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10/04/2012
REVIEW - CINEMA: JOHN CARTER - ENTRE DOIS MUNDOS
 
 
John Carter: Entre Dois Mundos
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Quando o Quarteto Fantástico chegou aos cinemas, era fácil encontrar pessoas acusando o filme de ser um plágio da animação Os Incríveis, lançada pouco mais de meio ano antes. O fato é que o público em geral simplesmente não tinha conhecimento de que o Quarteto foi criado nos quadrinhos em 1961.

Coisa parecida está acontecendo agora com John Carter: Entre Dois Mundos (John Carter), filme que está sendo comparado a Avatar, Star Wars e tantos outros. E, desta vez a coisa vai mais longe, pois o primeiro romance de John Carter foi lançado em 1912, (de forma seriada, reunido em um único volume em 1917) sendo considerado um precursor dos filmes e quadrinhos de ficção-científica mais voltados à aventura. James Cameron chegou até a afirmar que as aventuras de Carter foram sua principal inspiração na criação de Avatar.

Deixando as comparações de lado, vamos à trama: interpretado por Taylor Kitsch (o Gambit de X-Men Origens: Wolverine), John Carter é um homem que, mesmo sendo considerado ainda um soldado, depois da morte de sua família decidiu nunca mais lutar as batalhas dos outros, dedicando-se apenas à caça de ouro. Quando está perto de atingir seu objetivo, acaba acidentalmente transportado para o planeta Marte, que logo descobre ser habitado por diferentes “tribos”, que chamam o lugar de Barsoom.

Lá, Carter descobre ter capacidades que lhe parecem sobre-humanas, efeito da gravidade diferente do planeta. Logo ele conhece o monstruoso, mas amigável Tars Tarkas (Willem Dafoe) e a princesa Dejah Thoris (Lynn Collins) e descobre que o mundo todo está perto de ser dominado por Sab Than (Dominic West). Inicialmente a contra gosto, Carter acaba envolvido na luta pela salvação de Barsoom, conquistando seu lugar neste novo e estranho lar.

Recebido de maneira morna, não arrecadando nem perto do esperado, John Carter: Entre Dois Mundos é divertimento de primeira. Ótimos efeitos especiais, visuais impressionantes e personagens divertidíssimos compõem a obra. O equilíbrio entre aventura e humor nos remete aos clássicos da década de 1980, o que por si só faz da experiência de assistir o filme uma coisa mais prazerosa.

Quem leu o primeiro livro da saga logo percebe diversas alterações, sejam elas a ausência de elementos ou o acréscimo de outros, que só são apresentados nos livros seguintes. De qualquer modo, a história em si funciona bem. Por outro lado, o desenvolvimento de alguns personagens acaba ficando de lado, principalmente o de Tars Tarkas, um dos personagens mais carismáticos do livro, que aqui, ainda que bem representado, perde bastante espaço. A agressividade de seu povo também é bem amenizada.

Ao assistir o filme e me divertir tanto – não só com os personagens mais humanoides, mas com a criatura que age como um cachorro chamada Woola – se tornou difícil entender o motivo do fracasso nas bilheterias. Claro, ultimamente muita gente parece simplesmente ter perdido a capacidade de se divertir, achando que todo e qualquer filme tem como obrigação passar alguma mensagem ou marcar época, esquecendo que o cinema muitas vezes é puro escapismo, uma oportunidade de nos desligarmos de nossas preocupações e aproveitar algumas horas de puro entretenimento.

Mas, parando de analisar o filme em si, vemos alguns erros que podem ter contribuído com esse fracasso, a começar pelo próprio nome da produção. Convenhamos, um filme chamado John Carter não diz nada ao público em geral. Seu nome inicial, John Carter de Marte, já atrairia mais atenção. Mesmo o elenco, que desempenha bem seus papéis, carece de um nome mais famoso que poderia levantar a moral do filme, já que Willem Dafoe é “coberto” por efeitos especiais e mesmo a divulgação não usa muito seu nome.

A divulgação como um todo foi muito fraca, desperdiçando um ótimo produto. E há, é claro, o fato Disney. Explico: muita gente, ao ver o nome da Disney envolvido, deduz de cara que o filme é dedicado ao público infantil. Talvez fosse o caso da empresa usar uma de suas subsidiárias para lançar filmes deste tipo, apenas para se desvincular desse rótulo nem sempre justificado.

Bem, se por um lado a Disney falhou em dar a atenção merecida a John Carter, por outro ela vem sendo mais “piedosa”, autorizando continuações de diversos filmes que não foram tão bem nas bilheterias (como Tron: O Legado e Os Muppets, por exemplo), reconhecendo o grande potencial que tem em mãos. Torçamos para que John Carter receba o mesmo tratamento, até mesmo porque o diretor e roteirista Andrew Stanton sempre planejou fazer uma trilogia.

Elenco: Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Mark Strong, Ciarán Hinds, Dominic West, James Purefoy, Bryan Cranston. Roteiro: Andrew Stanton, Mark Andrews, Michael Chabon, baseado na obra de Edgar Rice Burroughs. Direção: Andrew Stanton.

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