MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
21/06/2013
MATÉRIA: OS FILMES DE RESIDENT EVIL
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


O quinto filme de Resident Evil chegou às lojas em DVD e Blu-ray, o que pede um review. Mas, antes dele, vamos aproveitar que foi lançado também um box com toda a saga e relembrar filme a filme dessa adaptação dos games.

- Resident Evil: O Hóspede Maldito (Resident Evil)
Lançado em 2002, com direção e roteiro de Paul W.S. Anderson, o homem que virou o “cabeça” da franquia, o primeiro filme é um dos mais fracos da série, tendo decepcionado demais os fãs dos games, já que respeita muito pouco a obra original. Para piorar, recebeu um subtítulo nacional desnecessário e sem sentido.

A decepção chega logo de cara com a personagem principal: Alice (Milla Jovovich), que sequer existe nos games. A moça trabalha na Umbrella Corporation, empresa multinacional que desenvolve, entre muitas outras coisas, armas químicas. No início do filme um incidente numa estação de pesquisas da Umbrella libera o T-Vírus, que transforma as pessoas em zumbis, mas outras criaturas também dão as caras.

Alice está na casa que serve de fachada para a instalação – casa essa que é o cenário do primeiro game, ainda que com muitas diferenças. Desmemoriada, ela se alia a outras pessoas na mesma situação e a um time especial enviado pela Umbrella para conter a situação. Juntos, entram na instalação, chamada Colmeia e acabam tendo que enfrentar as ameaças criadas pelo T-Vírus e também a Rainha Vermelha (Michaela Dicker), a inteligência artificial que comanda o local, que pretende matar todos para que o vírus não escape.

Entre os aliados de Alice estão Matt (Eric Mabius), uma pessoa que se infiltrou para encontrar provas dos experimentos da Umbrella; Spence (James Purefoy), quem causou toda a situação ao tentar roubar uma amostra do T-Vírus; e One (Colin Salmon) e Rain (Michelle Rodriguez), parte do time especial.

Pouco a pouco, Alice vai se lembrando de sua vida passada e descobre que estava ajudando Matt a denunciar a Umbrella. Um a um, todos vão sendo eliminados, até que sobram apenas Alice e Matt, já contaminado. Quando enfim saem da Colmeia, são recebidos por uma equipe da Umbrella, que imediatamente os captura.

No final, vemos Alice acordar num hospital, novamente desorientada. O cenário agora é bem familiar: ela vai para as ruas de Raccoon City, onde tudo começou nos games. Sozinha, ela está numa cidade devastada pelo T-Vírus.

Este primeiro Resident Evil não acertou em quase nada, seja pelo roteiro fraco, pelos terríveis efeitos especiais ou por divergir tanto da fonte original, mas pelo menos deixou ao final um caminho para uma adaptação mais fiel. Na época, corriam rumores de que o filme seria tratado como um prelúdio da história principal do game, que seria a base para a continuação.

- Resident Evil 2: Apocalipse (Resident Evil: Apocalypse)
Paul W.S. Anderson ainda é o roteirista, mas o segundo filme foi dirigido por Alexander Witt. A mudança fez muito bem e em 2004 tivemos uma continuação respeitando muito mais os games.

O cenário é a devastada Raccoon City, onde o T-Vírus se espalhou. Contudo, a cidade não está deserta como sugeriu o final do filme anterior. Alice acaba se aliando a um grupo de sobreviventes que inclui a policial Jill Valentine (Sienna Guillory), diretamente dos games; o malandro L.J. (Mike Epps) e mais um agente da Umbrella, Carlos Olivera (Oded Fehr), que não demora muito a enxergar a verdade sobre seus patrões.

A Umbrella já se deu conta de que não tem como conter a epidemia em Raccoon, então decide resgatar seus principais cientistas e então detonar uma bomba nuclear para vaporizar os infectados, bem como todas as provas de que causou esse desastre. Porém, a filha do Dr. Ashford (Jared Harris) ficou para trás e ele está determinado a salvá-la a todo custo. Prova disso é que ele desenvolveu o T-Vírus para restaurar a saúde da menina.

Ashford se torna a única esperança de Alice e companhia, já que promete ajudá-los a sair da cidade se resgatarem sua filha, Angie (Sophie Vavasseur). No caminho, os zumbis de sempre, e uma ameaça muito maior: o Nemesis (Matthew G. Taylor), uma criatura que a Umbrella decide “testar” na população de Raccoon.

Acontece que o Nemesis é na verdade Matt contaminado. E mais: Alice está também contaminada, o que desperta o interesse da Umbrella, em especial do Dr. Isaacs (Iain Glen). Para a sorte de Alice, ela não está se tornando um monstro, ela mantém sua forma humana, mas é muito mais forte, resistente e conta ainda com outras habilidades que vão se desenvolvendo pouco a pouco.

No final de sua jornada para fora da cidade, Alice é obrigada a enfrentar Nemesis, pois a Umbrella quer saber qual é a sua arma mais eficiente. Alice acaba novamente capturada pela corporação. Mais algum tempo se passa, e ela está em outra instalação, ainda mais poderosa, sendo resgatada por Carlos, Jill, L.J. e Angie.

O único problema é que não é bem um resgate. A Umbrella permitiu sua partida e agora monitora seu avanço, tudo para descobrir o quão valioso é o “Projeto Alice”.

Embora ainda mantenha Alice como protagonista, este segundo filme conseguiu ser muito fiel ao game com a inclusão de personagens populares e de todo o cenário de Raccoon, lembrando em especial o terceiro jogo da série.

A ação anima mais, Alice deixa de ser uma vítima e vira uma heroína de ação e os efeitos melhoram bastante. Ajuda muito o bom trabalho com a maquiagem, que permitiu criar Nemesis sem muitos efeitos visuais, deixando tudo mais realista.

- Resident Evil 3: A Extinção (Resident Evil: Extinction)
Em 2007, Russell Mulcahy dirigiu o terceiro filme da série, novamente com roteiro de Paul W.S. Anderson. Acontece que Mulcahy tem uma carreira cheia de altos e baixos. Dirigiu, por exemplo, o cultuado primeiro Highlander, mas, por outro lado, realizou também a odiada continuação. Infelizmente, em Resident Evil ele estava mais pro segundo do que para o primeiro.

Desta vez saltamos alguns anos. O mundo está devastado. O T-Vírus se alastrou descontroladamente e a humanidade está em extinção. Todo o filme se passa nas proximidades de Las Vegas, onde o deserto está voltando a cobrir tudo pouco a pouco.

Alice vaga sozinha, com um visual que lembra muito mais Mad Max do que Resident Evil. Sem nenhuma explicação, descobrimos que ela tem consciência de que a Umbrella tenta rastreá-la. Para evitar isso, ela conta com um dispositivo que a alerta quando está ao alcance dos satélites da empresa. Acontece que, mesmo com o mundo em ruínas, a Umbrella sobrevive em bases subterrâneas espalhadas pelo mundo, tentando achar um meio de deter a infestação e voltar ao poder.

Em suas viagens, Alice toma conhecimento de Arcadia, uma localidade no Alaska aparentemente livre da infestação. Ao cruzar o caminho de um grupo de sobreviventes que inclui seus velhos amigos Carlos e L.J., Alice decide ajudá-los a alcançar esse possível paraíso. O novo grupo inclui ainda a jovem K-Mart (Spencer Locke) e outra personagem popular dos games, Claire Redfield (Ali Larter).

Do lado dos vilões, retorna o Dr. Isaacs, que vem clonando Alice tentando descobrir porque ela foi a única pessoa infectada pelo T-Vírus que desenvolveu poderes, mas não se transformou numa monstruosidade. A esperança da Umbrella é usar esses clones para achar uma cura, mas Isaacs está mais interessado na Alice original e desobedece seus superiores para caçá-la. Outro personagem dos games que dá as caras é Albert Wesker (Jason O´Mara), o atual grande chefão da Umbrella.

Atacada pela Umbrella, Alice une o útil ao agradável e invade a base da corporação, garantindo assim o transporte para seus amigos e atacando de frente seus inimigos, mesmo que acabe perdendo Carlos e L.J. no trajeto. Alice, agora muito mais poderosa, contando até com telecinésia, tem uma luta final com um contaminado e horrendo Isaacs. Matando o inimigo, a moça liberta suas clones e promete caçar todos da Umbrella.

Resident Evil 3: A Extinção joga fora toda a melhora do filme anterior, se tornando um conto pós-apocalíptico genérico e deixando muita coisa no ar, como o paradeiro de Angie e Jill, que sequer são citadas. Um dos poucos trunfos do filme é a aparência dos zumbis, agora sim pútridos como todo bom zumbi deve ser.

- Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil: Afterlife)
Paul W.S. Anderson continuou nos roteiros e voltou à direção no quarto filme em 2010, fazendo um trabalho muito melhor do que no filme inicial, ainda que opte por ignorar a devastação do terceiro capítulo, onde foi afirmado que todo o ecossistema terrestre havia entrado em colapso. Desta vez, porém, vemos cidades relativamente intactas.

A trama começa no Japão, mostrando o início da infestação por lá, datada em quatro anos, o que contradiz informações do filme anterior. Pulando para o presente, Alice e seus clones atacam a sede da Umbrella no país, chegando até Wesker, agora interpretado por Shawn Roberts. O começo lembra muito Matrix, com uma grande cena de ação onde o exército de clones usa seus poderes para devastar os inimigos. Mas essa facilidade acaba logo: as clones são mortas e Alice tem seus poderes retirados por um antivírus injetado por Wesker, que agora também tem poderes.

Só neste começo já começamos a perceber a nova linha da franquia, linha essa que parece mudar totalmente filme a filme. Desta vez, de maneira acertada, a produção simplesmente não se leva a sério. Alice se torna uma personagem mais divertida, e o botão de “dane-se” é ligado para não ser desativado em todo o longa, transformando Milla Jovovich num tipo de versão feminina do canastrão Bruce Campbell. E isso não é uma crítica, mas sim um elogio, pois Resident Evil 4 rapidamente se prova como o mais divertido da franquia.

Depois de quase morrer junto de Wesker numa queda de avião, Alice vai de avião até Arcadia, onde encontra Claire desmemoriada e violenta, sem ver nenhum vestígio de outros sobreviventes. As duas então partem para Los Angeles, onde encontram outro grupo de sobreviventes numa prisão. Fazem parte do grupo o esportista Luther West (Boris Kodjoe), que se torna o interesse romântico de Alice, e Chris Redfield (Wentworth Miller), o irmão de Claire que é mantido prisioneiro, pois os verdadeiros encarcerados o prenderam ali e agora ninguém acredita nele.

Acontece que esse grupo também recebeu a mensagem de salvo-conduto de Arcadia. E aí fica claro que Arcadia não era um lugar no Alaska, mas sim um enorme navio, que agora está próximo da prisão. Logo o local é cercado por zumbis e novas criaturas (fica no ar de onde surgiram os novos monstros) e todos precisam partir rapidamente, incluindo Chris, que é libertado. Luther fica para trás, mas vivo.

Já a bordo do Arcadia, Alice, Claire e Chris enfrentam um ainda mais poderoso Wesker quando descobrem que tudo não passava de mais uma armadilha da Umbrella, que vinha armazenando humanos para seus experimentos, embora fique difícil entender que tipo de experimento a empresa ainda precisa fazer num mundo devastado.

Depois de uma dura batalha, Wesker é enfim eliminado e o trio liberta as vítimas, incluindo K-Mart. Quando tudo parece bem, eis que surgem aeronaves da Umbrella, com um time muito bem armado pronto para o combate, comandado por uma Jill Valentine sob o controle da corporação e é aí que... o filme acaba, deixando uma enorme ponta para a continuação.

Este quarto filme é o mais contraditório: ao mesmo tempo em que tem enormes furos no roteiro, a ação e o humor o tornam o mais agradável de todos. Paul W.S. Anderson é um cineasta cheio de defeitos, mas ele sabe conduzir cenas de ação, principalmente as em câmera lenta, e aqui acertou a mão em cada uma destas cenas, aliando tudo ao ótimo uso da tecnologia 3D, criando cenas memoráveis.

- O LEGADO
Como dito antes, vamos deixar o quinto filme para seu próprio review, já que neste caso não entraremos nos detalhes da trama. Ainda assim, podemos analisar o legado da franquia. A verdade é que os filmes de Resident Evil costumam ser massacrados pela crítica e até parte do público, mas, ainda assim, arrecadaram muitos milhões e por isso mesmo nunca pararam de ser produzidos, com um sexto longa já a caminho.

Contudo, é inegável que os filmes acabaram criando uma cronologia totalmente diferente dos games, o que resultou em inserções meio forçadas de personagens e elementos dos jogos apenas para “limpar a barra”, os descaracterizando totalmente.

O maior feito de Resident Evil foi mesmo alçar Milla Jovovich ao status de musa dos filmes de ação, posição que ela começou a almejar com O Quinto Elemento. Bem ou mal, com mais baixos do que altos, Resident Evil é a única franquia dos games a se dar bem nos cinemas com uma série de filmes. Vale lembrar que outras adaptações deram muito, mas muito prejuízo mesmo, até aquelas melhor realizadas, provando que adaptar games não é trabalho fácil.

Aos fãs dos games ainda insatisfeitos com os filmes, resta esperar que os rumores se confirmem e que, depois da sexta produção, seja produzido um reboot que retorne às raízes do primeiro game. Aliás, fãs andam insatisfeitos até com os games que, embora em menor nível, também fugiram muito do conceito original.

Veja também:
- Review de Resident Evil 5: Retribuição
- Notícias, vídeos e notas de produção sobre Resident Evil
- Outros reviews e matérias

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