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27/07/2012
REVIEW - CINEMA: BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE
 
 
Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Com o massacre em Colorado, acompanhado das habituais rixas entre fãs da Marvel e DC na internet, mesmo com Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) estreando uma semana depois no Brasil, pouco se viu falar no filme propriamente dito.

Então, vamos lá: o capítulo final da trilogia do diretor Christopher Nolan, assim como seus antecessores, é um tipo diferente de adaptação de quadrinhos. Sim, os elementos quadrinísticos estão lá, mas o modo como emergimos na trama, acompanhando cada sensação, nos ligando emocionalmente aos eventos, é algo mais comum a dramas e afins.

Desta vez temos um Bruce Wayne (Christian Bale) mais sentimental, exigindo mais da interpretação do ator. Há anos aposentado de sua identidade heroica, se vê forçado a vestir novamente seu uniforme quando Gotham City começa a ser atacada pela ladra Selina Kyle (Anne Hathaway) e pelo engenhoso e perigoso Bane (Tom Hardy).

O escopo de tudo, como era de se esperar de uma conclusão, é maior. Por mais realista que a franquia tenha tentado ser, este filme chega bem mais perto dos quadrinhos, com uma ameaça maior, mais ação, tudo mais épico. Não é raro notarmos elementos de famosas HQs do personagem, como, obviamente, A Queda do Morcego, mas também O Messias, Terra de Ninguém, O Legado do Demônio e até o clássico Batman: O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller.

Com um início um pouco lento, o filme demora a pegar ritmo, mas quando pega, suas quase três horas de duração não parecem tanto, ainda mais tendo em vista a quantidade de elementos explorados. Todos os personagens ganham seu espaço, alguns sendo aprofundados pela primeira vez, caso do Alfred de Michael Caine.

Gary Oldman continua ótimo, roubando a cena sempre que possível na pele do Comissário Gordon. O Lucius Fox de Morgan Freeman continua com suas divertidas tiradas, mas desta vez tendo participação muito maior, incluindo algumas cenas mais sérias.

O Bane de Tom Hardy resgata o tom original do personagem: não apenas um brutamonte, mas alguém que planeja cada movimento minuciosamente. Mas é nele que está um ponto a ser criticado: a voz do vilão, que nos trailers era ininteligível, foi redublada. Deste modo, além de mais clara, se tornou mais ameaçadora, mas a dublagem não foi bem sucedida em todos os momentos - algumas vezes não há som algum, mesmo que percebamos que o personagem está falando e gesticulando.

Anne Hathaway dá vida a uma Mulher-Gato (embora ela não seja chamada claramente por esse codinome) perfeita. A personagem é provocadora, divertida e ambígua na medida certa. A essência de Selina Kyle foi encontrada: nada de origem excessivamente trágica, poderes especiais ou vilania pura, essa é a versão mais agradável da personagem em carne e osso, uma Mulher-Gato que se diverte com o que faz e que transita entre o bem e o mal.

O policial John Blake, vivido por Joseph Gordon-Levitt, se destaca muito. O personagem oferece uma nova ótica sobre Gotham e seus problemas, em certos momentos parecendo um meio-termo entre Batman e Gordon. Isso até que se torne algo ainda maior.

Sendo o último filme da série, é de se esperar que Ressurge amarre as pontas. E faz isso muito bem. Basicamente todos os aspectos da mitologia são abordados e encontram algum tipo de conclusão. E há espaço para muitas surpresas no caminho. Aliás, a prova de que um filme é envolvente é quando, mesmo tendo conhecimento prévio de rumores ou de elementos já mostrados nos quadrinhos, ficamos tão entretidos que esquecemos tudo isso, nos surpreendendo assim mesmo.

Outro ponto que merece um pouco de críticas é a ação. Quando da escolha de Bane, foi explicado que a ideia era criar uma ameaça física ao Batman. Mas isso vai por água abaixo nas cenas de combate entre os dois, que não conseguem dar o tom épico necessário graças às limitações de movimento da armadura do herói. Entretanto, essa falha é compensada em diversos outros pontos, como na agilidade da Mulher-Gato, sendo este o filme com mais ação na franquia.

A trilha sonora de Hans Zimmer continua impressionante. Temas que, de forma isolada, poderiam soar estranhos e sem sentido, colocados nas cenas certas tornam tudo mais épico, maior e empolgante, contribuindo para a identidade dos personagens, sem nunca deixar de lado os temas dos filmes anteriores, inteligentemente “encaixados” nas novas composições.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é uma conclusão marcante. O desfecho pode causar estranhamento nos fãs dos personagens, mas é sempre bom lembrar que este é de fato um final, algo que raramente acontece pra valer nos quadrinhos, ou seja, tomar caminhos diferentes é apenas natural neste caso. Depois de três ótimos filmes, por mais que a história tenha encontrado um ponto final, não há como desviarmos nossos pensamentos de mais continuações, afinal a Gotham City criada nesta trilogia ainda tem muito a oferecer, e o desfecho nos deixa com ainda mais vontade de saber o que poderia vir depois.

Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine. Roteiro: David S. Goyer, Jonathan Nolan e Christopher Nolan. Direção: Christopher Nolan. 

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