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06/07/2012
REVIEW - CINEMA: O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA
 
 
O Espetacular Homem-Aranha
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Quando anunciado, O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man) causou burburinho simplesmente por existir, afinal mal se tinham dados sobre o filme, mas pouca gente gostou de saber que a franquia seria reiniciada nos cinemas.

Muitos achavam que trocar o elenco já era o bastante, que seria possível apenas continuar a história de onde o terceiro filme de Sam Raimi parou. Agora que a nova aventura estreou, ficou claro que o novo início era necessário, já que toda a atmosfera da produção é diferente.

Sim, a origem é recontada, com algumas mudanças, mas nada que afete a essência do herói. Quem acompanha a linha Ultimate, notará rapidamente certa similaridade. Richard e Mary Parker (Campbell Scott e Embeth Davidtz), aliás, nem teriam como ter a mesma trajetória da versão original dos quadrinhos, onde eram agentes da C.I.A. com certo envolvimento com a S.H.I.E.L.D. e foram mortos por um Caveira Vermelha russo, ou seja, envolviam elementos demais que estão nas mãos do Marvel Studios.

Mas falemos sobre o novo filme. Investigando o destino de seus pais, Peter Parker (Andrew Garfield) acaba se tornando o Homem-Aranha e conhecendo o Dr. Curt Connors (Rhys Ifans), cujas experiências o transformam no monstruoso Lagarto. A todo o momento notamos o esforço da produção em não se tornar repetitiva, tomando outros caminhos para demonstrar o desenvolvimento dos poderes, uniforme e até da ética do Homem-Aranha. E faz isso com sucesso, homenageando passagens da carreira do herói ao mesmo tempo em que desenvolve bem sua personalidade e a de alguns dos coadjuvantes. Até mesmo o uniforme, que causou grande estranheza, tem uma boa explicação para ser assim. Mas a famosa frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” realmente fez falta.

Tão importante quanto o desenvolvimento de Peter é o do Dr. Connors. Ifans constrói o personagem de tal maneira, que ele se torna muito mais ameaçador e envolvente em sua forma humana do que quando transformado no Lagarto. O vilão, mesmo com visual bem diferente do convencional, funciona, principalmente nas ótimas cenas de ação. Mas, convenhamos, seu rosto ficou um tanto parecido com o do Dr. Smith aracnídeo (olha a coincidência aí) do filme Perdidos no Espaço.

O grande destaque é, sem dúvida, Andrew Garfield, que se mostra um ator incrivelmente superior a Tobey Maguire. Se nos filmes anteriores Parker era um perdedor com cara de bobo praticamente o tempo todo, agora ele é alguém inseguro, mas capaz de mudanças de temperamento. Garfield demonstra mais facetas do personagem neste filme do que Maguire conseguiu nos três anteriores, passando por drama, comédia e romance. Seu Homem-Aranha não se limita a empolgação simples de antes, apresentando um comportamento mais familiar aos fãs, cheio de piadinhas infames.

Falando em romance, Emma Stone também está muito bem como Gwen Stacy, agora devidamente usada, depois da tragédia que foi a participação da personagem em Homem-Aranha 3. A química entre Garfield e Stone é grande, o que faz o casal funcionar perfeitamente, tanto que acabaram “estendendo” o namoro para a vida real.

Os tios de Peter, Ben e May, são os dois polos opostos do filme. Enquanto Martin Sheen brilha como o Tio Ben, tendo muito mais espaço do que poderíamos imaginar, Sally Field é uma enorme decepção no papel da Tia May. Não bastasse não ser nada parecida com a personagem, ela está totalmente apagada e artificial nas poucas cenas das quais participa.

Chris Zylka já é ao contrário no papel de Flash Thompson. Mesmo aparecendo pouco, resgata todo os aspectos dos primeiros anos do personagem nos quadrinhos, sempre na corda bamba entre ser o valentão insuportável e um cara legal que se esforça para esconder isso. Denis Leary, muito jovem para ser o Capitão Stacy, ao menos na opinião dos fãs, não faz feio, e sua idade na verdade é necessária para tornar mais plausível sua participação direta na ação. E, claro, há a tradicional ponta de Stan Lee, talvez a mais engraçada já feita.

Mas não é só de atores que um filme é feito. O roteiro e direção são bem sucedidos, prendendo a atenção e mantendo um ritmo muito agradável, nunca exagerando em nenhum aspecto. Assim, há cenas mais pesadas, outras de pura ação, e mesmo o romance não soa piegas. As cenas de ação contam com ótimos efeitos especiais e coreografia, sendo muito mais “fluídas” do que a maioria vista em filmes do gênero.

O 3D funciona bem apenas nas cenas em que o Aranha se balança pela cidade, aliás, de maneira bem mais convincente do que antes. A cidade em si é mais bem usada, dando uma cara mais urbana para a produção. E, verdade seja dita, as ruas da cidade e o efeito de tudo nos policiais e cidadãos dela, sempre foram algo muito importante na carreira do Homem-Aranha.

Embora seja o melhor filme do aracnídeo até aqui, O Espetacular Homem-Aranha tem sim seus defeitos. E a maioria envolve um vício difícil de ser vencido nos cinemas: a máscara do herói. Claro, até dá para entender que nenhum ator queira esconder por tempo demais seu rosto num filme dessa magnitude, mas, por outro lado, todos os envolvidos devem entender a mitologia do personagem, na qual a identidade secreta é importantíssima – ainda que mesmo nos quadrinhos pareçam se esquecer disso de tempos em tempos. Ignorando isso mais uma vez, o que temos são cenas nas quais o herói tira sua máscara sem a menor necessidade, e personagens demais descobrindo sua identidade.

Mas, quando tudo é colocado na balança, a alta qualidade prevalece, fazendo deste mais um ótimo filme num ano bastante competitivo no campo das adaptações em quadrinhos. E não tenha pressa para ir embora, pois existe uma cena no meio dos créditos.

Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Martin Sheen, Sally Field, Denis Leary. Roteiro: James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves. Direção: Marc Webb.

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