MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/06/2013
MATÉRIA: ARQUEIRO VERDE - MAIS DE 70 ANOS DE FLECHAS E JUSTIÇA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


- UM COMEÇO MODESTO
No início dos anos 40, as revistas em quadrinhos de super-heróis eram uma verdadeira febre entre a garotada. Eram gibis de 68 páginas, com várias séries e personagens, tais como Superman, Batman, Capitão Marvel, Flash, Lanterna Verde, entre outros.

Foi num destes gibis, More Fun Comics, que no número 73, em novembro de 1941, o Arqueiro Verde e seu parceiro Speedy (no Brasil batizado de Ricardito pela editora Ebal) fizeram sua estreia, sem pompa nem glória, numa antologia que já reunia Aquaman, Espectro, Sr. Destino e Johnny Quick. O personagem foi criado pelo roteirista Mort Weisinger e o desenhista Georg Papp, e foi inspirado tanto em Robin Hood quanto no protagonista do livro The Green Archer, de Edgar Wallace e, é claro, no Batman.

O Arqueiro Verde era mais um vigilante que, como tantos outros, não passava de um milionário entediado que combatia o crime pra passar o tempo. Ele era o playboy desocupado Oliver Queen, uma versão mais alegre do Batman. Além das cores vivas do seu uniforme (verde e vermelho), sua marca registrada eram suas flechas cheias de truques (flecha-rede, flecha-bomba, flecha-cola, flecha-algema, e a mais ridícula de todas, a flecha-luva-de-boxe). Ele também tinha um Flechamóvel e uma Flechacaverna! Santo plágio Batman! Tinha até um parceiro-mirim, Roy Harper, que fazia às vezes de filho/irmão mais novo.

As histórias do Arqueiro eram bem despretensiosas, entre oito e treze páginas, sempre combatendo o bandido da vez, em sua maioria assaltantes uniformizados com nomes pomposos e ridículos. De fato, o Arqueiro nunca teve grandes arqui-inimigos, o que talvez tenha contribuído pra ser um personagem menor do Universo DC por muitos anos.

Ao contrário dos grandes, como Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde, durante décadas nem teve revista própria. Suas histórias (sempre curtas) foram publicadas, além da More Fun Comics, em Adventure Comics (onde o carro chefe era o Superboy), Action Comics (uma das revistas do Superman) e Detective Comics (onde o carro-chefe era o Batman).

Os motivos pelos quais Ollie combatia o crime eram tão vagos, que sua origem só foi contada em meados dos anos 50, por Jack Kirby: ele era um milionário que um dia naufragou com seu iate, indo parar numa ilha deserta. Lá teve que aprender a sobreviver, caçando com arco e flecha, se tornando um mestre na arte. Criou inclusive a flecha-rede para pescar! No entanto, quando os mesmos piratas que afundaram seu iate deram as caras na ilha, Oliver se vingou, pegou o bando, e foram os bandidos que o apelidaram de Arqueiro Verde, devido ao fato de Oliver usar folhas de árvores da selva como parte do seu vestiário.

- O ENCREQUEIRO DA LIGA DA JUSTIÇA
No começo dos anos 60, foi lançado um gibi que se tornou então o mais vendido dos EUA: Liga da Justiça da América. Uma superequipe que reunia os pesos pesados Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman e o Caçador de Marte. O primeiro novo integrante a entrar pro bando foi justamente o Arqueiro Verde, após salvar a equipe de um dos supervilões que combatia, usando uma flecha diamante (essa é a vantagem de ser milionário - pode se usar diamantes para combater o crime...).

Foi na revista da Liga que o personagem foi ganhando uma personalidade diferente, deixando apenas de ser um playboy bom moço e namorador, para se destacar dos demais membros da equipe. A mudança começou quando um jovem roteirista chamada Dennis O´Neil assumiu a série. Como o Arqueiro Verde não tinha revista própria, estava só aparecendo na série da Liga, o autor poderia fazer o que quisesse com ele, ao contrário dos demais, cujos destinos eram decididos nos seus gibis solos.

O´Neil foi transformando o Arqueiro no sujeito ranzinza da equipe, que sempre discordava do plano a ser posto em ação, ou da atitude que a equipe estava tomando. Mais longe de ser apenas um encrenqueiro como o Gavião Arqueiro, da rival Marvel, Oliver tinha um olhar social para as coisas, principalmente quando se tratava do destino do sujeito comum. Suas broncas eram justamente contra as posturas conservadoras e hipócritas dos demais super-heróis. O´Neil era muito jovem, e por isso simpático ao movimento hippie da época. Isso acabou influenciando até no visual do personagem, que foi remodelado pelo artista Neal Adams, que fez ele se parecer um pouco mais com Robin Hood, adotando inclusive barba, e eliminando as luvas e botas vermelhas. Nas páginas da Liga, Oliver inclusive perde sua fortuna, deixando de ser um favorecido, indo morar mais perto do povo que tanto defendia.

Outra mudança interessante foi o início do namoro com outra super-heroína que fazia parte da equipe, a Canário Negro. Como ela também não tinha série própria, e se podia fazer o que quisesse com ela, O´Neil escolheu justamente os dois para se envolverem, já que a Mulher-Maravilha tinha Steve Trevor na sua revista, e o Superman tinha Lois Lane, eles jamais poderiam se envolver, assim como os demais candidatos - Flash, Lanterna Verde, Aquaman, todos com suas respectivas namoradas e esposas nas suas séries solos.

- ATIVISTA SOCIAL
Vale lembrar que até então, o Arqueiro Verde jamais teve uma revista com seu nome. E a forma como ele teria seu nome estampado num título foi até inusitada. No fim dos anos 60, a revista do Lanterna Verde estava vendendo mal, e o editor Julius Schwartz resolveu reunir dois dos mais talentosos artistas da casa, o escritor Dennis O´Neil e o desenhista Neal Adams para revitalizá-la.

O´Neil e Adams eram grandes fãs do Arqueiro e decidiram juntar o personagem com seu amigo Hal Jordan. Foi assim que a partir do número 76, de 1970, o Lanterna Verde passou a dividir o título com o Arqueiro. A inusitada parceria do policial galáctico com o guerreiro urbano se dá justamente quando o Lanterna Verde vai visitar seu colega da Liga da Justiça em Star City, e ao defender um senhorio que está sendo atacado por seus inquilinos, vê justamente o Arqueiro do lado dos manifestantes.

Esse é o ponto de partida para uma das séries até hoje entre as mais elogiadas dos quadrinhos de super-heróis, onde pela primeira vez o gênero encarava problemas políticos e sociais da sociedade contemporânea. Enquanto o Lanterna Verde representava o norte-americano médio, conservador, o Arqueiro era o liberal esquerdista, contestador da sociedade vigente. Oliver questiona o papel de Hal Jordan como super-herói, e os dois acabam fazendo uma viagem pela América, no melhor estilo “on the road”, logo ganhando a companhia da Canário Negro, namorada do Arqueiro, obviamente. Em cada cidade em que o trio para, encontram um problema social diferente, justamente assuntos que ocupavam a pauta dos jornais norte-americanos do início dos anos 70.

O racismo, o autoritarismo, machismo, poluição, aumento demográfico, fanatismo religioso, exploração capitalista, drogas, enfim, todas as polêmicas da época ganharam sua história. A melhor de todas, e que marcou época, foi justamente quando Oliver Queen descobre que seu ex-parceiro e enteado Roy Harper, o Ricardito, estava viciado em heroína. Era chocante num gibi de super-heróis, uma mídia até então vista como coisa para crianças, ver o jovem herói sendo pego em flagrante pelo Arqueiro, pronto para se aplicar uma dose.

Outra história digna de menção foi “O que um homem pode fazer”, onde Oliver é convidado a ser candidato a prefeito de Star City, devido ao seu trabalho social e filantrópico. Após falhar em conseguir salvar uma criança negra morta durante uma manifestação duramente reprimida por policiais, Oliver decide aceitar o convite. Infelizmente, o argumento desenvolvido por Elliot S! Maggins não foi pra frente, e mais tarde fizeram o personagem desistir da candidatura.

A série Lanterna Verde/Arqueiro Verde marcou época e ajudou em muito na evolução dos quadrinhos de super-heróis. A partir dela, nenhum tema era mais tabu numa HQ de super-heróis. No entanto, ela estava tão à frente do seu tempo, que não vendeu muito bem. Após 14 clássicas edições, a publicação foi finalmente cancelada, e os heróis foram vistos doravante na Liga da Justiça ou então em histórias curtas de outras revistas.

Somente em 1976, Lanterna Verde/Arqueiro Verde voltou, mas agora dando mais ênfase na aventura e na ficção cientifica. O foco foi se voltando cada vez mais em torno de Hal Jordan, até que a revista passou novamente a ter somente seu nome estampado na capa, e o Arqueiro mais uma vez ficou restrito a poucas participações em histórias curtas da Detective Comics.

-
ARMADO E PERIGOSO
O primeiro gibi de fato a se chamar somente “Green Arrow” (Arqueiro Verde) foi na verdade uma minissérie em quatro edições, escrita pelo inglês Mike W. Barr e desenhada por Trevor Von Edden, publicada em 1983. Na trama, uma velha milionária, amiga de Oliver, morre e lhe deixa sua fortuna. Na verdade, seu objetivo era que o Arqueiro Verde limpasse a corrupção que tomou conta de suas empresas. Apesar de o foco ser a ação, alguns temas sociais acabaram aparecendo, assim como a escolha do Arqueiro em continuar sendo pobre, abrindo mão da fortuna, no fim da minissérie, para um dos parentes da falecida milionária, após concluir sua missão de pegar aqueles que usaram a firma para fins escusos.

Essa minissérie, apesar de não ser um grande sucesso comercial, vendeu o suficiente para permitir novos projetos com o Arqueiro. O mais importante, foi começar a mostrá-lo como um guerreiro urbano, que depende mais da sua mira certeira, do que dos badulaques tecnológicos do início da sua carreira, que foram cada vez mais sendo deixados de lado. O verdadeiro “divórcio” entre o arqueiro caçador urbano e o super-herói playboy das flechas tecnológicas ridículas se deu com a minissérie Os Caçadores, de 1986.

O escritor e desenhista Mike Grell, que havia desenhado a segunda fase do gibi Lanterna Verde/Arqueiro Verde, reformulou totalmente o herói, o mudando inclusive de cidade. Ele vai para Seattle, lar da Canário Negro, justamente para finalmente morar junto com a namorada de longa data. Lá eles abrem uma floricultura (Dinah Lance era floricultora, profissão que herdou da mãe), a Sherwood. Claro que isso é apenas para pagar as despesas, já que o verdadeiro trabalho de ambos é serem vigilantes noturnos.

Em Os Caçadores, Mike Grell reinterpreta a origem do herói, onde o mesmo diz que a história dos piratas era uma fantasia escrita pelos jornais, e que na verdade ele pegou na ilha apenas dois maconheiros que a usavam para plantar maconha. Ele teria se tornado o Arqueiro Verde quando, de volta à civilização, havia ido como Robin Hood para um baile a fantasia, e no mesmo acontecia um assalto. Após pegar os bandidos com as habilidades que aprendeu na ilha, fugiu do local para não ter problemas com a polícia, se aproveitando que ninguém tinha visto sua identidade real, já que no baile a fantasia todos usavam máscara. Daí os jornais do outro dia o chamaram de Arqueiro Verde.

Sem as flechas tecnológicas, e adotando um visual com capuz e bem mais rústico, o Arqueiro Verde se torna um verdadeiro caçador urbano, lidando com perigos reais nas ruas de Seattle. A série também discutiu problemas da sociedade norte-americana dos anos 80, assim como sua antecessora dos anos 70. Mas a mudança mais drástica, com certeza, foi no clima violento das histórias, onde Oliver inclusive passa a matar criminosos diante uma situação de perigo ou quando fica claro que os pulhas conseguirão escapar da lei. Não à toa, a revista era indicada pra leitores maiores de 18 anos, e trazia cenas de sexo e violência.

Uma das personagens coadjuvantes mais marcantes deste período foi a arqueira-ninja Shado, uma dissidente da Yakuza, a máfia japonesa. Os dois trombam pela primeira vez na minissérie Os Caçadores, para voltarem a se encontrar na revista mensal criada para o herói logo depois. Após quase ser morto pela mesma, Shado cuida do ferido Arqueiro, e os dois acabam transando. Desta união acabaria nascendo, sem que Ollie inicialmente saiba, Robert, seu primeiro filho “oficial”.

Os defeitos de Queen aparecem mais do que nunca a partir deste período. Antes da Canário Negro aparecer, na segunda metade dos anos 60, Oliver Queen vivia trocando de namorada. Grell fez questão de lembrar que o personagem era um conquistador, e além de Shado também se envolveria com uma mulher mais jovem, assistente de Dinah na floricultura, Marianne. O caso acabaria terminando a longa relação entre ele e a Canário Negro.

- A MORTE E O SUCESSOR
No número 90 da revista Green Arrow (Arqueiro Verde), Mike Grell finalmente passou o bastão adiante. Seu sucessor foi o escritor Chuck Dixon que resolveu reformular totalmente a série, atendendo aos ditames editoriais da DC Comics.

Era uma época em que o Flash agora era o ex-Kid Flash, Wally West, e havia um novo Lanterna Verde, Kyle Rayner. A DC acreditava que os leitores, cuja grande maioria é de jovens, se identificaria mais com personagens próximos da sua idade, do que com senhores como Oliver Queen. O personagem de certa forma era até avô, já que seu enteado, Roy Harper, aparece com uma filha, Lian.

Então os ventos da mudança sopraram também para o Arqueiro. Dixon colocou Oliver Queen numa rota de destruição, após o evento Zero Hora, onde ele quase tira a vida de seu melhor amigo, Hal Jordan, que havia se transformado no supervilão Parallax. O fim do relacionamento com Dinah Lance, a loucura de Hal Jordan, tudo isso acaba fazendo o Arqueiro perder o rumo da sua vida, a ponto de abandonar tudo e ir para um mosteiro budista, onde já havíamos visto o herói antes nos anos 70, por ocasião da primeira vez em que ele matou um homem e teve uma crise de consciência.

Lá ele conhece um rapaz chamado Connor Hawke, que se mostra um grande fã seu, colecionador de recortes de jornal, e que inclusive havia parado no mosteiro como forma de seguir os seus passos. Quando assassinos da CIA vão atrás de Oliver por ele ser uma testemunha viva de um escândalo governamental, o Arqueiro decide sair do mosteiro, e acaba tendo que levar Connor a contragosto, após o garoto salvar sua vida, mostrando um grande conhecimento de artes marciais, além de ser também um arqueiro formidável. No entanto, logo fica claro que o rapaz esconde algo de Oliver, principalmente a identidade de sua mãe. Connor na verdade se trata de outro filho que o Arqueiro não sabia que tinha, com uma garota que conheceu nos anos 70. Ao descobrir a verdade, Oliver tenta evitar o rapaz, e se infiltra numa organização ecoterrorista.

Tanto Connor, quanto o amigo ex-agente da CIA Eddie Fyers, e Roy Harper (agora o herói Arsenal) não sabem o que pensar, já que Oliver sempre foi um radical, e poderia muito bem ter virado ecoterrorista. Mas quando a organização vai atacar Washington com uma substância que corrói aço e plástico, o herói mostra que estava apenas infiltrado, e impede o plano... ao custo da sua vida!

Oliver Queen morre numa grande explosão dentro de um avião. O corpo não é achado, mas ninguém acredita que ele sobreviveu. Assim, no número 101 de Green Arrow, começa uma nova fase, com Connor Hawke se tornando o novo Arqueiro Verde. O jovem se torna uma espécie de herói nômade, sem base fixa, e inclusive logo fazendo amizade e uma parceria com o novo Lanterna Verde, reeditando a dobradinha dos anos 70.

Apesar do personagem ter potencial e as histórias não serem ruins, muitos fãs rejeitaram a morte de Oliver e esse novo Arqueiro, fazendo com que a revista fosse cancelada no número 137.

- A RESSURREIÇÃO
Procurando revitalizar a marca Arqueiro Verde, a DC resolveu lançar uma nova revista para o herói em 2001. O nome contratado para a empreitada não podia ser mais badalado: o cineasta Kevin Smith (diretor de filmes como O Balconista, Dogma e Procurando Amy), grande fã de quadrinhos, que havia relançado fazia pouco tempo a revista do Demolidor, pela rival Marvel, com grande sucesso.

Sondado pela DC, Smith disse que seus personagens preferidos na editora eram o Batman e o Arqueiro Verde. Só que ele gostava mesmo era de Oliver Queen, o Arqueiro original. Então ele só toparia fazer a revista se fosse para trazê-lo de volta.

Católico de carteirinha, a explicação de Smith para a volta do Arqueiro foi simples: ele realmente morreu, mas foi ressuscitado por seu amigo Hal Jordan, que como o vilão Parallax tinha poderes quase onipotentes. Jordan teria feito isso pouco antes de morrer na saga A Noite Final, como uma forma de tentar compensar seus erros.

Mas é a forma como Smith conduz essa explicação aparentemente simples que tornou o arco O Espírito da Flecha uma das grandes histórias do Arqueiro. Tudo começa no mais puro mistério. Oliver Queen aparece como um mendigo combatendo o crime em Star City, até ser socorrido por um velho milionário, Stanley Dover, que salva de ser assaltado e morto. Queen também perdeu boa parte da sua memória dos anos recentes, acreditando ainda estar no período em que andava na estrada com Hal Jordan e sua namorada Dinah Lance, a Canário Negro.

Financiado pelo empresário, Oliver volta a combater o crime, e uma das primeiras pessoas que salva é uma adolescente que se prostituía, Mia Dearden. Ele convida a menina para sair dessa vida e vir trabalhar num centro de recuperação para jovens, que ele e Stanley haviam aberto. Enquanto isso, um assassino serial assombra as ruas de Star City, perseguindo principalmente crianças.

O retorno do Arqueiro logo é notado por seus amigos super-heróis, que passam a investigar o mistério da sua volta. A princípio chega a ser cogitado se Oliver não é um farsante, até que o Espectro (a entidade mística que Hal Jordan se tornou após a morte) aparece e revela a verdade para Oliver. Seu corpo ressuscitou só que seu espírito continua no paraíso, pois se recusa a abrir mão da recompensa merecida.

Oliver assim é uma “casca vazia”, um corpo sem alma, o que o torna uma ameaça, já que seres de outras dimensões, como demônios, podem possuí-lo. Assim sofre um atentado do demônio Etrigan, que tenta destruí-lo para evitar isso. Mas a maior ameaça vem mesmo de Stanley Dover, que era justamente o assassino serial, em busca de um corpo mais jovem para habitar. Essa era a razão dos seus assassinatos macabros.

Enquanto está a ponto de ser “sacrificado”, Oliver vê aparecer seu filho Connor Hawke, que foi para Star City assim que descobriu que seu pai estava vivo. Mas Dover convoca vários demônios, e o garoto não tem chance. A única maneira de expulsá-los é que Oliver deixe de ser um corpo vazio, um homem sem alma. Ele então suplica ao seu espírito que deixe de ser egoísta, senão pelo mundo, pelo menos por seu garoto.

O espírito de Oliver aceita seu destino e ele se torna novamente um homem completo, frustrando os planos de Dover. Oliver decide voltar para exercer finalmente o papel de pai, formando agora uma parceria com seu filho Connor, e adotando Mia Dearden como sua mais nova enteada, além de reatar o romance com a Canário Negro.

- A FASE FAMÍLIA
Após seu retorno consolidado, a próxima fase do Arqueiro foi um verdadeiro “período família” na trajetória do herói. Fazendo as pazes com seu filho biológico Connor, e consolidando sua amizade com seu enteado, Roy Harper, Queen agia cada vez mais como pai de Mia Dearden e avô de Lian Harper, filha de Roy.

No entanto, Queen ainda era um homem com defeitos, principalmente de fidelidade, e uma nova traição fez com que ele mesmo rompesse com Dinah Lance, a fim de que não magoasse mais a heroína. De volta à Liga da Justiça, acabou tendo um caso com a esposa de Corvo Manitu, um dos membros da equipe, o que acarreta em problemas que dificultam a coesão interna do grupo.

Ainda antes disso tudo, no arco A Busca, escrito pelo romancista Brad Meltzer (autor de livros como Os Milionários), Oliver e Roy vão em busca de objetos pessoais da vida de Queen que deveriam ter sido destruídos quando da sua morte. Entre eles estavam a famosa flecha-diamante do caso que o levou à Liga da Justiça; a picape em que ele e Hal Jordan cruzaram o país; um anel reserva de Lanterna Verde que Hal Jordan o legara; e o mais importante, uma foto onde é revelado que Oliver Queen sabia da existência de Connor desde o dia em que o garoto nasceu. Mas ele mentiu todos esses anos, e não consegue ser capaz de revelar a verdade ainda.

Foi também durante esta fase da sua vida que a rivalidade com os vilões Exterminador, Merlyn, Tijolo e Dr. Luz se agrava, expandindo sua galeria de inimigos para além do tradicional Conde Vertigo. Se sentindo culpado pela quase destruição de sua cidade num plano contra ele, Queen volta a se candidatar a prefeito, e vence as eleições, prometendo buscar recursos para reconstruir as áreas destruídas, principalmente o Glades, bairro que chegou a ser isolado do resto da cidade, tamanha sua periculosidade.

Antes das eleições e de assumir a prefeitura, Oliver volta para a ilha, em companhia de Connor e Mia, e todos recebem aulas de alguns dos maiores mestres de artes marciais que o dinheiro pode comprar (um deles inclusive professor do Batman). Depois de ter sido superado pelo Exterminador mais de uma vez, Oliver decide ficar em pé de igualdade com o adversário, e passa até a utilizar uma espada.

Mas nem tudo são flores: meses antes, Mia Dearden, sua enteada, descobre que está com o vírus HIV, contraído quando foi prostituta. Isso fez com que ela mais do que nunca decida se tornar a nova Ricardita apesar de Oliver ser tanto tempo contra. Mas, uma vez que ela não sabe quanto tempo tem de vida, decide viver a vida plenamente, fazendo o que quer. Oliver acaba aceitando a decisão da garota, inclusive a levando para treinar e integrando-a aos Novos Titãs por um curto período.

Surpresa pelo amadurecimento e atitude de Oliver, Dinah Lance reata seu caso com o Arqueiro, até que ele faz o inusitado pedido de casamento. A cerimônia foi realizada com toda a pompa e circunstância com a presença não só da Liga da Justiça, mas de grande parte dos heróis da DC, na caverna que serviu de base para a primeira Liga, onde ambos se conheceram. Claro que um ataque de super-vilões, liderado pelo Exterminador, não poderia faltar.

Assim começa a nova revista do personagem, agora chamada Green Arrow & Black Canary (Arqueiro Verde e Canário Negro), que no entanto, mostra que assim como dizem que “felicidade não dá audiência em novela”, também não vende gibi. As vendas da revista só caem, levando a DC a pensar que foi um erro ter juntado os personagens definitivamente e ter dado a Queen uma vida tão “tranqüila”.

- A QUEDA DO ARQUEIRO
Para retomar as vendas, um jovem roteirista chamado J.T. Krull faz uma proposta ousada que é aceita pelos editores da DC: o arco Ascenção e Queda. Tudo começa na minissérie Justice League: Cry for Justice, onde a Liga está às voltas com o vilão Prometheus, um dos criminosos mais perigosos do mundo. Ele decide destruir as principais cidades, lar dos heróis da Liga, tanto para se vingar, quanto para fazer extorsão e ganhar muito dinheiro.

O primeiro alvo de seu ataque é justamente Star City, que acaba parcialmente destruída. Tentando impedir o vilão, Roy Harper, que na época havia se tornado o Arqueiro Vermelho, acaba perdendo um braço na luta contra Prometheus. Para piorar, no terremoto em Star City, sua filha, a pequena Lian, morre.

A tragédia devasta Ollie e Roy, levando Roy de volta para ao vício em heroína, e até uma carreira como anti-herói, quase um vilão, mas o pior está por vir para Oliver Queen. Sedento de vingança, ele vai atrás de Prometheus, e o assassina, com uma flecha na cabeça.

A Liga da Justiça investiga o crime e acaba descobrindo que o autor foi Oliver, que não nega as acusações. Ele é preso e entregue pelos próprios colegas às autoridades de Star City. Sua identidade finalmente é revelada e todos sabem que o Arqueiro agora é Oliver Queen. Dinah Lance pede o divórcio, indignada com as atitudes do marido. No entanto, no julgamento pelo assassinato de Prometheus, o júri popular inocenta Oliver, que é visto com simpatia pela população, por ter matado o terrorista que ceifou tantas vidas na cidade. Mas o juiz que nunca viu com bons olhos as atividades do vigilante, determina que ele seja “exilado de Star City sob pena de ser preso se voltar”.

O gibi seguinte do Arqueiro Verde mostra a volta do vigilante à cidade, agora escondido na parte destruída, que se tornou um enorme bosque em pleno coração da cidade. Mais Robin Hood do que nunca, Ollie agora é um fora-da-lei, perseguido pelas autoridades da cidade, e por uma antiga amante de seu pai, que assumiu o controle das Indústrias Queen.

Apesar da premissa interessante, foi uma péssima fase do personagem, e as vendas caíram mais do que nunca, lembrando que a própria indústria dos quadrinhos atravessava um dos seus piores períodos, na época, nos EUA.

- REBOOT
A crise das vendas no final da década passada estimulou a DC a relançar todos os seus personagens, estabelecendo novas origens, novos uniformes e novos status. Em suma, boa parte dos eventos até agora narrados foram apagados da cronologia.

No seu novo gibi, atualmente sendo publicado nos EUA, Oliver Queen volta a ter sua identidade secreta, e é um jovem milionário proprietário das Indústrias Queen, e também diretor da divisão Q-Core. Basicamente, a ideia dos editores foi transformar o herói numa versão super-heróica do falecido Steve Jobs. O novo Arqueiro usa e abusa da tecnologia no combate ao crime, inclusive sendo assessorado por um jovem cientista e uma hacker que cuida das comunicações.

Não fica claro porque Queen combate o crime, embora mostre que o herói carrega algum sentimento de culpa e obsessão em salvar as pessoas. Mas tal dubiedade não dá profundidade ao personagem, e seu elenco de coadjuvantes é muito chato, quase inexistente. Como consequência as vendas também não emplacam, resultando em diversas mudanças na equipe criativa em poucos meses.

No entanto, a salvação do Arqueiro vem de outra mídia: a TV. Fazendo uma mistura das diversas fases do Arqueiro Verde e algumas modificações para a estrutura televisiva, Arrow apresenta Oliver Queen para o grande público, despertando novo interesse para o herói dos quadrinhos.

A DC então resolve afastar o fracassado Krull dos roteiros, e contrata primeiro a escritora/ativista Ann Nocenti, provavelmente devido às suas ideias progressistas; e finalmente, o mais recente, e nova revelação entre a safra de escritores da DC, o canadense Jeff Lemire, com a missão de tornar o gibi do Arqueiro interessante novamente. O herói também passou a integrar recentemente a nova Liga da Justiça da América.

Com um enorme público potencial de olho na revista do Arqueiro, fica a torcida para que o herói volte a se firmar como um dos mais interessantes no firmamento do Universo DC.

Veja também:
- Notícias diversas sobre o Arqueiro Verde
- Outros reviews e matérias

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