MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
06/12/2013
MATÉRIA: VINGADORES - 50 ANOS DOS HERÓIS MAIS PODEROSOS DA TERRA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


“E houve um dia, como nenhum outro, em que os maiores heróis da Terra se viram unidos contra uma ameaça comum. Neste dia nasceram Os Vingadores, para enfrentar ameaças que nenhum herói poderia vencer sozinho.”

Qual fã de quadrinhos não conhece essa famosa legenda de apresentação da maior superequipe de heróis da Marvel? Hoje, os Vingadores são um sucesso na cultura popular, com brinquedos, animações e filmes. Mas por mais de 40 anos, esses personagens tiveram sua popularidade quase que restrita às histórias em quadrinhos, onde surgiram.

A ideia da equipe não é nova. Afinal desde a Sociedade da Justiça da América, criada pela DC Comics, em 1940, reunir vários super-heróis conhecidos num mesmo título se tornou a receita certa para vender bem, certo? Errado: pois por muito tempo, todas as tentativas posteriores, Soldados da Vitória da própria DC, e Esquadrão Vitorioso, da Timely (editora que geraria a Marvel) foram fracassos. Sinal de que é preciso algo mais para tornar essas histórias populares entre os leitores, além de simplesmente reunir personagens conhecidos.

Com o fim da Sociedade da Justiça em 1951, as superequipes caíram no limbo, e somente com a criação da Liga da Justiça da América, em 1960, a receita funcionou novamente. Afinal o time desta vez contava com os maiores super-heróis da DC Comics, logo se tornando a revista em quadrinhos mais vendida dos Estados Unidos. Foi esse sucesso que acabou incentivando a criação da própria Marvel Comics, quando o proprietário da DC, Harry Donenfeld, num jogo de golfe com seu amigo, o proprietário da Atlas Comics, Martin Goodman, se gabou do sucesso da Liga e comentou que os super-heróis tinham voltado à moda.

Martin então ordenou ao seu editor-chefe, Stan Lee, que criasse uma equipe como a Liga da Justiça, mas o problema é que não havia super-heróis conhecidos a quem reunir. Nos anos 50 a Atlas havia tentado relançar o Capitão América, Tocha Humana e Príncipe Submarino sem sucesso. Por que agora seria diferente? Stan decidiu criar uma equipe de novos super-heróis, e assim nasceu o Quarteto Fantástico. Assim nasceu o Universo Marvel como o conhecemos.

Com o sucesso do Quarteto, se sucederam novas revistas e personagens, como Hulk, Homem-Aranha, Thor, Homem-Formiga e Homem de Ferro. Com esses personagens estabelecidos, o próximo passo lógico era finalmente reuni-los numa equipe, de modo a Marvel finalmente ter a sua própria Liga da Justiça!

O lançamento do aguardado gibi aconteceu em setembro de 1963, portanto, há 50 anos. Só que a escalação não envolveu todos os heróis solitários da editora, além de ser até um pouco forçada. Afinal o Hulk era um anti-herói, que na maioria das vezes era combatido pelos demais heróis, portanto como ele poderia estar fazendo parte de uma equipe já que era um monstro temperamental? Mas Stan Lee não tinha muita escolha, afinal já havia decidido deixar o Homem-Aranha de fora do time, pois ele era um foragido da justiça, e visto com desconfiança até pelos outros super-heróis. Sobraram apenas Homem de Ferro, Thor, Homem-Formiga e sua parceira Vespa que pudessem compor a equipe de heróis da editora.

O Hulk seria justamente o argumento para reunir esses personagens que atuavam até então solitariamente (ou em dupla, no caso do Homem-Formiga e Vespa). Procurando uma forma de derrotar seu meio-irmão, Thor, o maligno Loki procura uma criatura que seja tão forte quanto ele. E claro, encontra o Hulk. Ele manipula o monstro através de ilusões para que pareça que ele está atacando pessoas inocentes. Assim Loki pretende que o deus do trovão vá confrontar a criatura e se envolva numa briga que não pode vencer.

Mas o destino tem outros planos: Rick Jones e sua Brigada Juvenil, um grupo de garotos que se comunicava pelo país através de rádio-amador para relatar aparições de super-humanos (nos dias de hoje provavelmente usariam a internet), emite um alerta para o Quarteto Fantástico, até então a grande equipe de super-heróis do Universo Marvel. Mas Loki, percebendo que seu plano poderia falhar, desvia, com seus poderes místicos, as ondas de rádio da frequência do rádio do Quarteto, mudando-as para a frequência da estação de rádio que Donald Blake, a identidade secreta de Thor na sua forma humana, estava escutando.

O que Loki não contava é que a mesma estação de rádio estava sendo ouvida por Tony Stark e por Hank Pym e Janet Van Dyne! Eles também decidem ir ao encalço do Hulk. E assim, na sede da Brigada Juvenil, Thor se encontra com os demais heróis, decidindo unir forças contra o gigante verde. Vendo o que acontecia, Loki tenta impedir tal união, afastando Thor dali utilizando ilusões que fizeram o deus do trovão perseguir um falso Hulk. Mas Thor descobre a artimanha e logo conclui que só pode ser obra de Loki.

Enquanto isso, Homem de Ferro, Homem-Formiga e Vespa vão sozinhos enfrentar o gigante verde, o que é um páreo pra lá de duro. Porém Thor captura Loki e o leva para a Terra, para forçá-lo a confessar seus atos aos demais super-heróis, e assim inocentar o incompreendido monstro. Loki tenta um último contra-ataque, mas não tem a menor chance contra os cinco heróis reunidos, sendo finalmente vencido. Percebendo que poderiam fazer muito pelo mundo caso lutassem juntos, Homem-Formiga e Vespa sugerem que todos formem uma superequipe (e ironicamente ambos ficaram fora do filme, que ingratidão Marvel!). Inclusive é a Vespa que sugere o nome (só não perguntem o que justamente os Vingadores vingariam...).

Mas a tensão do Hulk com os demais membros não diminui. Tony Stark, o Homem de Ferro, está disposto a transformar os Vingadores num verdadeiro “clube dos heróis”, dando a sua mansão em Nova Iorque para a equipe se reunir, e inclusive colocando um mordomo a disposição, Jarvis. Mas o Hulk não é do tipo que participa de reuniões e bate-papos (até porque a tensão é o que mantém sua transformação, afinal a calma faz revertê-lo para a forma de Bruce Banner).

Logo na segunda edição da revista, um vilão alienígena capaz de mudar de forma coloca cada um dos heróis uns contra os outros, e o Hulk fica furiosamente magoado ao perceber que os demais continuam não confiando nele. Decide então deixar o grupo, mas os Vingadores logo partem em seu encalço – levando à reflexão que talvez um dos motivos da equipe ter se formado era justamente para ficar de olho numa ameaça destrutiva como o gigante verde.

Na edição 3 vemos enfim a batalha épica do quarteto de heróis contra o Hulk, que para piorar se alia ao Príncipe Submarino, outro anti-herói da editora, que na época costumava confrontar os mocinhos. Enquanto perseguem Namor, no circulo polar ártico, o anfíbio encontra um estranho totem de gelo, adorado pelos esquimós. Na sua raiva contra o povo da superfície atira a figura congelada na água, sem desconfiar que ela se trate de um velho conhecido seu: ninguém menos que o Capitão América, que estava desaparecido desde a Segunda Guerra Mundial (Stan Lee havia decidido ignorar as efêmeras histórias do herói nos anos 50, embora isso viesse a assombrá-lo anos depois).

Assim, no número 4, os Vingadores finalmente encontram seu quinto integrante de fato - e que inclusive teria o mesmo status de membro fundador dos demais. O Capitão América acabaria se tornando um dos heróis que mais esteve presente nas várias formações da equipe e que mais vezes assumiu a liderança do time, graças à sua experiência militar em combate.

Essa formação durou até o número 16 da revista, que mostrou outra característica peculiar dos Vingadores: ser uma equipe em constante mutação, que está sempre recebendo novos membros, enquanto outros decidem sair. Após Vespa quase morrer num confronto com o Conde Nefária, Hank Pym (que já havia adotado a identidade super-heróica de Gigante) decide pedir uma “licença”. Thor também está envolvido numa pendenga em Asgard que o manterá afastado da Terra durante alguns meses. Então Tony Stark decide aproveitar para também tirar uma folga, pois as Indústrias Stark estavam passando por uma crise dos negócios, necessitando mais da sua atenção. Seria o fim dos Vingadores?

Os membros fundadores decidem convidar substitutos, a fim de fazer companhia para o Capitão América que agora lideraria o time (antes a liderança era rotativa). A escalação foi bem incomum, afinal eles escolheram três conhecidos criminosos no iniciante Universo Marvel: Gavião Arqueiro, Mercúrio e Feiticeira Escarlate! Esses três mostram uma faceta interessante de Stan Lee, que às vezes caprichava tanto na criação dos seus vilões, que eles logo caiam na graça dos leitores, graças ao seu caráter não necessariamente maligno, mas de incompreendidos e vítimas das circunstâncias, como no caso desses três. Também seria uma jogada de mestre mostrar que alguém poderia mudar de lado e se redimir, ao contrário do que acontecia na “Distinta Concorrente” (a DC), onde o status quo era uma coisa até então bem fixa, e os vilões sempre eram vilões.

O Gavião Arqueiro fizera sua estreia nas páginas das histórias do Homem de Ferro como um sujeito que tentara ser herói, mas logo na primeira ação, acabou sendo confundido com um bandido e perseguido pelas autoridades. Para piorar, o Gavião se apaixona pela espiã russa Natasha Romanoff, a Viúva Negra, que o manipula para atacar seu arqui-inimigo, o Homem de Ferro. Já os irmãos Mercúrio e Feiticeira Escarlate eram membros da primeira Irmandade de Mutantes, arqui-inimigos dos X-Men, mas já haviam traído a equipe algumas vezes para ajudar os mutantes de Charles Xavier. Apesar de terem saído do grupo terrorista, recusaram o convite dos X-Men para fazer parte do grupo, pois não queriam ser estigmatizados como mutantes. Afinal vale lembrar que os X-Men eram marginalizados, enquanto os Vingadores eram vistos como heróis pela opinião pública.

Não por muito tempo. Pois devido a essa controversa formação, a imprensa apelidou o grupo de “a Quadrilha do Capitão”. O quarteto, bem menos poderoso que a formação anterior, teve que suar para se mostrar à altura do legado dos “maiores heróis da Terra”. Mas logo ganhariam reforços, afinal Hank Pym (agora na identidade super-heróica do Golias) e Vespa voltariam. Com Hank assumindo a liderança, o Capitão América pediu sua primeira licença, e logo entrariam para as fileiras dos Vingadores os heróis Hércules e Pantera Negra - o primeiro super-herói negro e africano dos quadrinhos.

Desse ponto em diante, no final dos anos 60, a formação da equipe fica mais fluída, com os “três grandes” (Capitão América, Homem de Ferro e Thor) participando ocasionalmente. Entram para a equipe o sintozoide (homem-sintético, uma forma mais evoluída de androide) Visão, e Hank Pym muda de identidade (de novo) para o herói Jaqueta Amarela, pouco antes de finalmente se casar com a Vespa, numa das edições clássicas da era de prata. Há também a inclusão de “membros honorários”, como Cavaleiro Negro, Capitão Marvel e Rick Jones, que participam de aventuras esporádicas.

ANOS 70 - AS GRANDES SAGAS
É no início da década de 70 que a equipe vive uma das suas primeiras “grandes sagas”, a Guerra Kree-Skrull, uma trama que se arrasta por nove edições e que envolve grande parte dos componentes que fizeram parte da equipe até então. A história foi inspirada na disputa de uma ilha que era um ponto estratégico durante a Segunda Guerra Mundial entre Estados Unidos e Japão, segundo conta o roteirista Roy Thomas. No caso, a Terra é o tal ponto estratégico, apesar de ser um planeta primitivo e atrasado, disputado pelas potencias alienígenas dos Skrulls (que eram inimigos costumeiros do Quarteto Fantástico) e dos Krees (raça a que pertencia o herói Capitão Marvel). Thomas também aproveitou para fazer uma sátira do Macarthismo e da perseguição contra os quadrinhos nos anos 50, colocando um dos Skrulls disfarçado como um político insuflando a população e as autoridades contra os Vingadores.

A próxima grande saga envolvendo os Vingadores foi um dos primeiros crossovers (encontros de personagens de revistas diferentes) das editoras americanas, no caso o confronto com os Defensores, a segunda equipe de heróis solitários da Marvel, que fora fundada pelo Doutor Estranho, Príncipe Submarino e o Incrível Hulk! A aventura se passou em números alternados de ambas as revistas, mostrando os grupos numa “caça ao tesouro” cósmica, com vários duelos entre os membros de cada time. A coisa toda pareceria até um enredo de videogame de lutas, se na época já existissem videogames neste estilo!

A seguir, os Vingadores também participaram da Saga de Thanos, embora de forma periférica. A trama foi desenvolvida pelo escritor/desenhista Jim Starlin primeiro nas páginas da revista do Capitão Marvel, que era membro honorável dos Vingadores. Como o ataque das tropas de Thanos à Terra não poderia passar desapercebido, é claro que os Vingadores se envolvem, embora caiba a Mar-Vell derrotar o vilão no primeiro round propriamente dito.

O segundo round começou na revista de Warlock, outro herói cósmico que Jim Starlin escreveu e desenhou logo após deixar o Capitão Marvel. Mas a revista acabou cancelada, e Starlin teve que concluir a história numa edição anual dos próprios Vingadores e de Marvel Two-in-One (revista de parceria do Coisa com outros heróis da editora). Novamente os Vingadores lutam com o vilão, mas sua derrota definitiva só ocorre quando a alma de Adam Warlock volta da morte para transformar o titã louco em pedra.

Papel bem mais relevante teria a equipe em A Busca da Madonna Celestial, onde o vilão Kang, um dos inimigos mais frequentes dos Vingadores, está convencido de que uma terráquea gerará o “messias do universo”. Por isso ele pretende sequestrar e casar com ela, para garantir que controlará a criança. As três candidatas estavam diretamente envolvidas com os Vingadores: a Feiticeira Escarlata, Serpente da Lua, que havia se juntado ao time durante a Saga de Thanos; e Mantis, uma vietnamita telepata que era protegida pelo Espadachim, outro vilão que se redime e vira membro dos Vingadores, somente para sacrificar sua vida enquanto protege a amada.

No fim das contas, se descobre que Mantis é a Madonna Celestial, e ela contrai matrimônio com um Cotati, um ser planta, que representaria o outro lado da evolução. Nessa saga, o Visão descobre que era o Tocha Humana original, o androide que atuara como super-herói nos anos 40, cujo corpo fora reconstruído pelo vilão Ultron. Livre de dúvidas sobre seu passado, ele pede a mutante Feiticeira Escarlate em casamento, e ela o aceita, formando um dos casais mais incomuns (e bizarros) dos quadrinhos. Afinal não podemos esquecer que ele era praticamente um robô e ela era uma mutante, não muito bem vista pelo público em geral.

Em A Saga da Coroa da Serpente, a equipe acaba conhecendo a Contraterra, uma versão alternativa do planeta Terra que gira no lado oposto do Sol. Eles também têm sua própria equipe de heróis por lá, nada menos que uma versão da própria Liga da Justiça chamada Esquadrão Supremo. Cada membro é uma versão adaptada de um dos grandes heróis da DC, do Superman (Hipérion) ao Batman (Falcão Noturno). Era uma forma dos autores anteciparem um dos confrontos mais aguardados pelos fãs de quadrinhos entre os dois supertimes de cada editora.

O encontro das duas grandes equipes das editoras rivais só aconteceria de fato no século XXI, após uma frustrada tentativa nos anos 80. Vingadores vs. Liga da Justiça inclusive foi o último crossover entre Marvel e DC, que dali em diante embarcaram numa disputa cada vez mais acirrada pelo mercado de quadrinhos, com os profissionais de cada empresa dando alfinetadas nos concorrentes...

Mas de volta ao fim dos anos 70, as fileiras dos Vingadores aumentavam exponencialmente, à medida que “uma vez vingador sempre vingador” e quase todos os antigos membros estão fazendo parte da equipe ao mesmo tempo que os novos. É nessas condições que acontece A Saga de Korvac, onde uma das cenas antológicas é a equipe precisar lotar um ônibus, porque o governo havia retirado a permissão deles de cruzar o espaço aéreo com seus famosos jatinhos.

Um dos motivos pelos quais o governo norte-americano alega que não renovará a licença para a equipe atuar é justamente a explosão de membros. Como muitos dos indivíduos não aceitavam revelar suas identidades secretas, e o governo acredita que nem todos são confiáveis, decide diminuir a equipe para apenas sete integrantes. Para piorar a situação, querem incluir à força o super-herói Falcão, ex-parceiro do Capitão América, a fim de que a equipe não tenha somente heróis brancos – o Pantera Negra havia assumido o trono da nação de Wakanda e não se encontrava mais disponível.

O próprio Falcão fica ressentido quando percebe que está no time somente para preencher cota racial, e acaba se afastando. Com o tempo, as limitações do governo caem por Terra, pois os Vingadores, ativos ou inativos, continuam frequentando a mansão, mostrando que aquilo havia de fato se tornado um enorme “clube”, onde muitas vezes os heróis apareciam para espairecer e trocar conversa com os colegas super-heróis. Claro que mesmo que Thor aparecesse só para um “cafezinho”, sempre pintaria uma emergência que o colocaria ao lado do grupo...

OS ATRIBULADOS ANOS 80 (E 90)
Nos anos 80, o time viveu tempos conturbados, quando os problemas psicológicos de Hank Pym acabaram se agravando e ele agrediu a própria esposa, o que acabou resultando no seu divórcio. A Vespa não só superou a tragédia, como acabou virando líder da equipe.

Após o evento Guerras Secretas, a equipe decide se dividir para proteger melhor o país, montando uma filial na Costa Oeste. O Gavião Arqueiro é escolhido para liderar o novo time, que conta com sua esposa Harpia, Magnum, Tigresa e o Homem de Ferro (Jim Rhodes, substituindo Tony Stark). Assim nasce a segunda revista da franquia, Vingadores da Costa Oeste. Também fariam parte dessa divisão, com o passar dos anos, o próprio Henry Pym, Visão, Feiticeira Escarlate, Vespa e o controverso Agente Americano, entre vários outros.

O mandato de Vespa como líder dos Vingadores teria um fim trágico quando a mansão da equipe é atacada pelos Mestres do Terror, um grupo liderado pelo Barão Zemo. Os vilões tomam a mansão, e quase matam o mordomo Jarvis e o vingador Hércules, além de fazerem Vespa e o Capitão América de reféns. A novata Capitã Marvel consegue reunir a Mulher-Hulk, Thor e Cavaleiro Negro, e com a ajuda do Doutor Druida, reverter o jogo. Nascia assim outra formação dos Vingadores, tendo a Capitã como líder, o que não duraria muito. O Doutor Druida acabaria dando um golpe na equipe que se dissolveria durante sua curtíssima gestão.

É em meio a saga Inferno que novamente heróis se veem “unidos contra uma ameaça comum”, nesse caso uma invasão de demônios extradimensionais à Terra. O Capitão América (então agindo apenas como o Capitão) junta forças com Thor e Gilmamesh, um herói oriundo da série Os Eternos de Jack Kirby, para resgatar o filho de Reed e Susan Richards, o Senhor Fantástico e a Mulher Invisível, que nessa época estavam fora do Quarteto Fantástico. Assim os cinco reiniciam os Vingadores, que logo ganham a adesão de antigos e novos membros, enquanto Reed e Susan voltam para o Quarteto. Por volta dessa época, aparece a terceira revista da franquia, Avengers Solo, que após vinte edições mudaria o nome para Avengers Spotlight. Como o próprio nome diz, era destinada para aventuras solos dos Vingadores que não tinham revista própria, principalmente o popular Gavião Arqueiro. A série foi cancelada após 40 edições.

John Byrne assume as duas revistas principais (criando ainda os cômicos Vingadores Centrais), com uma passagem marcante nos Vingadores da Costa Oeste, onde faz o Visão ser desmontado e remontado, perdendo seus sentimentos pela esposa Feiticeira Escarlate. Para piorar a situação, ela descobre que seus filhos eram ilusões criadas por seus poderes míticos, graças à manipulação do vilão Immortus. A Feiticeira chega a ter um surto esquizofrênico e se alia ao pai, o vilão Magneto.  Esses eventos, somados à falta de conhecimento do roteirista Brian Michael Bendis, trariam graves consequências anos mais tarde...

Os Vingadores da Costa Oeste chegariam ao fim após 100 edições de aventuras, com a trágica morte da Harpia. Um pouco antes, durante a saga Operação Tempestade Galáctica, o Homem de Ferro lidera uma dissidência onde parte dos Vingadores decidem que devem executar a Inteligência Suprema Kree por ter arquitetado o genocídio da própria raça, atitude a qual o Capitão América é contra.

Devido ao conflito ético, a divisão oeste dos Vingadores é encerrada, mas o Homem de Ferro decide sair dos Vingadores, e montar sua própria equipe, a Força-Tarefa, que conta com Feiticeira Escarlate, Magnum, Agente Americano e Mulher-Aranha.

Durante a saga The Crossing, o Homem de Ferro enlouquece, manipulado pelo vilão Kang, e todos os Vingadores se unem para enfrentá-lo e tentar salvar o amigo. A controversa história foi muito rejeitada pelos leitores e contribuiu para uma queda violenta das vendas, o que acabou levando a Marvel a uma decisão drástica: rebootar a equipe.

HERÓIS RENASCEM/HERÓIS RETORNAM
Nos anos 90, uma editora formada por ex-desenhistas estrelas da Marvel, a Image Comics, ameaçou as vendas das duas grandes (Marvel e DC), a ponto da Marvel decidir, em 1996, contratar dois se seus membros, Jim Lee e Rob Liefeld, para relançar quatro dos seus títulos clássicos que estavam vendendo mal: Quarteto Fantástico, Homem de Ferro, Capitão América e... Os Vingadores!

Na saga Massacre, os Vingadores são dados como mortos, mas na verdade foram enviados para outra dimensão, onde nasce outro Universo Marvel. Assim os leitores poderiam acompanhar as histórias desde o começo, eliminando a “confusão cronológica” que já era vista pela Marvel como um dos problemas que estaria afastando os novos leitores das revistas.

Mas a solução logo se mostra equivocada, ainda mais que o controverso Rob Liefeld é contratado para escrever e desenhar a revista. Aliando uma arte ruim com um roteiro raso, o resultado não poderia ser outro do que vendas decepcionantes.

Assim, em 1998, a Marvel decide trazer os clássicos heróis “de volta”. É a fase Heróis Retornam, onde o Universo Marvel volta a ser unificado. Aprendendo a lição, os editores contratam dois autores com grande apreço à fase clássica dos Vingadores, Kurt Busiek, um dos maiores entusiastas da Era de Prata dos quadrinhos, e George Pérez, que já havia tido duas passagens de sucesso pelo gibi.

Respeitando a tradição, a equipe escolhida por eles não só tem os membros mais clássicos e populares dos leitores, como também tem espaço para os novatos, pois sempre deve haver novatos nos Vingadores, no caso o casal Justiça e Flama. E novamente respeitando a tradição, após vinte edições, eles mudam a escalação de novo, fazendo alguns membros saírem em protesto pelas manipulações da Compreensão Triúnica, uma seita que o grupo passa a enfrentar, e que inclusive consegue incluir um dos seus fiéis no time, o herói Triatlo, novamente por questões de cota racial (o herói era negro). Mas Triatlo logo percebe as más intenções do líder da organização e fica do lado dos heróis no confronto.

Pérez sai da revista, mas Busiek continuou no titulo por muitos números, criando provavelmente a maior saga já envolvendo o vilão Kang, que conquista a Terra, e os Vingadores acabam se tornando um grupo de resistência ao novo Imperador.

Com a saída de Busiek, a Marvel procura um sucessor a altura e o teria encontrado em Geoff Johns, outro “era-pratista” que com apenas 13 histórias conquistou a crítica especializada. No entanto, ele acaba aceitando um vantajoso contrato de exclusividade com a DC, e tem que largar os Vingadores.

A Marvel então entrega o título a Chuck Austen, queridinho do editor-chefe Joe Quesada, mas que apesar de ter tido chances em títulos de grande visibilidade como X-Men e Capitão América, em ambos desagradou todos os leitores e fez as vendas caírem. Com os Vingadores não foi diferente.

OS NOVOS VINGADORES
Em 2004, Quesada decide então relançar o título, e convida o autor que era então o mais badalado da editora, com dois prêmios Eisner, Brian Michael Bendis, para assumir a revista. Ele decide criar uma saga onde a equipe resolveria debandar, e assim a revista seria cancelada, abrindo espaço para uma nova revista, que seria chamada de Novos Vingadores.

A saga se chamou Avengers Disassembled (no Brasil, Vingadores: A Queda), um trocadilho com o grito de guerra da equipe, Avengers Assemble (Avante Vingadores). Trata-se do pior dia na vida dos Vingadores, que começa com um ataque que destrói a Mansão dos Vingadores, ceifando de imediato a vida do Homem-Formiga (Scott Lang) e ferindo gravemente a Vespa. Paralelamente, Tony Stark aparece embriagado na hora de discursar na ONU, e os impropérios contra os líderes de Estado acabam custando a licença da equipe atuar mundialmente, além do seu financiamento. O Visão perde o controle e do seu corpo saem “ovos mecânicos” que geram robôs Ultrons. A Mulher-Hulk novamente perde o controle, como seu primo, e acaba destruindo o Visão durante o confronto, além de ficar completamente irracional, precisando ser detida pelos demais membros.

Enquanto os Vingadores tentam adivinhar quem poderia estar por trás disso tudo, são misteriosamente atacados por uma frota Kree e, para derrotá-los, o Gavião Arqueiro acaba sacrificando a própria vida. É quando aparece o Doutor Estranho e revela que a Feiticeira Escarlate, um dos seus próprios membros, estava por trás de tudo. Enlouquecida após a manipulação constante de “magia do caos”, a gota d´água foi ela descobrir que teve sua mente apagada para esquecer dos filhos que perdera (embora nas histórias isso nunca tenha acontecido, um grave erro cronológico de Bendis). Acreditando que os Vingadores lhe traíram, ela decide se vingar, até que um confronto com o Doutor Estranho a acaba colocando em coma.

Abalados pela traição de um dos seus, com a crise política causada com a ONU, de luto pela morte dos amigos, Tony Stark decide que não vai mais financiar a equipe, pois suas ações também estão caindo devido a todo esse fiasco. A equipe então decide debandar.

Meses depois, enquanto a agente da S.H.I.E.L.D. Jessica Drew (a ex-super-heroína Mulher-Aranha) está escoltando o advogado Matt Murdock (que na verdade também é o super-herói Demolidor) para entrevistar um prisioneiro na Balsa (uma prisão de segurança máxima para supervilões), acompanhados pelo herói de aluguel Luke Cage (que estava de guarda-costas de Murdock), Electro, um dos vilões do Homem-Aranha, causa um blecaute na ilha, a fim de libertar os prisioneiros.

Em meio ao caos, os heróis nova-iorquinos Homem de Ferro, Homem-Aranha e Capitão América se unem a Mulher-Aranha, Demolidor e Luke Cage para tentar conter a fuga, embora alguns dos bandidos consigam escapar. Um dos detentos da prisão se revela como um super-herói com problemas psicológicos, o Sentinela, que acaba ajudando os demais heróis. Para perseguir os foragidos e descobrir quem contratou Electro para causar a rebelião na Balsa, eles decidem montar uma nova equipe de Vingadores.

O Demolidor, no entanto, declina do convite, pois na época sua identidade secreta havia sido exposta por um jornal e ele estava sendo visado demais. Porém, ele indica o misterioso herói Ronin (que mais tarde se revelaria a heroína Eco) no seu lugar. Mas assim como o Capitão América entrou na quarta edição da revista original, Wolverine dá as caras, quando as investigações do grupo os levam a Terra Selvagem.

Dessa forma, a Marvel juntou ao time clássico, dois dos seus super-heróis mais populares, Wolverine e o Homem-Aranha, e o resultado logo se fez sentir nas vendas. Até então, a principal franquia da Marvel vinha sendo os X-Men, mas as coisas começaram a mudar nesse período. Afinal os X-Men tinham apenas Wolverine, enquanto os Vingadores tinham Wolverine e o Homem-Aranha.

Em paralelo, surgem também os Jovens Vingadores, equipe composta por adolescentes inspirados nos Vingadores, alguns com ligações muito diretas com eles.

GUERRA CIVIL
Mas mal a equipe se consolidara quando acontece, em 2006, a Guerra Civil no Universo Marvel. O Congresso norte-americano aprova uma lei que proíbe os vigilantes super-humanos de agir sem autorização, após uma tragédia numa escola com centenas de crianças mortas, durante o confronto de uma equipe de jovens heróis em busca de fama, os Novos Guerreiros, contra um vilão literalmente explosivo, Nitro. A opinião pública se volta contra os super-heróis e exigem que o governo tome providências. Só poderão agir os heróis que revelem sua identidade secreta para o governo e se submetam a sua autoridade.

O Homem de Ferro começa a articular em favor da nova lei e tenta convencer os demais a aceitarem o que ele considera uma “evolução” dos super-heróis, formando uma espécie de comitê com o Sr. Fantástico (Reed Richards) e Hank Pym (novamente Jaqueta Amarela). Mas o Capitão América, que já havia se revoltado antes contra as manipulações dos políticos norte-americanos, acredita que estão infringindo seus direitos civis - a lei norte-americana faculta que qualquer cidadão possa efetuar a prisão de um elemento criminoso se estiver dentro do seu poder - e que o anonimato é essencial para os heróis fazerem o que fazem.

Inspirados pela resistência do Capitão América, outros heróis se rebelam, levando ao confronto entre heróis pró e anti-registro. Apesar de vencer a batalha final, o Capitão América decide se render quando vê que a maioria da população está do lado do Homem de Ferro e que sua resistência só gerou desordem e destruição, ameaçando as vidas que ele queria proteger. Ele acredita que deve então lutar contra o registro politicamente, e decide se render, para dizer o que pensa num julgamento. Mas seus planos são frustrados por uma tentativa de assassinato, onde é dado como morto.

No entanto, os heróis que ele inspirou, liderados por Luke Cage, formam uma equipe de Vingadores que continua atuando fora da lei e contra o registro, formada pelo Homem-Aranha, Wolverine, Mulher-Aranha, Doutor Estranho, Punho de Ferro, Eco e Clint Barton (o ex-Gavião Arqueiro agora na identidade de Ronin – o herói voltara dos mortos na saga Dinastia M).

Paralelamente, o Homem de Ferro monta outro time dos Vingadores, oficialmente sancionado pelo governo, e comandado pela Ms. Marvel, apesar de contar com ele nas suas fileiras, além dos heróis Magnum, Viúva Negra, Vespa, Sentinela e Ares. As duas equipes de Vingadores vivem em pé de guerra, até o acontecimento da Invasão Secreta, outra tentativa dos Skrulls de conquistar a Terra. Neste período surge também o título Vingadores: A Iniciativa, onde os heróis registrados são treinados oficialmente.

Os alienígenas transmorfos se infiltraram entre os heróis, assumindo a identidade de alguns deles, como a própria Mulher-Aranha e Hank Pym, e manipularam os acontecimentos para que eles desconfiassem uns dos outros e se dividissem. Como resultado, eles se aproveitam da briga entre os Vingadores para tomar o planeta de assalto. Somente com a união de todos os heróis e até alguns vilões, esquecendo suas diferenças, é que eles conseguem deter a invasão, mas não sem pagar um alto preço: a heroína Vespa, um dos membros fundadores, morre em combate.

A opinião pública culpa Tony Stark pela infiltração alienígena, e ele perde o comando da S.H.I.E.L.D., que acaba sendo dissolvida, junto com sua equipe de Vingadores. Norman Osborn, o ex-Duende Verde, comandante do programa Thunderbolts, uma equipe de vilões que realiza missões para diminuir suas penas, é apontado como herói na luta contra os aliens, por ter matado a imperatriz skrull diante das câmeras. Ele assume o lugar de Stark e monta uma nova equipe oficial de Vingadores, mas recrutando alguns dos maiores facínoras do Universo Marvel para fazer parte.

São os Vingadores Sombrios, compostos pelo próprio Osborn na armadura do Patriota de Ferro; Rocha Lunar, que assume a identidade de Ms. Marvel; Venom, que assume a identidade do Homem-Aranha; Daken, o filho problemático de Wolverine, que assume a identidade do próprio pai; Mercenário, que assume a identidade do Gavião Arqueiro; além dos controversos Sentinela, Ares e o novo Capitão Marvel, antigo Marvel Boy.

A equipe de Cage, agora com o reforço do novo Capitão América (Bucky Barnes) e da Ms. Marvel, continua na resistência, mas agora enfrentando um adversário muito pior, pois Norman Osborn não tem escrúpulos. Paralelamente, o verdadeiro Hank Pym decide montar outra equipe de Vingadores, para atuar em escala mundial, formada por ele, Jocasta, Jarvis, Hércules, Amadeus Cho, o novo Visão, Agente Americano e a heroína Estatura (a filha de Scott Lang, o finado Homem-Formiga).

Durante a saga Cerco, Norman Osborn acaba perdendo o controle quando tenta forjar um ataque terrorista dos asgardianos para os expulsar dos Estados Unidos, atacando a cidade de Asgard, que na época havia sido transferida para Oklahoma. Para ajudar Thor, as equipes de Pym e Luke Cage acabam convergindo para a cidade eterna, bem como Steve Rogers, o recém-retornado Capitão América original e Tony Stark, o Homem de Ferro. Era a primeira vez desde Vingadores: A Queda em que “os três grandes” voltavam a unir forças.

Dessa situação, acabou surgindo uma nova, ou melhor, novas equipes de Vingadores. O Presidente Obama indicou Steve Rogers como novo diretor do departamento de assuntos super-humanos, e comandante da S.H.I.E.L.D., e ele montou três equipes de Vingadores: a principal, sediada na Torre Stark; o time de Luke Cage, na mansão dos Vingadores; e os Vingadores Secretos, que atuam em missões de espionagem e sujas demais para virem a público.

Ao mesmo tempo a franquia se expande com Avengers Academy, que trata de uma escola que treina jovens para serem super-heróis, comandada por Hank Pym, que na verdade tenta evitar que esses adolescentes se tornem supervilões.

Com a criação de novos desenhos animados e o tão aguardado filme em 2012, os Vingadores alcançaram finalmente o status de ícone da cultura pop, sendo uma das equipes mais populares de super-heróis agora não só entre os leitores de quadrinhos. Que novas mudanças essa popularidade poderá ocasionar na saga dos “heróis mais poderosos da Terra”, só o tempo dirá.

Algumas mudanças estão chegando ao Brasil como parte da Nova Marvel, mas não vamos estragar nenhuma surpresa.

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