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27/04/2012
REVIEW - CINEMA: OS VINGADORES
 
 
Os Vingadores
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


E houve um dia como nenhum outro, em que fãs de quadrinhos e de cinema enfim puderam ver o maior filme adaptado de uma HQ de super-heróis já feito. Essa frase, por muitos anos, se referia ao Superman de 1978, mas agora ela ganhou novo sentido, pois Os Vingadores (The Avengers) enfim estreou.

Tudo o que o Marvel Studios fez até hoje foi para chegar aqui. Ou seja, responsabilidade de sobra, algo que o diretor e roteirista Joss Whedon acabou tirando de letra. Algumas pessoas podem até ter se surpreendido, mas quem conhece o trabalho de Whedon sabe que ele sempre teve o dom de equilibrar diversos personagens em histórias de ação, drama e bom humor. Claro, ele nunca tinha feito isso com tanta verba disponível.

O deus Loki (Tom Hiddleston) está de volta, agora atacando a Terra pela posse do Cubo Cósmico e um plano misterioso que envolve um exército alienígena aliado. Com o destino do planeta em risco, Nick Fury (Samuel L. Jackson) usa os recursos da S.H.I.E.L.D. para recrutar os heróis que acredita representarem a única chance de salvação.

A presença de Loki e o recrutamento de Fury já deixam óbvio logo de cara – aos fãs de quadrinhos – que a versão cinematográfica dos Vingadores mistura elementos da equipe clássica e da versão Ultimate. Por mais que fãs mais ardorosos não gostem muito da linha Ultimate, temos de convir que ela sempre foi pensada como uma maneira de adequar alguns pontos das HQs originais ao público contemporâneo. E, por isso mesmo, muito dessas versões mais atuais, sobretudo os visuais, se faz presente nos cinemas.

Mas e quem nunca leu uma HQ? Bem, este público se diverte do mesmo modo. Whedon teve a capacidade de fazer um filme que satisfaz quase todos os desejos do nerd, sem se tornar estranho ao restante do público. Claro, neste ponto a Marvel planejou muito bem tudo. Embora em muito menor escala, mesmo quem nunca tocou numa revista em quadrinhos pôde experimentar a sensação de um universo compartilhado graças aos filmes anteriores, que construíram pouco a pouco um Universo Marvel bem coeso na telona.

Tido como o primeiro blockbuster do ano, Os Vingadores provavelmente será também o maior. O ritmo em que a trama é construída é bem agradável, com algumas cenas de luta entrecortando o bom desenvolvimento da maioria dos personagens, que vivem entrando em atrito, lembrando muito as primeiras edições da HQ lá nos anos de 1960. Mas quando a ação começa para valer, não para mais, entrando num crescendo que, ao final da exibição, deixa a sensação de que passamos por uma experiência monumental.

Joss Whedon demonstra cena a cena entender muito bem os personagens e o mundo em que vivem. Do diálogo mais bobo ao clímax da história, tudo reflete algum elemento importante dos personagens, afastando o perigo de tornar o filme apenas um desfile de pessoas fantasiadas.

Praticamente todos os personagens encontram seu espaço, com raras exceções. Chris Evans continua muito bem como o Capitão América, agora demonstrando ainda mais sua capacidade de comando, e destacando o modo como o herói está deslocado no mundo moderno.

Quem também continua deslocado, mas agora muito mais ativo, é o Thor de Chris Hemsworth, que desta vez usa mais seus poderes em combate. Robert Downey Jr. continua sendo o mesmo Homem de Ferro de sempre, mas resgatando aquela responsabilidade em desenvolvimento apresentada em seu primeiro filme, que parece ter sido parcialmente esquecida no segundo.

Mark Rufallo, embora não pareça fisicamente em nada com um Bruce Banner perfeito, tem o melhor desempenho no papel até aqui, sendo o primeiro ator a de fato também viver o Hulk. A maneira como ambas as facetas são desenvolvidas é um destaque do filme, só superado pelas diversas vezes em que o golias verde rouba a cena, seja por sua selvageria, ou pelo modo como é explorado com bom humor.

Scarlett Johansson, que nos trailers parecia apenas pose sem conteúdo, sempre com as mesmas feições em qualquer situação, surpreende bastante, fazendo de sua Viúva Negra uma das melhores personagens no longa – e a mais humana de todas. O que não deveria ser uma surpresa, afinal Whedon, seja na TV ou nos quadrinhos, sempre apresentou heroínas dignas de respeito em papéis de destaque.

O Gavião Arqueiro, interpretado por Jeremy Renner, é o único vingador com menos desenvolvimento. Sim, ele tem sua própria história ao lado da Viúva Negra, mas até mesmo pelo modo como a trama segue, acaba perdendo um pouco de espaço. Este Gavião ainda não parece ter encontrado sua personalidade. Não é o resmungão clássico, nem a versão Ultimate, de início “cool” e depois suicida.

Nick Fury enfim entra em ação, mas se destaca mesmo nos diálogos, cheios de provocações e demonstrando um jeito bem manipulador quando precisa motivar seus aliados. Clark Gregg continua divertidíssimo como o Agente Phil Coulson, ganhando bastante espaço também. Já a Maria Hill da linda Cobie Smulders começa em ritmo acelerado, para depois ficar apagada quase o filme inteiro.

Tom Hiddleston continua muito à vontade como Loki, agora mais maligno do que em Thor e mais pró-ativo também, participando diretamente de diversas cenas de ação. O egocentrismo do personagem é responsável por ótimas tiradas.

Uma das “assinaturas” na carreira de Whedon é sempre “carregar” um ou mais atores de seus trabalhos anteriores, principalmente de Buffy e Angel. Como nenhum nome havia sido divulgado, algumas pessoas ficaram um pouco decepcionadas. Mas não se preocupe, pois um ator que atuou em diversos projetos de Whedon está sim presente, embora de maneira discreta até demais.

Depois de quase duas horas e meia de muita ação, cenas memoráveis, humor na medida certa e uma verdadeira evolução na maioria dos personagens, é bom continuar no cinema, pois Os Vingadores conta com uma cena no meio dos créditos, que tal como a presente em Homem de Ferro, deve abrir caminho para os próximos filmes da Marvel.

E, diga-se de passagem, é a melhor cena no estilo até hoje, prometendo mais uma ótima aventura em Os Vingadores 2, que, se tudo correr bem (e é bom que todos torçam para isso) deve ser novamente comandado por Joss Whedon.

Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson, Mark Ruffalo, Cobie Smulders, Clark Gregg, Tom Hiddleston, Stellan Skarsgard. Roteiro: Joss Whedon e Zak Penn. Direção: Joss Whedon.

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