não gostou nada do que está por vir. Aos poucos vamos conhecendo quem fará parte da equipe e como o mundo parece ter virado de cabeça pra baixo. A responsável pelas loucuras que assolam o planeta é uma tal Magia (ou Encantadora, dependendo do tradutor), agora um espectro estranho que pirou de vez e está desbalanceando a existência.

Milligan tem o bom senso de não tentar explicar tudo logo de cara, dando mais atenção para Xanadu, Shade (que, parece, será o líder da Justice League Dark, o que é muito errado e por isso mesmo tem a possibilidade de ser muito bacana) e June Moon. Moon é a identidade civil da Encantadora, ou pelo menos era. Aqui a menina é uma perdida que se vê reduplicada infinitas vezes e vaga quase sem rumo em busca de um "homem morto".

Talvez Justice League Dark funcionasse melhor dentro do selo adulto Vertigo, mas ainda assim levanta algumas questões interessantes. Deixar Milligan pirar sobre o que ele quiser é como o seu trabalho rende melhor (vide X-Táticos, por exemplo) e essa revista nada mais é do que uma desculpa para pensar maluquices. Ou seja, perfeita para o autor britânico. Os desenhos de Mikel Janin são quase sempre muito bons, bastante limpos e narrativamente consistentes. Não sei se JLD será o título que o transformará num artista de ponta no mundo das HQs americanas, mas ele tem tudo para o ser.

Leonardo:
Maluquices e misticismo juntos criam o cenário perfeito para Peter Milligan, o deixando bem a vontade. Sempre adorei os personagens mágicos da DC, então sou suspeito para falar, mas a composição da equipe ficou muito interessante, reaproveitando ideias apresentadas em Flashpoint.

Janin, cujo trabalho eu não conhecia, me surpreendeu positivamente, com uma arte bonita e limpa, embora falte um pouco de dinâmica em cenas com mais ação.

Meu único problema com a revista é seu nome. Odeio a tendência atual de criar franquias do nada. A Liga da Justiça Internacional tem uma tradição de anos, então tudo bem, mas o que justifica essa nova equipe ser a “Liga da Justiça Sombria”? Ainda mais quando lembrarmos de equipes similares, como o Pacto das Sombras, Brigada dos Encapotados e Sentinelas da Magia.

- THE SAVAGE HAWKMAN
Roteiro: Tony S. Daniel
Arte: Philip Tan

Leandro:
Hawkman é uma história de ficção científica misturada com super-heróis. Tem um pouco do clima das antigas revistas pulp, mas com umas dez toneladas a mais de pretensão. Os desenhos de Philip Tan estão anos luz a frente das bombas que ele produziu quando desenhou Batman e Robin em 2009, com uma ajuda preciosa do colorista Sunny Gho.

Contar a respeito do roteiro de Tony S. Daniel seria estragar a surpresa do final e da própria natureza do herói nessa nova fase. Basta dizer que se veem mistérios alienígenas misturados com ação, lutas sangrentas, um alien, uma arma que mistura maça com machado e extremo esforço para ser cool antes de ser uma história com a qual alguém vai se importar.

Leonardo:
Tony Daniel vem melhorando aos poucos como roteirista nas tramas do Batman, mas em Gavião Negro coloca tudo a perder. Até cria algum mistério, mas enche os diálogos de frases prontas das mais terríveis, muitas vezes fazendo os personagens soarem idiotas.

Tan é o destaque com uma arte bonita, muito diferente do seu comum, mais parecendo uma mistura de Francis Manapul com Dustin Nguyen. O novo visual do Gavião Negro ficou bonito, espantando o medo causado pelas primeiras artes divulgadas. Agora é preciso espantar a confusão inicial do roteiro para tentar salvar o personagem.

- SUPERMAN
Roteiro: George Pérez
Arte: George Pérez, Jesús Merino

Leandro:
Superman é um prato cheio. Tem de tudo: mistérios, mais criaturas alienígenas, romance, intrigas corporativas, amizades questionadas e corações partidos. Uma bela estreia para um herói que merece ser louvado quer você goste dele ou não.

A história começa com uma mudança radical na vida dos personagens: o Planeta Diário acaba de ser vendido para uma grande corporação midiática. Perry White ainda é editor, mas responde a uma supervisora; Lois Lane deixou a versão impressa do jornal para se dedicar à TV e a divisão de notícias digitais; Jimmy Olsen está fotografando nas ruas ao lado de Miko, cinegrafista e especialista em computadores. E Clark Kent... bem, ele não está gostando nada das mudanças. Ainda um repórter do jornal impresso, Clark tem que se virar com tudo o que está acontecendo ao seu redor, mas ele não está sabendo fazer isso.

É uma pena que a maior parte das notícias acerca de Superman #1 tenham ficado presas ao fato de Lois Lane ter um namorado que não é Clark Kent, porque a história é rica. A cena na qual Clark descobre que Lane tem outro homem em sua vida é de cortar o coração e funciona muito bem. De cortar o coração também é saber que George Perez deixará o título em breve, porque o que ele promete construir com a primeira edição é uma mitologia que poderia retornar o Superman ao panteão dos super-heróis relevantes. Quer você goste disso ou não.

Leonardo:
George Pérez deveria escrever mais, pois o faz muito bem. Ele resgata muito do clima do Superman e do Planeta Diário do finalzinho dos anos 80, inserindo a tecnologia atual para criar um conflito de gerações muito interessante. Diga-se de passagem, a história é muito mais do Planeta Diário do que do Superman.

A arte não é feia, mas está estranha. Pérez faz os rascunhos e Merino todo o resto. O resultado é algo até competente, mas sem estilo, que não fica no estilo nem de um nem do outro.

- TEEN TITANS
Roteiro: Scott Lobdell
Desenhos: Brett Booth
Arte-final: Norm Rapmund

Leandro:
Não tem outro jeito de dizer isso: Teen Titans, é horrível. Previsível, chato, mal desenhado, mal escrito, diálogos tirados direto de um filme do Michael Bay com efeitos especiais do Chapolin.

A história: Robin Vermelho (Tim Drake) deixou o trabalho de campo para se tornar uma espécie de Julian Assange teen. Quando ele é atacado em uma de suas coberturas superluxuosas em Nova York -- o perfeito lugar para se esconder, como todos sabem -- ele volta às ruas e vê a necessidade de montar uma equipe de adolescentes para que esses possam se proteger, uma vez que tanto a agência que o atacou (chamada N.O.W.H.E.R.E.), quanto a opinião pública não curtem os moleques com superpoderes.

Teen Titans poderia competir com Red Lanterns pelo título de pior revista do relançamento. Só não o faz porque TT ganha disparado: Ed Benes, de Red Lanterns, desenha melhor do que Brett Booth.

Leonardo:
Ignorar toda a mais recente geração dos Novos Titãs é um erro gigantesco. Entristece o leitor antigo, acostumado a esses personagens, e ao novo, que se divide em dois tipos: os que não vão entender nada e os que esperavam ler algo parecido com o desenho da Justiça Jovem.

Para piorar, com exceção do Robin Vermelho, os demais personagens estão totalmente descaracterizados. Tudo bem que é uma reformulação, mas quando você relança um personagem a ideia é inovar o cenário, trazer tal personagem para um mundo mais atual, não destruir tudo que ele é e foi.

Para piorar ainda mais, Booth faz o melhor trabalho de sua carreira. Não entendeu? Simples, ele é um desenhista tão ruim, mas tão ruim, que isso é o melhor que conseguir fazer em vários anos.

- FLASH
Roteiro: Francis Manapul, Brian Buccellato
Arte: Francis Manapul

Leandro:
A revista do Flash foi relançada pouco antes da DC resetar tudo, com Geoff Johns nos roteiros e Francis Manapul na arte. Foi um relançamento muito bem sucedido, com Johns escrevendo boas histórias e Manapul aumentando o nível de tudo com desenhos maravilhosos. O sucesso foi tanto que ofereceram o título a Manapul depois da reformulação. Ou seja, ele agora acumula as funções de roteirista e desenhista do novo Flash. Ao seu lado, nos roteiros e nas cores, está Brian Buccellato e ambos fazem um trabalho competente nesta primeira edição.

História muito simples e bem executada, mostrando o Flash tendo que lidar com seus poderes, mulheres e fantasmas do passado. O final ainda deixa um gancho intrigante para a próxima edição.

Assim como no volume anterior, quase todo o mérito vai para a arte de Manapul e Buccellato. Dupla fantástica que faz algumas das páginas mais bonitas da DC Comics atual. Mesmo que a história não seja lá essas coisas, enquanto os dois estiverem desenhando Flash, esse título vale à pena.

Leonardo:
Muita gente torceu o nariz quando anunciaram Manapul e Buccellato como roteiristas, mas não é que a dupla se saiu bem? Mantiveram o clima leve e as investigações policiais da fase anterior e continuam a arrasar na arte.

O único porém? Iris e Barry não são mais casados. Rolou alguma lei proibindo super-heróis de continuarem casados e eu não percebi? Até concordo que o Superman funciona melhor sem estar casado com Lois, mas os Flashes têm uma tradição de casarem e terem filhos e o amor por suas esposas mais de uma vez os salvaram quando quase absorvidos pela Força de Aceleração. Ou seja, é um ponto muito importante na mitologia dos velocistas.

- THE FURY OF FIRESTORM: THE NUCLEAR MAN
Roteiro: Ethan Van Sciver, Gail Simone
Arte: Yildiray Cinar

Leandro:
Uma das principais funções da primeira edição de uma história em quadrinhos é construir personagens ou mitologias que intriguem o leitor, que o façam pensar a respeito do que está lendo, se divertir com aquilo e querer voltar para a segunda, terceira, centésima quinquagéssima sétima edição e assim por diante. The Fury of Firestorm não faz nada disso.

Ethan Van Sciver & Gail Simone escrevem e Yldiray Cinar desenha uma história de origem mal tramada e corrida, cheia de mais buracos do que de espaços para perguntas que podem levar os leitores a voltarem no mês seguinte. Os dois personagens principais são um atleta gente boa e um nerd gênio que é, na verdade, um babaca. A inversão dos estereótipos não torna a coisa mais agradável. Na verdade, faz de ambos pouco críveis e muito chatos. De fato, os personagens mais carismáticos da história são os terroristas assassinos sanguinários que estão atrás do artefato que transformará o atleta e o nerd no herói conhecido no Brasil como Nuclear. Fiquei mais empolgado com a possibilidade de um desses terroristas ganhar superpoderes do que com o "drama" dos personagens principais.

The Fury of Firestorm é mais uma para se passar longe. Pelo menos os desenhos de Cinay são legais, mas falta um arte-finalista para que tenha a força necessária para carregar essa revista nas costas.

Leonardo:
Boas ideias jogadas demais, uma primeira edição que não nos dá a real dimensão do que se trata a revista. E personagens descaracterizados, para variar. Retirar o Professor Stein da equação raramente dá certo quando se trata do Nuclear e aqui, mesmo que citado, o personagem faz falta.

Pior é lembrarmos que ao final de O Dia Mais Claro foi deixada uma bela ponta com o Nuclear, ponta essa que nunca será aproveitada, já que estes Nucleares começam do zero. Pelo menos a arte é de alto nível e a ideia de vários Nucleares, se bem desenvolvida futuramente, pode render bons frutos.

- VOODOO
Roteiro: Ron Marz
Arte: Sami Basri

Leandro:
Sabe qual a vantagem de ter uma personagem que é uma stripper? Você pode ser gratuito o quanto quiser que não vai parecer tão gratuito assim, já que está lidando com uma stripper. Isso não faz de Voodoo menos misógino, mas pelo menos tenta disfarçar o fato de que a história lida com mulheres submissas e seminuas o tempo inteiro.

Mais uma criação importada da Wildstorm, a Vodu de agora é bem diferente de sua encarnação anterior. Aqui, a personagem sabe que é uma alienígena e se esconde atrás de uma fachada humana (e voluptuosa) para, supostamente, conhecer a humanidade. Existe um casal de agentes destacados para vigiá-la e o homem é quem vai confrontá-la em relação às opções dela quanto a sua permanência pacífica na Terra. As coisas não correm como ele planejou e o final mostra uma reviravolta bacaninha.

Só que é difícil separar essa história da quantidade de corpos seminus que abundam durante a revista. Vodu aparece tirando a roupa no palco, se arrumando num quarto onde outras strippers se preparam para tirar a roupa e tirando a roupa de novo numa dança privativa. Ron Marz consegue construir caracterizações mesmo nessas circunstâncias, associado à arte competente de Sami Basri, mas não o suficiente para apresentar a personagem título de forma consistente.

Voodoo #1 não conta porque a antiga membro do Wildcats tem uma revista própria e nem porque deveria continuar a ter.

Leonardo:
Apesar da linda arte de Sami Basri, essa nova encarnação da Vodu não diz a que veio. A escolha, mesmo inicialmente, antes de sabermos qualquer detalhe, não teve nenhuma lógica, já que a personagem nunca teve destaque anteriormente, funcionando apenas como integrante dos Wildcats, por muito tempo sendo o elo mais fraco da equipe.

Marz tenta fazer algo diferente, mas no final das contas nos faz é ter antipatia pela personagem, que neste primeiro momento está muito mais para vilã do que heroína.

- ALL-STAR WESTERN
Roteiro: Jimmy Palmiotti, Justin Gray
Arte: Moritat

Leandro:
A revista Jonah Hex era uma das melhores coisas que a DC publicava antes da reformulação. Escrita por Jimmy Palmiotti e Justin Gray, com desenhos de vários artistas convidados (fronteados muitas vezes por Jordi Bennet), a revista era composta por, quase sempre, histórias completas contadas em um única edição. De temática mais adulta, Jonah Hex fazia juz aos velhos filmes de faroeste onde fora inspirada e ainda conseguia trazer traços inéditos a um gênero que existe há dezenas de anos. Não por acaso, o sucesso dessa revista rendeu um filme do personagem. Sobre a (falta de) qualidade do filme, não falaremos neste momento.

Bem, com uma audiência para faroeste construída, a DC resolveu manter uma revista da época ainda ativa depois da reformulação. Continuando com Palmiotti e Gray à frente da produção e Jonah Hex como personagem principal da série, a editora ressuscitou um velho título e All-Star Western nasceu. Pode parecer que pouca coisa mudou, mas a revista é outra. Muito mais próxima do universo de super-heróis da DC, Hex agora está numa Gotham City do século XIX, onde os leitores antigos podem se deliciar com nomes conhecidos que pipocam durante toda a história.

A trama segue o Dr. Arkham e Hex numa investigação que pretende descobrir quem é o assassino serial que está matando prostitutas pela cidade. Ou seja, nada mais que uma convenção do gênero reencenada pela milésima vez, mas, como disse antes, Palmiotti e Gray não primam pelo ineditismo, mas pela execução. E All-Star Western é uma revista bem feita. Hex é um clichê ambulante e o falatório freudiano de Arkham às vezes enche, mas a história funciona, lembrando edições de Batman Elseworld (Batman: Túnel do Tempo, no Brasil), só que sem o Batman.

Mesmo não sendo como a velha Jonah Hex, All-Star Western promete. Para quem é fã de faroeste e da DC, é a pedida perfeita. Ajuda também o fato de ter Moritat nos desenhos. Anote aí: esse cara será um nome importante da indústria em pouco tempo.

Leonardo:
Jonah Hex continua ótimo. Aliás, o personagem só teve uma fase realmente ruim, quando tiveram a “genial” ideia de mandá-lo para o futuro. Como uma primeira edição para atrair novos leitores, entretanto, All-Star Western não funciona. Não sabemos quase nada de Hex por essa história e o Dr. Arkham na verdade tem um papel maior.
Para quem já conhece Hex é muito mais fácil apreciar a trama, que além de faroeste e mistério, acaba acrescentando outro gênero, pois as diferenças entre Arkham e Hex são típicas de filmes policiais que unem um personagem impulsivo com outro mais cerebral.

E a arte de Moritat é realmente digna de nota, captando muito bem o clima da época.

Veja também:
- A Nova DC - Parte 1
- A Nova DC - Parte 2
- A Nova DC - Parte 3
- A Nova DC - Parte 4
- Notícias sobre Flashpoint
- Notícias sobre a DC Comics

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