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22/11/2013
REVIEW - CINEMA: BONS DE BICO
 
 
Bons de Bico
 
 
 
 
 
 
 
 


Bons de Bico (Free Birds) marca a estreia da veterana ReelFX em animações computadorizadas, e conta com roteiro de Scott Moiser e direção de Jimmy Hayward (Jonah Hex).

A produção já sai perdendo pontos em terras brasileiras por girar em torno do Dia de Ação de Graças, uma das mais importantes datas comemorativas dos Estados Unidos, mas inexistente aqui no Brasil. Para tentar driblar o problema, a produção da dublagem tentou alterar a data pelo Natal, o que resultou em mais pontos negativos devido às incoerências que surgiram.

A animação tem Beto Bom de Bico como protagonista, um peru magricela e espertinho que se torna mascote da filha do Presidente dos Estados Unidos por mero acaso do destino. Com sua contraparte robusta e menos intelectualizada, Zeca, descobre uma máquina do tempo em um laboratório do governo e decidem voltar no tempo, até o dia da celebração do primeiro Dia de Ação de Graças, para impedir que a prática de comer perus se torne a refeição tradicional da data comemorativa.

Quando chegam ao passado, os dois perus se deparam com uma América envolvida em disputas entre peregrinos brancos contra índios nos idos de 1621. Mas o cenário é pouco aproveitado e as disputas locais são deixadas de lado para dar lugar à “tribo” de perus que vive em cavernas, numa alusão que se perde e se torna desnecessária, já que nenhuma mensagem por tolerância racial se aprofunda. A tal tribo de perus se torna um recurso tão previsível e absurdo quanto sem graça, pois serve apenas para marcar o clichê dos oprimidos contra os poderosos, mas sem um propósito realmente relevante que justifique a escolha.

As motivações dos personagens são ingênuas e pouco, ou quase nada, convincentes. Tudo empurrado com a barriga para simplesmente acontecer e dar sequência à historinha sem sal. E conforme o filme se desenrola (ou apenas enrola), os lugares-comuns vão surgindo aos montes, como a mais do que desgastada premissa do “estranho numa terra estranha”, na qual o personagem se depara com um mundo totalmente novo, com zilhões de coisas para descobrir. O problema é que o tal estranho se adapta em velocidade relâmpago, e minutos depois, já está completamente inserido na nova realidade. Tão inverossímil quanto possível.

Depois, surgem a parceira bonitinha, o sidekick abobalhado, o valentão corajoso, o velho sábio e tudo o que for necessário para não deixar passar em branco nenhum clichê caro ao gênero. A humanização dos perus é tão excessiva a ponto de fazer um filhotinho de peru chorar feito um bebê. Só faltou colocarem uma mamadeira com leite na boca da avezinha! Humanização de personagens é prática comum em animações, mas aqui beira o ridículo.

Como se tudo não bastasse, o humor ficou de lado. Ou melhor, até tentaram inseri-lo, mas com praticamente nenhum sucesso. Fica difícil esboçar um sorrisinho sequer, seja com gags visuais ou nos diálogos. A grande maioria das tentativas de provocar risos advém de situações pastelão, como quedas, tropeços, trombadas, caretas e afins. Além disso, as cenas de ação são tão monótonas quanto o restante, o que certamente vai resultar em crianças entediadas em frente à tela.

O final, então, é um caso à parte. O filme possui orientação infantil, tudo bem. Mas quando é que certos produtores de animações vão começar a entender que crianças são apenas seres humanos de pouca idade, e não seres humanos imbecis? E nem vou mencionar aqui os paradoxos temporais que poderiam resultar nas possíveis viagens no tempo. Isso simplesmente foi descartado para não estragar ainda mais o já estragado roteiro.

Enfim, um desenho sem nenhum ponto positivo e fadado ao esquecimento precoce.

Vozes originais: Woody Harrelson, Owen Wilson, Amy Poehler, Keith David, George Takei. Roteiro: Jimmy Hayward e Scott Mosier. Direção: Jimmy Hayward.

Veja também:
- Galeria mais de 40 imagens da animação
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