MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
15/06/2012
REVIEW - CINEMA: PROMETHEUS
 
 
Prometheus
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Por muitos e muitos anos Ridley Scott planejou voltar ao universo de Alien, numa continuação ou prelúdio da franquia. Acabou desistindo desses planos quando do lançamento de Alien vs. Predador. Como o filme e sua sequência não agradaram ao público e nem encheram muito seus cofres, a 20th Century Fox decidiu novamente desmembrar as duas franquias. Robert Rodriguez conseguiu salvar os Predadores, e Scott enfim pôde retomar seus planos. Porém, depois de tanto tempo, as ideias do cineasta mudaram, e ele decidiu alterar seu planejamento original, desistindo de um prelúdio literal de Alien, apenas aproveitando alguns de seus elementos. E assim começou Prometheus.

Ainda se passando no mesmo universo de Alien, e de fato acontecendo antes do primeiro filme da saga, Prometheus realmente deixou de ser um prelúdio. Fãs de Alien vão gostar de “esbarrar” com algumas pistas, mas o novo filme rapidamente demonstra que tem personalidade própria, mesmo que divida certa identidade visual com a saga Alien.

A trama tem início na Terra, quando um casal de pesquisadores, Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) descobrem que diversas civilizações antigas idolatram imagens similares, algo desenhado em cavernas separadas por muitos quilômetros e anos. Tal desenho é um tipo de mapa estelar. Acreditando que isso pode levar à origem da humanidade, o casal convence o industrial Peter Weyland (Guy Pearce) a financiar essa expedição.

E é assim que a nave Prometheus começa sua jornada, a qual, como em todo bom filme de suspense e ficção, deve ser comentada o mínimo possível, para não estragar nenhuma surpresa.

Prometheus não é um filme simples, e nem mesmo fácil de digerir. Ao jogar o tema de humanos tentando desvendar suas origens, automaticamente cria a expectativa por respostas, que é apenas multiplicada quando esbarra na mitologia de Alien. E a verdade é que o longa é fraco apenas justamente no quesito respostas, mas de maneira aparentemente proposital.

Num primeiro momento a ficção impressiona principalmente por seu caprichado visual. A fotografia, o maquinário, os efeitos e as filmagens em IMAX se unem para compor um belo espetáculo visual. Mas como diz a velha propaganda, imagem não é tudo.

Embora nem todos os personagens sejam cativantes, os que realmente interessam o são, a começar por Elizabeth Shaw. Rapace consegue convencer em suas cenas e, a cada mudança, dá o tom do filme, começando esperançosa e genuinamente feliz, mudando para desesperada e desiludida, conforme as coisas vão piorando. A personagem parece outra totalmente diferente ao final de sua odisseia, e não porque o roteiro ou a interpretação simplesmente levaram a isso, mas porque todo o “percurso” parece se traduzir nela.

A beldade Charlize Theron, por outro lado, não impressiona. Interpretando Meredith Vickers, até certo ponto no comando da missão, ela não chega a trabalhar mal, mas não brilha em nenhum instante, fazendo apenas o básico, num papel que poderia facilmente ter sido interpretado por qualquer outra.

Quem rouba a cena é Michael Fassbender no papel do androide David. O personagem já chama a atenção simplesmente por resgatar o que já é uma tradição em Alien, mas o talento do ator se mostra o verdadeiro trunfo, criando o mais interessante tripulante da nave Prometheus. Sua ambiguidade cria mais tensão do que os próprios seres alienígenas, tudo graças à sutileza com que Fassbender conduz as cenas. Não é por coincidência que quase todas as frases mais marcantes saiam de sua boca.

Impressionante e instigante, Prometheus prende a atenção mesmo na cena mais parada, sempre convidando o espectador a pensar. E, infelizmente, e aí que mora o perigo, afinal, por mais que preferíssemos negar, a verdade é que o público em geral não gosta de pensar, prefere receber todas as informações mastigadas e da maneira mais simples e direta possível.

Assim sendo, não é surpresa que já rodam pela Internet dezenas de teorias e críticas ao filme. Muita gente mete o pau sem dó, afirmando que o filme nada responde. E não estão totalmente errados, pois Prometheus deixa tudo em aberto, incentivando análises diversas. Porém, sempre é bom lembrar que Scott queria fazer dois filmes de uma vez, e as pontas deixadas apontam para uma continuação. Então, por mais decepcionada que uma pessoa possa ficar não é possível criticar esse ponto antes de conhecer a história completa.

Por outro lado, alguns levam a sério demais a proposta de analisar todo o conteúdo, levantando hipóteses mil, algumas bem interessantes, e outras incrivelmente esdrúxulas. O problema aí é que, na era em que vivemos qualquer um espalha essas teorias e em questão de horas elas são tidas como verdade absoluta, mesmo que estejam na contramão de toda a proposta do filme. E, novamente, não há ainda a conclusão, então nada pode ser definitivo sem vermos o final da história.

E, ao final de uma jornada angustiante (por parte dos personagens, não da nossa!), o gostinho de quero mais, somado ao estado de análise, nos leva a desejar pelo convite para o próximo Prometheus, pois, independente de termos ou não as respostas que esperávamos, fica claro que este é um universo com muito mais potencial, o qual já teve um desenvolvimento inicial digno de nota.

Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Guy Pearce, Patrick Wilson, Idris Elba, Sean Harris, Kate Dickie. Roteiro: Jon Spaihts, Damon Lindelof. Direção: Ridley Scott.

Veja também:
- Galeria de 100 imagens do filme
- Notícias, vídeos e notas de produção de Prometheus
- Outros reviews e matérias

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