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12/03/2013
REVIEW - CINEMA: LINCOLN
 
 
Lincoln
 
 
 
 
 
 
 
 


Grande parte do público brasileiro – e de outros países também, creio eu – deve torcer o nariz para Lincoln por acreditar que se trata de mais um filme patriótico norte-americano, daqueles em que a bandeira do país tremula imponente a cada clímax. E quando se inicia a apreciação do filme em questão, a impressão se reforça, já que a primeira cena abre com o estandarte vermelho, azul e branco. Mas felizmente o filme não fica batendo a todo o momento nessa mesma tecla, para alívio do espectador. Acaba por se concentrar nos últimos quatro meses de vida de Abraham Lincoln, em sua luta por abolir a escravidão no país, pelo fim da Guerra Civil – que já juntava pilhas de corpos e desolava diversos pontos do território estadunidense – e pela aprovação da Décima Terceira Emenda, que até hoje proíbe a escravatura e a servidão involuntária em território norte-americano.

Apesar de contar com a competente direção de Steven Spielberg, cenários convincentes, figurino de primeira e as excelentes atuações de Daniel Day-Lewis e Tommy Lee Jones, o filme – baseado no livro Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln, de Doris Kearns Goodwin – se arrasta a ponto de dar sono. Boa parte se concentra em maquinações políticas, diálogos longos – alguns bastante desnecessários – e conflitos que estão lá para enriquecer e dar mais vida ao personagem, mas que não acrescentam muito à história e só cansam os bem-intencionados que se sentaram em frente à tela. Mas o maior problema reside no fato do personagem central ter sido transformado numa espécie de semideus, uma criatura perfeita que não comete falhas, tem sempre algo construtivo a dizer, nunca perde as estribeiras, possui um ar angelical e está quase sempre de bom humor, mesmo em meio a tantas e complicadas adversidades pessoais, sociais e políticas. As incessantes histórias, parábolas e aforismos de Lincoln chegam a irritar, a ponto de um personagem secundário comentar isso em dado momento da história.

Os feitos do presidente Lincoln realmente foram de extrema importância para os Estados Unidos e, principalmente, para seus afrodescendentes. Isso é inquestionável. Seu papel de líder justo, paciencioso e verdadeiramente popular até hoje mexe com o imaginário de seus conterrâneos. Não é à toa que é uma das figuras mais emblemáticas do país. No entanto, há uma nítida forçação de barra em transformar a figura histórica em algo intocável, acima do bem e do mal. Sua fala sempre serena e seu constante empenho em realizar algo socialmente útil, mesmo que isso venha a prejudicar sua vida pessoal, explicitam o esforço de arquitetar não um personagem com defeitos e virtudes, mas um ídolo, um mártir, um herói. Um filme nitidamente pensado para agradar ao público norte-americano.

Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, James Spader, Hal Holbrook, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Bruce McGill, Tim Blake Nelson, Joseph Cross, Jared Harris, Lee Pace, Peter McRobbie, Gulliver McGrath, Gloria Reuben, Jeremy Strong, Walton Goggins, David Oyelowo. Roteiro: Tony Kushner, baseado na obra de Doris Kearns Goodwin. Direção: Steven Spielberg.

Veja também:
- Galeria de imagens do filme
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