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16/08/2013
REVIEW - HQ: DEMOLIDOR #1
 
 
Demolidor #1
 
 
 
 
 
 
 
 


Quando de sua criação, o Demolidor era um personagem bem divertido, com aventuras descompromissadas e alguns vilões que hoje em dia seriam considerados toscos. Mesmo com boas histórias, passava longe de ser um sucesso de vendas.

Muitos anos depois, Frank Miller reformulou o herói e o tornou um dos títulos mais importantes da Marvel Comics. Para isso, inseriu um clima bem mais adulto, cheio de noir, ninjas e tragédias. Para atingir o sucesso, o Demolidor precisou ter sua identidade descoberta por seu maior inimigo, ver uma das mulheres que amou morrer e outra se tornar uma viciada, e perder praticamente tudo.

O tempo foi passando e a fórmula se repetiu inúmeras vezes. Por décadas, os roteiristas pareciam se sentir na obrigação de destruir ainda mais a vida de Matt Murdock, repetindo a mesma história com algumas novas nuances, chegando ao absurdo de revelar sua identidade publicamente pela segunda vez, basicamente ignorando a primeira ocasião.

Verdade seja dita, desde a fase escrita por Brian Michael Bendis, o herói cego esteve quase sempre em boas mãos, mas nunca antes a ideia de jogá-lo ao fundo do poço foi tão longe: a cada nova reviravolta, descobria-se um fundo falso e o homem sem medo afundava mais e mais. Por melhores que as histórias fossem, se tornava cada vez mais óbvio que algo precisava mudar, pois o caminho da desgraça já tinha dado num beco sem saída.

Eis que o Demolidor saiu de circulação por um tempo depois de ser manipulado e comandar o Tentáculo. Após uma minissérie apenas razoável, o vigilante advogado ganhou uma nova série mensal com roteiro de Mark Waid, cujo primeiro volume encadernado chegou ao Brasil recentemente, com desenhos de Paolo Rivera e Marcos Martin e arte-final por Joe Rivera.

Waid acerta logo de cara, demonstrando grande respeito pela mitologia do personagem. De volta à Nova York, Murdock retoma suas duas carreiras: como o super-herói Demolidor e como advogado ao lado de seu sócio e melhor amigo Foggy Nelson. Volta também o clima divertido das primeiras histórias lá da década de 1960. Contudo, Waid não ignora nada do que aconteceu antes.

O Matt Murdock de Waid parece ter chegado à mesma conclusão que muitos leitores (e aparentemente os editores): o rumo da vida do personagem precisava mudar, não era mais possível continuar com o sofrimento e histórias sombrias eternamente. Assim, Matt decide adotar um modo de vida mais positivo, algo que causa estranhamento em Foggy, afinal ele acompanhou todo o martírio do amigo.

Deste modo, o roteirista consegue explorar de maneira incrível todas as facetas do diabo da guarda, ainda tornando Foggy peça essencial, coisa que nunca deveria ter deixado de ser. Chega a ser até uma critica velada aos tantos anos repetindo o mesmo esquema. E se torna ainda mais divertido com isso, principalmente nas várias vezes em que o assunto da identidade nada secreta vem à tona: agora, todos sabem que Matt é o Demolidor, mas ele continua a negar, mesmo que não tome nenhum cuidado para esconder isso. Essa situação cria cenas engraçadíssimas e cínicas, onde “acredita quem quer”.

Mark Waid chega realmente determinado a acabar com a mesmice, inserindo vilões que não fazem parte da galeria de inimigos convencional do Demolidor, como o Mancha e o Garra Sônica, criando ainda uma subtrama de crime internacional que cairia como uma luva numa história clássica de Nick Fury. Tudo isso ajuda a formar uma revista diferenciada, que se provou rapidamente o melhor título regular da Marvel na atualidade.

A arte de Paolo Rivera e Marcos Martin só ajuda mais. Embora tenham estilos diferentes, os dois artistas são ótimos e sabem brincar com os poderes do herói, os retratando como nunca antes, compondo páginas que impressionam pela quantidade de detalhes e seu dinamismo. Ajuda muito a presença de vilões como o Garra Sônica, formado puramente de som, que pedem por uma abordagem diferente das habilidades de Murdock.

Embora tenha demorado demais para lançar o encadernado, deixando o Demolidor bem atrasado se comparado ao resto do Universo Marvel, a Panini está de parabéns na escolha do formato. As histórias funcionam muito melhor lidas numa tacada só.

Demolidor #1 - 148 páginas - formato 17 x 26 cm - R$ 18,90 -  lançado em junho de 2013 - Panini Comics.

Veja também:
- Notícias diversas sobre o Demolidor

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